Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Geórgia (Georgia Tech), nos Estados Unidos, desenvolveram uma modificação simples capaz de transformar uma resina de amina disponível comercialmente em um sorvente mais eficiente e durável para a captura de gás carbônico diretamente do ar. O trabalho, realizado em colaboração com a empresa CarbonCapture Inc., foi publicado na revista científica Science Advances sob o título sobre a polimerização in situ de azetidina em sorventes de resina polimérica comercial.
A pesquisa se insere no campo da captura direta do ar, técnica que retira o dióxido de carbono presente na atmosfera e que vem sendo considerada uma opção cada vez mais atraente para limitar o aquecimento global. Segundo os pesquisadores da Escola de Engenharia Química e Biomolecular da instituição, porém, expandir esses sistemas para remover e armazenar com segurança quantidades suficientes de CO₂ enfrenta grandes obstáculos. Um deles é justamente a melhoria dos sorventes sólidos, os materiais responsáveis por prender o gás carbônico presente no ar ambiente.
Em vez de desenhar um sorvente totalmente novo, a equipe partiu de estudos anteriores da própria Georgia Tech com a polipropilenimina, polímero que já havia demonstrado vantagens tanto na captura de CO₂ quanto na durabilidade do material. A partir dessa base, os cientistas criaram um processo de enxerto que faz o polímero crescer diretamente a partir dos sítios de amina já existentes na resina comercial, ampliando a capacidade do material de reter o gás carbônico.
O método é de baixa complexidade. Na prática, o processo consistiu em deixar a resina de molho em uma molécula pequena e barata chamada azetidina, junto com uma pequena quantidade de ácido, e depois aquecer a mistura por dois dias. Essa etapa única é suficiente para converter a matéria-prima comum em um sorvente de desempenho superior, sem exigir a criação de um produto do zero.
Os resultados dos testes foram expressivos. Os pesquisadores verificaram que a resina aprimorada capturou cerca de 75% mais CO₂ do que a versão sem tratamento, em condições secas que simulam o ar livre. Nesse ambiente, o gás carbônico corresponde a apenas cerca de 400 partes por milhão do gás presente ao redor, o que torna a captação um desafio considerável por causa da concentração extremamente diluída.
O estudo teve como autor sênior o professor Christopher W. Jones, titular da cadeira John F. Brock III da Escola de Engenharia Química e Biomolecular da Georgia Tech, e contou com uma lista extensa de coautores na publicação científica. A parceria com a CarbonCapture Inc. aproxima a descoberta do ambiente industrial, já que a empresa atua justamente no desenvolvimento de sistemas de captura de carbono do ar.
Na prática, o avanço mostra um caminho para baratear e acelerar a adoção das tecnologias de remoção de CO₂ da atmosfera. Como a modificação parte de uma resina já fabricada em escala comercial e usa reagentes de baixo custo em um procedimento de apenas uma etapa, a estratégia evita a dependência de materiais exclusivos de laboratório, um dos gargalos apontados pelos próprios pesquisadores para ampliar essas operações em grande escala. A pesquisa completa está disponível na edição de 2026 da Science Advances.