PUBLICIDADE

O Pós-Assinatura: Por que a verdadeira maestria em M&A está na arte de integrar pessoas e processos, não apenas em fechar negócios

01/10/2026
6 visualizações
4 min de leitura
Para o CEO da CLEAM Capital, Eduardo Lacet, o trabalho que define o sucesso de uma aquisição começa no dia seguinte ao anúncio da operação, com a integração de pessoas e processos.
Imagem principal do post

Executivo defende que valor de uma aquisição nasce depois da assinatura do contrato e resume lições de gestão aprendidas em negócios que vão de tecnologia a alimentos

O executivo Eduardo Lacet, CEO da CLEAM Capital, afirma que a parte realmente importante de um processo de M&A — sigla para fusões e aquisições de empresas — começa apenas no dia seguinte ao anúncio da operação. Segundo ele, comprar uma empresa é fácil de explicar e difícil de executar bem: assina-se o contrato, o dinheiro muda de mãos e a notícia é divulgada, mas tudo isso é apenas o começo de um trabalho de integração e reconstrução que define se a aquisição vai gerar ou destruir valor.

Depois de conduzir operações em setores tão distintos quanto tecnologia, alimentos, educação e serviços, Lacet diz ter aprendido que não existe fórmula mágica de administração que possa ser replicada de empresa em empresa. Para ele, negócios de tecnologia e software vivem da velocidade de decisão e da capacidade de adaptação, enquanto uma indústria de alimentos exige outro tipo de raciocínio, centrado em produção, estoque, logística, matéria-prima e eficiência operacional. O que muda não são os princípios, mas a forma de aplicá-los.

Imagem complementar

O executivo explica que alguns fundamentos permanecem independentemente do segmento, como disciplina financeira, meritocracia, foco no cliente e qualificação dos times. A lição central, segundo ele, é que o gestor precisa adaptar seu método à empresa, e não o contrário. Em sua avaliação, chegar ao novo negócio impondo um manual pronto é a receita mais rápida para destruir valor que o comprador nem sabia que existia. Por isso, defende humildade para aprender as particularidades de cada operação.

Outra mudança marcante em sua trajetória foi aprender a delegar. Lacet conta que, no início da carreira, tinha mentalidade mais empreendedora e queria estar próximo de todas as decisões, entendendo cada área em profundidade para resolver tudo com as próprias mãos. O trabalho com fusões e aquisições mostrou, segundo suas palavras, que empresas maiores não se constroem assim. O ponto-chave foi deixar de querer ser indispensável para construir organizações que não dependam dele, com valor dado a governança, processos, indicadores e, sobretudo, à colocação das pessoas certas nos lugares certos.

PUBLICIDADE

Hoje, diz o executivo, pensa muito mais em formar líderes e construir sistemas do que em centralizar decisões. Ele também aprendeu a resistir ao impulso de transformar tudo o que acompanha esses negócios. Reconhece que há uma grande vontade de modernizar tudo e arregaçar as mangas ao adquirir uma empresa, e que esse impulso funciona como um bom motor, mas pode levar a falhas. Em sua visão, uma boa aquisição não começa tentando consertar tudo, e sim sabendo o que não pode ser destruído.

Ao assumir uma nova operação, a primeira busca de Lacet é entender onde a empresa realmente gera valor e onde esse valor está sendo perdido. Esse diagnóstico passa por observar três dimensões ao mesmo tempo: pessoas, geração de caixa e clientes. As perguntas que orientam esse trabalho incluem quem conduz de fato a operação, quais clientes e produtos sustentam o negócio e onde estão os gargalos que travam crescimento e rentabilidade. Ele alerta que entrar em um setor novo acreditando que já tem todas as respostas é perigoso e arrogante, já que a experiência ajuda a fazer perguntas melhores, mas não substitui o conhecimento de quem vive aquele negócio há décadas.

Nesses casos, define ele, sua função tem sido combinar o conhecimento técnico de quem já estava na operação com a disciplina de gestão e de alocação de capital que desenvolveu aquisição após aquisição. Lacet também observa que um bom líder aparece claramente nos momentos de transição e desafio, e não nos períodos de estabilidade. Toda mudança traz dúvida, pressão e insegurança, e é justamente nesse cenário que se vê quem assume responsabilidade, quem protege a equipe, quem traz solução e quem mantém o foco no negócio mesmo sob incerteza.

Depois de conhecer negócios tão distintos entre si, o executivo chegou à conclusão de que os problemas fundamentais são surpreendentemente parecidos. Quase toda empresa enfrenta os mesmos cinco desafios: atrair e manter boas pessoas, vender mais e melhor, controlar custos, transformar resultado em caixa e definir prioridades. O setor muda, o produto muda, o cliente muda, mas essas questões permanecem. Existe ainda um sexto desafio, considerado por ele o mais decisivo de todos: a execução, ou seja, a capacidade de transformar estratégia em ação concreta, com responsáveis definidos, resultados medidos e correções rápidas de rota quando algo não funciona.

Para Lacet, adaptabilidade não é mudar de opinião a cada semana. É manter princípios muito claros e, ao mesmo tempo, ter a flexibilidade de trocar de caminho quando a realidade mostra uma rota melhor até o mesmo objetivo. Uma coisa sem a outra, segundo ele, não funciona e vira apenas oportunismo travestido de agilidade. Na avaliação do executivo, o trabalho com fusões e aquisições ensinou muito menos sobre comprar empresas do que ele esperava — e muito mais sobre pessoas, liderança e a capacidade de continuar aprendendo.

PUBLICIDADE
Este post foi útil para você?

Leitura recomendada

💬 Comentários

Nenhum comentário ainda. Conte o que achou, tire uma dúvida ou discorde. Seja o primeiro!

Deixe seu comentário
O e-mail não aparece. Serve só para avisar quando responderem você.
Os comentários passam por aprovação antes de aparecer. Crie uma conta de leitor e, depois do primeiro aprovado, os próximos saem na hora.
Apoie o ConexãoTC

O ConexãoTC é independente e gratuito. Se as notícias fazem parte do seu dia, contribua com qualquer valor pelo PIX e ajude a manter o blog no ar.

QR code PIX para apoiar o ConexãoTC
Aponte a câmera do app do banco
Favorecido: Jean Dgardany C. Lima, editor do ConexãoTC
🗳️ O que você quer ler aqui?

Marque os assuntos que te interessam. Os mais pedidos viram os próximos artigos.

Leitores cadastrados têm as sugestões atendidas primeiro e recebem um aviso quando o artigo sai.
Fique por dentro

Os destaques do dia no seu e-mail, todo dia às 8h.

PUBLICIDADE