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Aposta de Risco: Fundador da Bolt Investe Dinheiro Próprio em Manobra de Emergência para Salvar Fintech do Colapso

31/08/2026
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Fundador da Bolt coloca dinheiro do próprio bolso em rodada de US$ 27 milhões para tentar salvar a fintech

A fintech de pagamentos e finalização de compras Bolt anunciou uma captação-ponte de US$ 27 milhões, destinada a bancar uma nova tentativa de reação da empresa no mercado. Segundo reportou o TechCrunch, o dinheiro vem de investidores que já participam do capital da companhia e está estruturado na forma de uma nota conversível, título que será transformado em participação societária com desconto quando a Bolt fechar a segunda etapa de sua série E, a rodada de investimento mais recente do negócio.

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Essa série teve sua primeira parcela concluída em 2022, e o fundador e atual diretor executivo, Ryan Breslow, tentou sem êxito realizar uma série F em 2024. Diante dos sinais de alerta que cercam a operação, ele decidiu demonstrar comprometimento com recursos próprios e figura entre os principais garantidores do aporte, destinando US$ 5 milhões do seu bolso. "Eu acredito na Bolt mais do que qualquer um poderia imaginar. Acredito que a Bolt vale a pena ser salva", declarou o empresário.

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O executivo calcula que os cerca de 100 investidores da companhia somem ao menos US$ 15 milhões ao esforço, embora reconheça que nem todos devem aderir à rodada. Sobre a saúde financeira, Breslow preferiu não revelar quanto caixa ainda resta nos cofres da empresa, limitando-se a afirmar que a operação está próxima da rentabilidade e volta a crescer depois de anos de queda na receita. Segundo o comunicado da Bolt, os recursos servirão para capitalizar marcos operacionais recentes e quitar "obrigações legadas", expressão que o fundador não quis detalhar.

A trajetória recente do empresário ajuda a explicar os contornos de quase cruzada pessoal que a captação assumiu. Breslow deixou o comando da companhia em 2022, em meio a atritos com investidores e disputas judiciais, e reassumiu o cargo de diretor executivo em março de 2025. Já na época da volta, falava em conversas preliminares sobre uma nova rodada, mas levou mais de um ano para chegar a um anúncio público.

A Bolt, especializada em finalização de compras em um clique, foi fundada por Breslow em 2014, quando ele tinha 19 anos e abandonou a universidade de Stanford para se dedicar ao negócio. No início de 2022, a companhia chegou a valer US$ 11 bilhões. De lá para cá, o valor de mercado desabou 97%, para US$ 300 milhões, e o quadro de funcionários encolheu de 900 pessoas, em 2021, para cerca de 60 atualmente.

A desconfiança do mercado em relação ao fundador permanece elevada. Há dois anos, ele tentou levantar US$ 450 milhões a um valor de US$ 14 bilhões, mas o negócio ruiu depois que investidores existentes, entre eles BlackRock e Hedosophia, recorreram à Justiça para impedir a operação. Um dos fundos apontados como líder da rodada negou estar participando, e outro havia oferecido US$ 250 milhões em créditos de marketing, e não em dinheiro. O processo foi retirado posteriormente, por acordo entre as partes.

Essa não foi a primeira polêmica do empresário. Em 2022, um relatório do jornal New York Times afirmou que Breslow havia inflado a captação de recursos da Bolt e a avaliação de US$ 11 bilhões com métricas artificialmente elevadas. Pouco depois, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, órgão que fiscaliza o mercado financeiro americano, investigou as declarações do fundador sobre a série E. Em sua defesa, Breslow sustenta que a Bolt estaria em situação melhor se ele nunca tivesse deixado a cadeira de comando e que a empresa perdeu clientes durante sua ausência.

A aposta da vez é o aplicativo lançado no ano passado, que reúne em uma única plataforma serviços financeiros, transferências entre pessoas, criptomoedas e cartão de crédito ao lado da finalização de compras em um clique. O plano, agora, é retomar o crescimento de forma enxuta, com a inteligência artificial como principal motor da operação. "Estamos fazendo provavelmente dez vezes mais, entregando dez vezes mais rápido por causa da inteligência artificial", afirma o executivo.

Ao anunciar a captação-ponte, a Bolt tenta converter a obstinação de seu fundador em uma chance concreta de reerguimento. Os US$ 27 milhões em notas conversíveis chegam com a promessa de um aparelho enxuto perto da rentabilidade, mas sob a sombra de um valor de mercado que caiu 97% em poucos anos e de um histórico de desgastes com investidores. Resta saber se a confiança declarada por Breslow, agora reforçada com dinheiro próprio, será suficiente para viabilizar a virada da fintech.

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