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Bilhões Escondidos: As Big Techs e o Risco Oculto de R$ 8,4 Trilhões em Dívidas

22/07/2026
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Big techs escondem R$ 8,4 trilhões em dívidas fora do balanço para financiar data centers de IA

Cinco das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos acumulam cerca de R$ 8,4 trilhões em dívidas mantidas fora de seus balanços contábeis oficiais, valor que ultrapassa os R$ 6,9 trilhões em passivos oficialmente declarados por essas companhias. O dado foi divulgado em um estudo do Nikkei, que aponta que esses compromissos financeiros vêm sendo utilizados para bancar a expansão dos data centers voltados à inteligência artificial.

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O levantamento mostra que o volume de dívidas mantidas fora dos registros contábeis cresceu aproximadamente oito vezes em quatro anos entre Alphabet, Microsoft, Amazon, Meta e Oracle. A estrutura utilizada pelas big techs chama atenção porque remete ao modelo adotado pela Enron antes de seu colapso, ocorrido há cerca de 25 anos. Naquela época, a companhia recorreu a veículos de propósito específico, que são entidades jurídicas criadas para fins determinados, para ocultar dívidas, prática posteriormente caracterizada como fraude.

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Atualmente, segundo o estudo, a utilização dessas estruturas permanece permitida, desde que as informações sejam devidamente divulgadas aos investidores. As exigências de transparência e divulgação foram introduzidas após o escândalo da Enron. O analista Gil Luria, em entrevista à Bloomberg Law, resumiu a diferença: o crime da Enron não foi ter veículos de propósito específico, mas sim escondê-los.

O mecanismo descrito no estudo consiste em transferir dívidas relacionadas à compra de chips, servidores e infraestrutura energética para entidades jurídicas independentes, frequentemente organizadas na forma de joint ventures, ou seja, sociedades entre duas ou mais empresas. Com isso, os compromissos financeiros deixam de aparecer diretamente nos balanços das empresas de tecnologia.

Um dos exemplos citados é o projeto do data center Hyperion, da Meta, na Louisiana. Segundo o levantamento, a Meta e a Blue Owl Capital aportaram recursos em uma estrutura independente que assumiu R$ 137,4 bilhões em dívidas. Embora a Meta seja a única ocupante da instalação, a empresa sustenta que não precisa registrar esse passivo em seu balanço porque não é responsável por encontrar novos locatários caso o espaço deixe de ser utilizado.

O estudo também destaca que a Oracle possui R$ 1,3 trilhão em compromissos futuros de arrendamento que deverão ser incorporados aos seus livros contábeis ao longo do tempo. Já a Nvidia acumula R$ 605,6 bilhões em obrigações de compra. Segundo o levantamento, Alphabet e Microsoft também utilizam estruturas mantidas fora de seus balanços oficiais.

A escala dessas operações é um dos principais pontos de atenção. Somente a Meta teria aproximadamente R$ 2,1 trilhões em dívidas fora do balanço, montante quase três vezes superior à dívida oficialmente declarada pela empresa. No caso da Oracle, o volume dessas obrigações teria aumentado cerca de 30 vezes nos últimos quatro anos.

Todos esses investimentos fazem parte da corrida pela expansão da infraestrutura necessária para a inteligência artificial. A expectativa é que o setor invista mais de R$ 15,3 trilhões até 2028 na construção e no aparelhamento de data centers de IA, com grande parte desse montante financiado por meio de garantias vinculadas aos próprios chips instalados nessas estruturas.

O tema ganha relevância em um momento em que quatro das cinco empresas divulgarão seus resultados financeiros nas próximas duas semanas. Os balanços apresentarão apenas a dívida oficialmente registrada, enquanto os R$ 8,4 trilhões em compromissos mantidos fora dos balanços aparecem apenas nas notas explicativas que acompanham os demonstrativos financeiros.

O levantamento chama atenção ainda para o impacto futuro dessas estruturas. Quando um data center entra em operação, seus contratos de arrendamento passam a integrar o balanço da empresa. Caso a demanda por IA fique abaixo das expectativas, a instalação poderá sofrer desvalorização, fazendo com que as perdas recaiam sobre credores e seguradoras responsáveis pelo financiamento.

Parte do mercado já demonstra preocupação com o aumento da alavancagem financeira, isto é, a relação entre o volume de dívidas e o patrimônio das empresas. A S&P rebaixou a classificação de crédito da Oracle em razão do elevado nível de endividamento, enquanto Morgan Stanley e Moody's também sinalizaram preocupações relacionadas ao crescimento dessas obrigações. O consultor contábil Tom Selling questionou, em entrevista ao The Next Web, os riscos associados ao modelo, perguntando o que aconteceria se uma dessas empresas fosse um castelo de cartas sustentado por esse tipo de tratamento contábil.

Apesar das críticas, o estudo ressalta que a utilização dessas estruturas não é ilegal e que as empresas defendem que os lucros futuros provenientes da expansão da IA serão suficientes para cobrir os compromissos financeiros assumidos. As informações sobre essas obrigações também são divulgadas aos investidores, embora apareçam nas notas explicativas dos demonstrativos financeiros. Isso significa que investidores que se basearem apenas nos números principais dos balanços poderão visualizar apenas parte da alavancagem financeira das empresas em um momento em que o mercado discute a possibilidade de uma bolha relacionada à inteligência artificial.

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