Nuvens baixas podem aumentar a geração de energia em parques eólicos no mar, revelam simulações
Simulações conduzidas por pesquisadores da Universidade de Twente revelaram que a cobertura de nuvens baixas pode beneficiar parques eólicos instalados no mar ao acelerar a recuperação do vento em regiões afetadas pelas chamadas "sombras de vento", fenômeno que ocorre atrás das turbinas. A descoberta indica que um fator até agora ignorado nos cálculos de geração de energia pode ter papel relevante no desempenho desses empreendimentos. O estudo aponta que as estimativas atuais deixam de contabilizar parte da produção potencial dos parques.
Segundo os pesquisadores, qualquer pessoa que calcule quanta eletricidade um parque eólico marítimo entregará olha para o vento, mas não para as nuvens. Essa abordagem tradicional considera apenas as condições de vento no local de instalação, sem levar em conta como a presença de nuvens pode interferir na dinâmica atmosférica ao redor das turbinas. O trabalho da equipe holandesa demonstra que essa simplificação deixa uma parcela do rendimento fora da contabilidade dos projetos.
O conceito de sombra de vento refere-se ao enfraquecimento do fluxo de ar que ocorre atrás de um parque eólico, na área por onde o vento já passou pelas turbinas. Esse fenômeno é especialmente relevante no ambiente marítimo, onde múltiplos parques costumam ser construídos em sequência ao longo da direção predominante dos ventos. Quando o vento demora a se recuperar plenamente, o empreendimento seguinte na linha recebe uma corrente de ar mais fraca, o que reduz seu potencial de geração.
As simulações realizadas pelos pesquisadores mostraram que a presença de nuvens baixas acelera o processo de recuperação do vento atrás de um parque eólico. Com isso, o fluxo de ar retoma condições mais favoráveis em menor tempo, beneficiando o próximo parque alinhado na trajetória do vento. Esse efeito das nuvens sobre a recuperação da corrente de ar é o ponto central da descoberta e explica por que a cobertura de nuvens pode representar um ganho para a geração de energia em escala regional.
Na prática, o resultado do estudo sugere que os métodos de estimativa de produção dos parques eólicos marítimos precisam ser revisados. Se as nuvens baixas influenciam a velocidade com que o vento se recupera entre um parque e outro, ignorar esse elemento significa subestimar o rendimento real de conjuntos de empreendimentos que operam próximos uns dos outros. Para o setor, a constatação abre caminho para cálculos mais precisos e para um planejamento espacial mais eficiente das futuras instalações no mar.