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IA todos os dias, notas para baixo: dados do Pisa revelam que uso excessivo de chatbots pode custar até um ano e meio de aprendizado

08/09/2026
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Uso diário de inteligência artificial para estudar pode estar associado a um desempenho pior em avaliações, segundo dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O levantamento analisou mais de 760 mil jovens de 15 anos em 91 países e traçou um panorama detalhado sobre como chatbots e outras ferramentas generativas têm sido incorporados à rotina escolar.

Entre os estudantes que utilizam inteligência artificial diariamente ou quase todos os dias para elaborar textos escolares, a pontuação média em ciências foi de 481 pontos. Já entre aqueles que nunca ou quase nunca recorrem à tecnologia para essa finalidade, o resultado chegou a 509 pontos. A diferença de 28 pontos, calculada após ajustes socioeconômicos, corresponde a aproximadamente um ano e meio de ensino, de acordo com o relatório. Padrão semelhante aparece quando os chatbots são usados para pesquisas preliminares sobre novos temas ou para resumir leituras, reforçando a tendência observada na escrita.

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O diretor de Educação e Habilidades da OCDE, Andreas Schleicher, resumiu o alerta com uma analogia direta. Da mesma forma que não ficamos em forma assistindo a esportes, mas praticando esportes, o aprendizado não ocorre através do consumo de conteúdo, mas como uma luta cognitiva produtiva da mente com novo material. Para o responsável, a inteligência artificial deve funcionar como um andaime para o aprendizado e não como uma muleta que substitui o esforço intelectual dos estudantes.

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No Brasil, 48% dos estudantes de 15 anos afirmaram usar chatbots de inteligência artificial pelo menos uma vez por semana para estudar, percentual próximo da média de 46% registrada entre os países da OCDE. O uso aparece em diferentes momentos da rotina escolar. Nas pesquisas preliminares sobre novos assuntos, 40% dos brasileiros recorrem à ferramenta, ante 31% na média da OCDE. Para resumir leituras, 31% utilizam a tecnologia no Brasil, contra 30% na organização. Na elaboração de rascunhos de trabalhos, o índice nacional é de 27%, enquanto a média internacional chega a 29%. Apenas 11% dos estudantes brasileiros disseram nunca ou quase nunca usar chatbots nas atividades analisadas, índice menor do que os 14% registrados na OCDE.

Apesar da alta adoção, os resultados educacionais do Brasil ficaram abaixo da média da OCDE nas três áreas avaliadas pelo Pisa. Em ciências, 48% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência, contra 74% na organização. Apenas 1% chegou aos níveis 5 ou 6, ante 7% na OCDE. Em matemática, 28% alcançaram ao menos o nível 2, enquanto a média da OCDE foi de 65%. Em leitura, o Brasil registrou 49%, contra 69% na organização.

Os dados também mostram que a tecnologia não é necessariamente prejudicial ao aprendizado. Os estudantes que usam inteligência artificial uma ou duas vezes por semana tendem a superar tanto aqueles que utilizam a ferramenta com menos frequência quanto os que recorrem a ela diariamente. A OCDE avalia que o impacto da tecnologia depende essencialmente da maneira como ela é incorporada ao processo de estudo.

O relatório destaca ainda o risco do chamado descarregamento cognitivo, conceito que descreve a transferência de tarefas que exigiriam raciocínio próprio para os sistemas de inteligência artificial. O fenômeno preocupa educadores porque pode comprometer a consolidação de habilidades fundamentais quando o estudante delega à máquina etapas centrais do pensamento.

O avanço da inteligência artificial generativa também intensificou o debate sobre o uso de dispositivos nas salas de aula. Um número crescente de países avalia restringir celulares e ferramentas digitais em ambiente escolar, diante da preocupação de que esses recursos possam reduzir a concentração necessária para a aprendizagem. Ao mesmo tempo, defensores da tecnologia argumentam que a inteligência artificial pode favorecer a personalização do ensino e apoiar professores em tarefas administrativas, desde que aplicada com critérios claros e acompanhamento pedagógico adequado.

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