Nintendo tem pedido de patente de Pokémon rejeitado após jogo de fãs ser usado como referência
O Escritório de Patentes do Japão rejeitou um pedido apresentado pela Nintendo que buscava registrar uma tecnologia relacionada às mecânicas de captura de criaturas. A decisão, registrada em meados de julho, ganhou notoriedade por um detalhe bastante incomum: o órgão utilizou como argumento um jogo de Pokémon desenvolvido por fãs, ou seja, uma produção não oficial da própria franquia, para fundamentar a recusa. A conclusão dos avaliadores foi de que os sistemas descritos pela empresa não apresentavam um passo inventivo suficiente para justificar a concessão da patente.
A solicitação, identificada sob o número 2026-019762, foi protocolada durante o primeiro semestre de 2026. O documento apresentava uma descrição de um sistema voltado para a movimentação e captura de monstros por meio de uma tela sensível ao toque, funcionalidade que remete diretamente às mecânicas clássicas presentes nos jogos da série Pokémon. O objetivo da Nintendo era obter proteção legal sobre essa forma de interação, mas o escritório japonês entendeu que a proposta não reunia os requisitos necessários de inovação.
A rejeição chamou atenção especialmente porque a própria comunidade de fãs da franquia acabou servindo como referência tecnológica contra os interesses da fabricante. O jogo não oficial citado pelos avaliadores continha elementos suficientes para que o órgão considerasse a mecânica como algo já existente, eliminando assim o caráter inovador exigido para a aprovação de uma patente. Esse tipo de situação, embora rara, demonstra como produções independentes podem influenciar decisões em processos formais de registro de propriedade intelectual.
Outro aspecto que ampliou a repercussão do caso foi a ligação entre esse pedido e a disputa judicial envolvendo a Pocketpair, estúdio responsável pelo jogo Palworld. A patente rejeitada pertence à mesma família de registros utilizados pela Nintendo no conflito legal contra a desenvolvedora. Contudo, é importante ressaltar que esta solicitação específica não integra diretamente o processo judicial em andamento contra a empresa, funcionando como um pedido paralelo dentro de um grupo mais amplo de registros da companhia.
A recusa do Escritório de Patentes do Japão reforça os desafios enfrentados pela Nintendo na tentativa de proteger mecanismos de jogabilidade que, em muitos casos, já são amplamente reproduzidos por criadores independentes. A decisão indica que o órgão avaliador considerou o sistema descrito pela empresa como uma evolução insuficiente diante do que já existia no mercado, inclusive em produções feitas fora do ambiente oficial da franquia.
Em suma, a Nintendo teve mais um obstáculo em sua estratégia de registro de patentes ligadas ao universo Pokémon. Com a rejeição do pedido 2026-019762, o escritório japonês sinalizou que mecanismos de captura e movimentação de criaturas via toque na tela não possuem o nível de inovação exigido para proteção patentária, especialmente quando jogos criados pela própria comunidade de fãs já contemplam soluções semelhantes. O episódio se soma ao contexto mais amplo de disputas da empresa no setor de propriedade intelectual, incluindo o embate com a Pocketpair, embora cada caso siga caminhos processuais distintos.