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Pesquisa da AWS mostra lacuna na medição de retorno de IA no Brasil

04/09/2026
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Uma pesquisa da AWS, divisão de serviços de computação em nuvem da Amazon, mostra que medir o retorno dos investimentos em inteligência artificial ainda é um desafio para as empresas brasileiras. O levantamento aponta que a tecnologia já é realidade em 50% das companhias do país, um universo estimado em cerca de 12 milhões de organizações. Apesar dessa escala de adoção, a maior parte delas não conta com instrumentos adequados para avaliar se o capital aplicado na tecnologia gera os resultados esperados.

Os números expõem um descompasso central. Entre as empresas que utilizam inteligência artificial, 63% afirmam conseguir medir o retorno do investimento feito na tecnologia. O problema está no detalhe: apenas 28% possuem ferramentas adequadas para essa medição. A diferença entre os dois indicadores revela uma lacuna significativa entre a adoção da inteligência artificial e a capacidade de gestão dos investimentos na área no país.

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A constatação ajuda a dimensionar o estágio de maturidade digital das empresas nacionais. O avanço da implantação de sistemas de inteligência artificial ocorre em ritmo superior ao da construção de práticas de controle, monitoramento e avaliação de resultados. É esse segundo movimento que a pesquisa indica estar atrasado.

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A AWS é uma das principais fornecedoras de infraestrutura de nuvem do mundo e um dos provedores mais usados por empresas que desenvolvem aplicações de inteligência artificial, de assistentes baseados em modelos de linguagem a plataformas de análise de dados. A companhia mantém operação consolidada no Brasil, o que a coloca em posição de acompanhar de perto o comportamento do mercado corporativo local.

A escala identificada pelo levantamento é expressiva. Se metade das empresas brasileiras já emprega inteligência artificial, a tecnologia deixou o campo dos projetos experimentais e alcançou milhões de organizações de perfis variados. A adoção em massa cria, porém, um problema subsequente: saber se o dinheiro investido está retornando de forma mensurável.

No ambiente corporativo, medir o retorno sobre o investimento significa comparar os ganhos obtidos com uma iniciativa aos custos envolvidos em sua implantação e operação. No caso da inteligência artificial, essa conta inclui itens como licenças de software, infraestrutura de processamento, contratação e capacitação de equipes especializadas e o tempo despendido na integração dos sistemas com as operações existentes.

O contraste entre 63% e 28% é o ponto mais revelador da pesquisa. O número de empresas que se julgam capazes de medir o retorno é mais que o dobro daquele das que efetivamente dispõem de ferramentas apropriadas para isso. A diferença indica que boa parte das avaliações se apoia em critérios informais, em percepções internas sobre ganhos de produtividade ou em indicadores parciais, sem lastro em sistemas de apuração estruturados.

A ausência de instrumentos formais de medição cria um ponto cego na gestão. Sem dados consolidados, comparações entre iniciativas e decisões sobre novos aportes passam a depender de avaliação subjetiva. Instrumentos de apuração estruturados são justamente o que falta à maioria das companhias consultadas.

Para os profissionais de tecnologia, o levantamento oferece um retrato objetivo do momento. A maior parte das empresas brasileiras já passou da etapa de decidir se adota inteligência artificial e enfrenta agora o desafio de provar que a adoção gera valor. O debate se desloca do campo técnico para o gerencial, no qual indicadores e ferramentas de acompanhamento ocupam o centro.

A leitura mais ampla do mercado também fica evidente nos dados. Com cerca de 12 milhões de empresas utilizando a tecnologia, o país possui uma base expressiva de adoção. O gargalo apontado pelo estudo, porém, não está no consumo da inteligência artificial, e sim na camada de gestão que deveria sustentar as decisões de investimento.

O percentual de 28% mostra que o mercado nacional ainda está longe de consolidar práticas maduras de avaliação. Para cada companhia com instrumentos adequados de medição, há mais de duas operando sem esse suporte. O quadro descrito pela AWS é de assimetria: ampla utilização de um lado, capacidade de mensuração limitada do outro.

O levantamento resume, em três números, o estágio da inteligência artificial nas empresas brasileiras: metade delas já usa a tecnologia, a maioria acredita conseguir medir seu retorno, mas pouco mais de um quarto dispõe de ferramentas para isso. O desafio nacional deixou de ser apenas implantar inteligência artificial e passou a incluir a capacidade de comprovar resultados.

Para lideranças de tecnologia e executivos de negócios, a mensagem é direta. A maturidade em inteligência artificial não se mede apenas pela presença da tecnologia na operação, mas pela existência de processos e instrumentos capazes de traduzir essa presença em valor mensurável.

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