Seis adaptações de games que nunca saíram do papel e deixaram fãs na espera
Franquias adoradas dos videogames como BioShock, Halo, Metroid, Sly Cooper, The Sims e Splinter Cell chegaram a ter projetos de filmes ou animações em desenvolvimento, mas todos acabaram cancelados antes de estrear nas telas. As produções engavetadas mostram que nem todo jogo com público cativo consegue atravessar o caminho até o cinema ou a televisão, seja por disputas de orçamento, restrições criativas ou simples medo dos estúdios em arriscar dinheiro em um formato historicamente complicado.
O momento atual do mercado, porém, é bem diferente daquele que cercou esses cancelamentos. O sucesso da animação de Super Mario Bros., da série de The Last of Us na HBO e do recém-lançado filme de Resident Evil tornou difícil imaginar uma época em que adaptar um videogame era praticamente sinônimo de fracasso. Muitas franquias tentaram uma chance no audiovisual e caíram no esquecimento, enquanto outras nem sequer ultrapassaram o campo das ideias, deixando jogadores decepcionados com cancelamentos precoces e apenas a saudade daquilo que nunca chegou a existir.
O caso de BioShock é um dos mais conhecidos desse grupo. No final dos anos 2000, a Universal Pictures preparava um longa-metragem com o diretor Gore Verbinski ligado ao projeto, mas o filme naufragou por causa de divergências nos bastidores. O diretor exigia um orçamento milionário e defendia que a produção recebesse classificação indicativa para maiores de 18 anos. A Universal, temendo riscos financeiros, preferia uma versão censurada para uma faixa etária mais jovem. Com o impasse, Verbinski abandonou o projeto, que foi engavetado pela empresa. Hoje, uma nova produção está em desenvolvimento pela Netflix sob o comando do diretor Francis Lawrence.
Halo também tem uma história de quase ida ao cinema. Antes de a franquia ganhar a série de televisão lançada em 2022 no Paramount+, o cineasta Peter Jackson esteve envolvido em uma tentativa de levar o jogo às telonas, com Neill Blomkamp na direção e Alex Garland como roteirista, em uma trama focada no Master Chief. O desenvolvimento foi interrompido em 2006 por causa de disputas financeiras entre a Microsoft, a 20th Century Fox e a Universal Pictures, envolvendo a divisão de lucros entre os estúdios e os custos altíssimos da produção. Uma curiosidade fica registrada: como o projeto já estava em pré-produção, Blomkamp aproveitou parte desse material para desenvolver o filme Distrito 9, de 2009.
Metroid recebeu sinal verde para uma adaptação nos anos 2000, mas também ficou pelo caminho. O projeto nasceu em 2004, quando a produtora do diretor John Woo obteve os direitos para levar o jogo ao cinema. A produção parecia promissora, porém foi cancelada por causa da Nintendo, que impôs uma série de restrições criativas para impedir alterações no cânone, o conjunto de fatos oficiais da história. A desenvolvedora também se incomodou com as liberdades que o estúdio queria tomar em relação à origem da protagonista Samus Aran, o que gerou desentendimentos sobre o roteiro. Sem avanços, a produtora perdeu os direitos em 2007 e o filme entrou no limbo das adaptações canceladas.
Já Sly Cooper chegou a ser anunciado oficialmente em 2014, numa parceria entre a Sony Pictures e a Blockade Entertainment. A animação acompanharia as aventuras do guaxinim ladrão e tinha previsão de lançamento para 2016, mas acabou engavetada. O motivo foi o fracasso de bilheteria da adaptação de Ratchet & Clank, produzida pelo mesmo estúdio de games responsável por Sly Cooper e pela equipe que também cuidaria do filme do guaxinim. Para evitar um novo prejuízo, a Sony preferiu parar o projeto.
The Sims teve destino parecido nos anos 2000. Desenvolvido pela 20th Century Fox, o filme engavetado seria uma versão com atores reais em tom de comédia, mas a produção exigia um orçamento alto por causa dos efeitos visuais. Receoso com os gastos, principalmente por adaptar videogames não ser um bom negócio nas telonas naquela época, o estúdio deixou o longa em um limbo que durou anos, até o cancelamento definitivo em 2019, quando a Fox foi comprada pela Disney. O jogo de simulação ganhou uma segunda chance, agora com um novo filme em desenvolvimento pelo Amazon MGM Studios, e resta saber se a empresa vai conseguir tirar o projeto do papel.
Por fim, Splinter Cell foi anunciado em 2012 pela Ubisoft como uma adaptação cinematográfica grandiosa, com direção de Doug Liman e Tom Hardy no papel de Sam Fisher. Tudo se perdeu por causa de desentendimentos nos bastidores, e a produção foi oficialmente cancelada em 2024. A equipe nunca conseguiu bater o martelo em relação ao roteiro, o orçamento também se tornou um problema e o projeto foi sendo adiado ano após ano até ser engavetado de vez.
Na prática, esses cancelamentos mostram que a jornada de um game até as telas depende de um equilíbrio frágil entre ambição criativa, orçamento e controle das detentoras das franquias. Depois de tantos anos enfrentando a maldição das adaptações, os videogames nunca estiveram tão em alta em Hollywood, com vários projetos celebrados sendo lançados anualmente e muitos outros em desenvolvimento, incluindo uma leva de dez filmes e séries baseados em jogos previstos para 2026.