Nova onda de demissões na Amazon atinge a divisão responsável pelo e-commerce
A Amazon confirmou uma nova rodada de cortes de empregos, com impacto concentrado na divisão Stores, o setor que comanda o principal site de comércio eletrônico da companhia. A decisão foi anunciada durante o Prime Big Deal Days, uma das maiores datas de compras promovidas pela empresa, o que chamou a atenção pela coincidência entre a promoção e o enxugamento do quadro de pessoal. A companhia, porém, não divulgou o número exato de demissões.
Segundo uma pessoa familiarizada com o assunto que falou à agência de notícias Reuters, menos de 1.000 funcionários de escritório foram dispensados nessa leva. Os avisos de demissão chegaram a profissionais em três mercados diferentes: Estados Unidos, Índia e Reino Unido. A dimensão reduzida do corte contrasta com a movimentação anterior da empresa, mas mantém vivo o processo de reestruturação iniciado nos últimos anos.
Relatos de funcionários afetados e mensagens compartilhadas em canais internos do Slack, plataforma de comunicação corporativa, indicam que diferentes áreas da divisão Stores foram atingidas. Entre os setores mencionados estão o atendimento ao cliente e os serviços dedicados a vendedores parceiros, que utilizam a estrutura da Amazon para comercializar seus produtos na plataforma.
Procurada para comentar a medida, a empresa justificou a decisão como parte de um reposicionamento organizacional. "Nós ajustamos partes do nosso negócio de Stores porque acreditamos que essa estrutura nos permitirá cumprir melhor nossas prioridades", disse um porta-voz da Amazon em comunicado enviado por e-mail. A declaração sugere que o corte está mais ligado a uma reformulação interna do que a uma redução ampla de custos.
A nova dispensa chega depois de uma movimentação bem maior. Desde o ano passado, mais de 30 mil trabalhadores já foram desligados da gigante de tecnologia. A rodada anterior de cortes, iniciada no passado e estendida até janeiro, eliminou cerca de 30 mil empregos e se configurou como um dos maiores ajustes de pessoal já realizados pela companhia em sua história recente.
O fundador e presidente executivo do conselho de administração da Amazon, Jeff Bezos, comentou publicamente as demissões em entrevista à emissora Fox News. Segundo o executivo, a empresa contratou funcionários em excesso durante a pandemia, período no qual as pessoas passaram a fazer mais compras enquanto permaneciam em casa, impulsionando fortemente a demanda pelos serviços da companhia.
"As pessoas estavam ficando em casa e fazendo pedidos, e foi um período incrível e estressante para nós", afirmou Bezos. O executivo reconheceu que a equipe trabalhou intensamente naquele momento, mas admitiu que a Amazon acabou aumentando demais seu quadro de funcionários, o que agora obriga a empresa a fazer correções de rota.
Na prática, o episódio reforça que o enxugamento do quadro de pessoal da Amazon ainda não chegou ao fim. Depois da forte expansão vivida durante a pandemia, a companhia segue ajustando suas estruturas internas em movimentos de menor escala, porém contínuos, com efeitos diretos sobre times de diferentes países e de áreas centrais do negócio de varejo.