Trump quer rebatizar a inteligência artificial como "superinteligência" e especialistas enxergam golpe de marketing
Donald Trump voltou a apostar em uma de suas marcas registradas: mudar nomes consagrados em todo o mundo. Desta vez, o alvo é a tecnologia que define a atual era digital, a inteligência artificial (IA), área da computação dedicada a criar sistemas capazes de executar tarefas antes exclusivas de humanos. O presidente dos Estados Unidos decidiu chamar essa tecnologia de "superinteligência", e a iniciativa já é classificada por especialistas como um golpe de marketing.
A decisão segue uma sequência de rebatizações determinadas pelo governante americano. Antes de mirar o setor de tecnologia, Trump já havia transformado o Golfo do México em Golfo da América, ao menos nos documentos oficiais do governo federal dos Estados Unidos. Na sequência, ele determinou que o Lago Ontário passasse a se chamar Lago América. Agora, a onda de novos nomes alcança um conceito central da indústria global de inovação.
A proposta, porém, não passou sem críticas. Especialistas ouvidos sobre o assunto rejeitam a mudança de nomenclatura e apontam que a iniciativa não representa nenhum avanço técnico ou científico na área. Para os analistas, trocar o nome da inteligência artificial é uma ação essencialmente simbólica, que não altera a natureza da tecnologia nem o estágio em que ela se encontra atualmente.
Apesar das restrições, a nova expressão pode agradar a um público específico: as empresas americanas de inteligência artificial. Segundo os analistas, o termo "superinteligência" ajuda essas companhias a ressaltar o poder de seus modelos, ou seja, os sistemas computacionais que elas desenvolvem e comercializam. Com uma nomenclatura que sugere capacidades elevadas, as empresas ganham um argumento mais forte para promover seus produtos no mercado.
É por essa razão que parte dos especialistas enxerga a medida como uma estratégia de marketing. Na avaliação desses analistas, o rebatismo funciona como um movimento benéfico para valorizar os negócios do setor, que disputam atenção, investimentos e clientes em um ambiente cada vez mais concorrido. A mudança de nome, nesse sentido, serviria mais aos interesses comerciais das companhias do que a qualquer necessidade técnica ou científica.
Na prática, a tentativa de rebatizar a inteligência artificial segue o mesmo padrão das medidas anteriores do presidente americano, que já haviam alterado nomes geográficos em documentos oficiais do país. A diferença, neste caso, é que o alvo é uma expressão consolidada no vocabulário global da tecnologia, empregada por empresas, pesquisadores e governos ao redor do mundo. Resta saber se a nova denominação ganhará adoção ampla ou ficará restrita, como nas iniciativas anteriores, aos limites da comunicação oficial do governo americano.
Para o mercado, o episódio evidencia como o discurso político pode se alinhar aos interesses comerciais das grandes corporações de tecnologia. Enquanto especialistas insistem que o nome não muda a essência da inteligência artificial, as empresas do setor tendem a se beneficiar de uma expressão que enfatiza a força de seus sistemas. O debate, portanto, fica entre a crítica técnica e o aproveitamento promocional de um termo que o governo americano pretende impor ao centro da agenda tecnológica.