As estratégias de transição elaboradas para reduzir as emissões da aviação civil ainda não são suficientes para lidar com o desafio da descarbonização do setor. A constatação ganha peso em um momento em que os efeitos das mudanças climáticas e os riscos associados a eles passam a ser sentidos com intensidade crescente em diferentes partes do mundo, pressionando indústrias de difícil substituição energética, como o transporte aéreo.
Diante desse cenário, diversas organizações passaram a desenvolver roteiros, documentos que descrevem etapas potenciais rumo à neutralidade de carbono na aviação, que é a condição de equilíbrio entre as emissões liberadas e as retiradas da atmosfera. Esses planos combinam múltiplos mecanismos de ação, entre eles o desenvolvimento de combustíveis alternativos ao querosene convencional e a introdução de aeronaves mais eficientes em consumo e desempenho.
As iniciativas contam com o respaldo de entidades relevantes do setor e de governos. Entre os apoiadores estão a Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), agência das Nações Unidas que regula o transporte aéreo mundial, o Air Transport Action Group (ATAG), grupo que reúne players do transporte aéreo, e a Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, além de outras instituições que também endossam os caminhos propostos.
Apesar da amplitude dos roteiros, existe uma limitação importante na forma como essas estratégias vêm sendo avaliadas. Elas costumam ser medidas com base em um único critério: as emissões de gases de efeito estufa, que são os poluentes responsáveis pelo aquecimento global. Essa visão restrita é justamente o ponto que levanta dúvidas sobre a suficiência dos planos atuais para transformar, de fato, o setor aéreo em uma atividade compatível com as metas climáticas.
Na prática, o debate colocado pela notícia é o de que o olhar concentrado apenas no indicador de emissões pode deixar de fora outras dimensões relevantes da transição da aviação civil. O desafio que se impõe às organizações envolvidas é ampliar a forma de avaliação das estratégias, de modo que os roteiros existentes, hoje apoiados por ICAO, ATAG e Comissão Europeia, consigam acompanhar a gravidade dos efeitos climáticos que já se manifestam no presente.