A Avenue, plataforma brasileira voltada para investimentos no exterior, passou a utilizar inteligência artificial em até 85% do que produz em sua área de engenharia, consolidando a tecnologia como peça central da estratégia operacional da empresa. A adoção da IA ocorre em um cenário de competição crescente no mercado offshore, no qual bancos e plataformas digitais avançam sobre o segmento de investimentos internacionais e ampliam a pressão por ganho de escala.
Segundo a reportagem publicada pelo NeoFeed, a empresa aposta na inteligência artificial como ferramenta para ganhar produtividade e, ao mesmo tempo, escalar a oferta de assessoria de investimentos para que toda a sua base de clientes seja contemplada. Hoje, nem todos os investidores recebem acompanhamento dedicado, e a meta é que 100% dos clientes tenham acesso a algum tipo de orientação, seja ela humana ou automatizada por meio de sistemas inteligentes.
O cofundador da Avenue, Henry Conceição, afirmou que o principal desafio do momento é acelerar a implementação da IA de forma uniforme em todas as áreas da companhia. De acordo com ele, a tecnologia já deixou de ser uma experimentação restrita a determinados times e passou a permear processos em diferentes setores. A empresa, porém, não revela quanto investe especificamente em inteligência artificial.
A trajetória da companhia até esse ponto foi gradual. Antes mesmo de a IA entrar no planejamento estratégico da Avenue, os próprios funcionários já se dividiam entre os que testavam ferramentas por conta própria, percebendo ganhos de eficiência em tarefas cotidianas, e os que demonstravam resistência à novidade. Com o tempo, a constatação de que a tecnologia entregava resultados concretos levou a empresa a tratá-la como elemento essencial para acelerar entregas, reduzir gargalos e ampliar a capacidade produtiva.
Na engenharia, onde os números já alcançam a marca de 85%, o uso da inteligência artificial envolve desde a automação de etapas do desenvolvimento de software até a aceleração de testes, validações e construção de novas funcionalidades. A aplicação da tecnologia em uma proporção tão elevada da produção da área reflete o amadurecimento interno no uso de modelos de linguagem e outras ferramentas de IA generativa como apoio direto ao trabalho dos engenheiros.
Apesar da intensidade do uso da inteligência artificial, a empresa descarta a hipótese de redução de quadro em função da automação. Para Conceição, a demanda interna por novos projetos é tão elevada que não faltam iniciativas para serem executadas, o que faz da IA um instrumento de ganho de capacidade e não de substituição de profissionais. A lógica adotada pela Avenue é usar a tecnologia para liberar os times de tarefas repetitivas e permitir que os mesmos colaboradores avancem em frentes estratégicas.
A estratégia se insere em um movimento mais amplo do mercado financeiro, em que corretoras, gestoras e plataformas digitais buscam incorporar inteligência artificial em atendimento ao cliente, análise de investimentos, gestão de risco e personalização de produtos. No segmento offshore, em que brasileiros investem em ativos negociados fora do país, a diferenciação depende cada vez mais da capacidade de processar grandes volumes de informação e oferecer recomendações rápidas e personalizadas a uma base pulverizada de investidores.
A meta declarada pela Avenue de levar assessoria a 100% da base de clientes, combinando atendimento humano e automação, mostra como a inteligência artificial passou a ser vista dentro da empresa como um meio de democratizar o acesso a serviços antes restritos a perfis com maior volume de recursos. A combinação entre escala tecnológica e orientação especializada forma, na visão da companhia, o caminho para manter a competitividade diante da entrada de novos concorrentes no mercado de investimentos internacionais.