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Além do Ozempic: Nova descoberta promete queimar gordura aumentando o gasto energético sem cortar calorias

01/09/2026
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Composto experimental faz camundongos obesos perderem peso sem alterar alimentação, aponta estudo da UC Berkeley

Uma pesquisa publicada na revista Science Advances apresentou um caminho inédito no tratamento da obesidade: em vez de reduzir o apetite, como fazem medicamentos como Ozempic e Wegovy, o composto testado aumenta a quantidade de energia que o corpo gasta, sem alterar a alimentação. A substância, chamada TOFA, levou camundongos obesos a perderem em média 18% do peso corporal preservando a massa muscular. O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley.

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Os medicamentos atualmente disponíveis contra a obesidade baseiam-se no mesmo princípio: diminuir a quantidade de calorias ingeridas pelo paciente. O estudo sugere que é possível atacar o outro lado da equação energética, elevando o gasto do organismo. Para testar a hipótese, os cientistas alimentaram camundongos machos com uma dieta rica em gordura durante sete semanas, até que desenvolvessem obesidade. Na sequência, os animais receberam o TOFA por via oral, duas vezes ao dia, ao longo de quatro semanas.

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Os resultados chamaram atenção pela natureza das mudanças observadas. A ingestão de alimentos não mudou, a atividade física permaneceu a mesma e a temperatura corporal não subiu. Ainda assim, o gasto energético total aumentou em até 18%. "A ingestão de alimentos não se alterou, a atividade física não se alterou, a temperatura corporal não aumentou – e ainda assim o gasto energético total aumentou em até 18%", resumiu Anders Näär, biólogo metabólico da UC Berkeley e autor sênior do estudo, em declaração ao ScienceAlert.

Outro ponto relevante foi a composição da perda de peso. A maior parte do peso eliminado veio de gordura, enquanto a massa muscular e outros tecidos magros foram amplamente preservados. Esse é um diferencial importante, já que a perda de músculo é um efeito colateral frequente tanto de dietas restritivas quanto de medicamentos como o Ozempic, citados pelos pesquisadores como referência.

O mecanismo de ação do composto é duplo. O TOFA inibe as enzimas ACC1 e ACC2, responsáveis pela produção de gordura no organismo, e ao mesmo tempo ativa os receptores PPARα e PPARδ, que estimulam genes encarregados de captar e queimar gordura para gerar energia. Outros inibidores de ACC já haviam sido testados em estudos clínicos anteriores, mas fracassaram por elevar os triglicerídeos no sangue, um tipo de gordura cujo aumento representa risco cardiovascular grave. O TOFA, de forma incomum entre compostos dessa classe, não produziu esse efeito nos animais avaliados.

"TOFA parece engajar uma resposta metabólica coordenada. Não está simplesmente bloqueando a síntese de lipídios. Também está ativando vias de gasto energético que podem ajudar o organismo a lidar com excesso de lipídios e glicose de forma mais eficaz", afirmou Justin Y. Lee, primeiro autor do estudo, em comunicado da universidade. A hipótese ganhou força com um experimento comparativo: quando os pesquisadores tentaram reproduzir os efeitos usando dois compostos separados, um para bloquear a produção de gordura e outro para aumentar o gasto energético, a combinação não foi tão eficaz quanto o TOFA isolado.

Os cientistas também testaram o composto em conjunto com medicamentos já consolidados no mercado. Em experimentos adicionais, o TOFA foi combinado com a semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, e com a tirzepatida, presente no Mounjaro e no Zepbound. Os resultados superaram qualquer tratamento isolado em peso corporal, controle de glicose, níveis de insulina e triglicerídeos. A lógica é complementar: os medicamentos da classe GLP-1, que agem sobre hormônios ligados à saciedade, reduzem a entrada de calorias, enquanto o TOFA aumenta o gasto.

A complementaridade entre os mecanismos também apareceu na manutenção do resultado. Nos camundongos tratados com TOFA, o peso foi mantido por mais tempo após o fim do tratamento. Já nos animais que receberam apenas semaglutida, o peso voltou rapidamente quando a alimentação aumentou. "Isso torna a terapia combinada interessante, porque os mecanismos podem se complementar em vez de se duplicar", avaliou Näär.

Os benefícios observados foram além da balança. O composto melhorou o controle de açúcar no sangue e a sensibilidade à insulina dos animais, reduziu os triglicerídeos e a gordura no fígado. Em experimentos separados, diminuiu sinais de doença hepática gordurosa, incluindo acúmulo de gordura, inflamação e fibrose, que é o endurecimento do tecido.

Apesar do entusiasmo científico, o caminho até o uso em humanos ainda é longo. O TOFA foi descoberto nos anos 1970 e é utilizado em pesquisas laboratoriais há décadas, mas nunca foi testado em pessoas. A dose mínima eficaz ainda é desconhecida e o composto não passou pelos testes de segurança exigidos para uso médico. Outra limitação é que todos os animais usados nos experimentos eram machos, de modo que não se sabe se os efeitos seriam semelhantes em fêmeas.

Os pesquisadores planejam realizar estudos de toxicologia e eficácia em ratos e animais maiores antes de qualquer ensaio clínico em humanos. Vale registrar, ainda, que Anders Näär e dois outros autores do estudo são cofundadores e acionistas da ReRx Therapeutics, empresa que desenvolve o TOFA como potencial tratamento. Por ora, os resultados reforçam a ideia de que aumentar o gasto energético pode se tornar uma estratégia complementar às abordagens atuais contra a obesidade.

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