X passa a revelar motivos por trás da perda de alcance de perfis e publicações
A rede social X implementou uma atualização que permite aos usuários verificar quando suas contas ou publicações sofreram restrições de visibilidade por cumprimento de leis locais, situação popularmente conhecida como shadowban, expressão que descreve a limitação silenciosa aplicada a um conteúdo sem aviso ao autor. Com a mudança, o usuário passa a saber se houve restrições legais, quantas publicações foram afetadas e qual país está associado à solicitação que levou o material a ser retido ou a ter a distribuição reduzida.
A novidade funciona como um complemento à ferramenta de transparência chamada Under the Hood, lançada pela plataforma no mês passado. Esse recurso permite baixar um relatório em formato JSON, um tipo de arquivo de dados organizados de forma estruturada, contendo informações sobre as ações de moderação aplicadas à conta. A atualização amplia o alcance da ferramenta ao reunir, no mesmo documento, detalhes sobre as restrições impostas para atender a determinações legais de diferentes países.
No arquivo, é possível conferir três tipos de informação principais: as sinalizações aplicadas ao perfil ou às publicações no mês anterior, a existência ou não de restrições de alcance decorrentes de exigências legais e o país vinculado à solicitação que motivou a retenção ou a limitação do conteúdo. Usuários que cometeram alguma infração ou sofreram restrição em algum país terão o rótulo recebido e a quantidade de publicações afetadas descritos no espaço identificado como postLabels.
Há, porém, uma limitação importante: a ferramenta não indica qual publicação específica foi atingida pelas restrições. Na prática, o usuário descobre que uma medida foi aplicada e em quantos posts ela incidiu, mas pode não conseguir relacionar diretamente a punição a um conteúdo em particular. Essa ausência de detalhamento tem gerado insatisfação entre os próprios usuários da plataforma, que questionam a utilidade do relatório.
As críticas aparecem nas respostas ao comunicado publicado pelo X na própria rede social. Um dos comentários resume o sentimento geral ao afirmar que os relatórios são tão limitados que a pessoa não consegue descobrir por que algo foi rotulado. Sem saber quais publicações foram especificamente punidas, os usuários passaram a questionar os rótulos e a criticar os sistemas automatizados de moderação da plataforma, já que é a inteligência artificial que detecta esses posts e aplica as punições.
Para ter acesso ao arquivo com os dados de alcance e restrições, é preciso cumprir alguns requisitos. A conta precisa ter sido criada há pelo menos um ano, e o usuário deve ter publicado no mínimo dez vezes no mês anterior. O download fica disponível na página oficial da ferramenta, e o arquivo pode ser aberto em um editor de texto convencional, como o Bloco de Notas. Quem tiver dificuldade para compreender o conteúdo do relatório pode carregar o documento em assistentes de inteligência artificial e solicitar uma explicação das marcações aplicadas ao perfil.
A atualização parece chegar como resposta ao avanço das legislações voltadas às redes sociais em diferentes partes do mundo. Elon Musk, dono da plataforma, é publicamente contrário a essas políticas e acusa com frequência as autoridades de agirem contra a liberdade de expressão. Neste ano, a rede social virou alvo na União Europeia após um episódio em que a inteligência artificial da empresa atendeu a pedidos de geração de conteúdo pornográfico, incluindo material envolvendo menores de idade. Após o ocorrido, o bloco passou a investigar se o X estaria seguindo as regras impostas pela Lei de Serviços Digitais.
Vale lembrar que a empresa também endureceu suas regras internas contra perfis que abusam de conteúdo inautêntico e repetitivo. No caso das eleições brasileiras deste ano, o feed passou a adotar um filtro que remove publicações de contas denunciadas à Justiça Eleitoral, a menos que o usuário siga aquela conta.
Com a mudança, o X dá um passo em direção à transparência ao reconhecer e informar sobre as restrições legais que atingem contas e publicações. Ao mesmo tempo, a ausência de identificação dos posts afetados mantém aberto o questionamento dos usuários sobre a eficácia da ferramenta e sobre os critérios aplicados pelos sistemas automatizados de moderação da plataforma.