Dois dos principais ecossistemas de inovação do país anunciaram uma parceria estratégica que promete ampliar oportunidades para startups, empresas e centros de pesquisa. O inovabra, ecossistema paulista ligado ao Bradesco, e o Instituto Caldeira, de Porto Alegre, firmaram um acordo de colaboração durante a Semana Caldeira 2026, realizada entre 21 e 25 de setembro na capital gaúcha. A primeira grande iniciativa conjunta já tem destino e data: uma missão empresarial a Hong Kong e Shenzhen, na China, prevista para maio de 2027.
Os números de cada lado evidenciam a dimensão do encontro entre as duas comunidades. O inovabra já recebeu mais de 600 startups em seu ecossistema e foi responsável pela geração de mais de mil negócios ao longo de sua trajetória. O Instituto Caldeira, por sua vez, reúne mais de 550 empresas e instituições associadas, conta com 135 empresas residentes em suas instalações e já acelerou mais de 300 startups. Essa base combinada é o que os organizadores apontam como principal ativo da parceria, capaz de gerar novos negócios para as duas comunidades.
A chamada Missão China levará executivos brasileiros em cargos de alta liderança, os chamados C-levels, para uma imersão de oito dias em duas das cidades mais dinâmicas do cenário tecnológico asiático. O objetivo é apresentar de perto como a China aplica tecnologias emergentes a desafios concretos de infraestrutura, desenvolvimento urbano e operações de negócios em escala global. A programação preliminar inclui visitas técnicas e reuniões com companhias como BYD, Alibaba, IDG Capital, Huawei e Tencent, além de encontros com instituições financeiras e centros de pesquisa.
Para os responsáveis pelo acordo, a iniciativa reflete uma forma específica de enxergar a inovação dentro das organizações. Paulo Emediato, head de Growth e Comunicação do inovabra, explica que a parceria e a Missão China exemplificam a visão de tratar inovação como agenda de negócio. Segundo ele, ao conectar os desafios estratégicos do ecossistema a uma comunidade com a densidade do Caldeira e a centros globais como Shenzhen e Hong Kong, fica mais curta a distância entre tendência, oportunidade e decisão.
A aproximação, no entanto, não se limitará à viagem internacional. A cooperação está planejada para atravessar o cotidiano dos dois ecossistemas ao longo dos próximos anos. Startups, scale-ups — termo usado para empresas de rápido crescimento que já passaram da fase inicial —, empresas e centros de pesquisa ligados ao Instituto Caldeira terão a possibilidade de se conectar a desafios estratégicos do Bradesco e do inovabra. Na direção oposta, os membros do ecossistema paulista ganharão acesso a programas e oportunidades desenvolvidos no Rio Grande do Sul, criando um fluxo permanente de troca entre as duas comunidades.
A parceria também acompanha uma transformação no próprio modelo de operação do inovabra. O ecossistema está migrando da tradicional cobrança por uso de espaço físico para uma operação baseada em serviços, na qual passa a atuar como orquestrador de negócios entre operações, startups e parceiros. Essa mudança estrutural explica, em parte, a busca por conexões com outros polos de inovação, já que o novo formato depende da intermediação de oportunidades concretas entre diferentes agentes do mercado.
Do lado gaúcho, a expectativa é de que a presença do inovabra dentro do ecossistema do Caldeira coloque as startups locais frente a frente com demandas reais de uma das maiores instituições financeiras da América Latina. A avaliação é de Pedro Valério, CEO do Instituto Caldeira, para quem o acordo representa a chance de conectar a comunidade gaúcha a um dos maiores ecossistemas de inovação do país e a desafios corporativos de grande escala.
Na prática, o acordo estabelece uma ponte duradoura entre dois polos que até agora operavam de forma relativamente isolada em suas regiões. Com a Missão China marcada para maio de 2027 e as frentes de colaboração definidas para começar ainda no dia a dia dos ecossistemas, os próximos passos envolvem estruturar as conexões entre startups, empresas e centros de pesquisa dos dois lados. O resultado esperado pelas organizações é a geração de negócios concretos, com o calendário internacional servindo como ponto de partida para uma aproximação que se pretende permanente.