Dispositivo de captura de carbono no oceano remove dióxido de carbono e se autolimpa de depósitos minerais
Pesquisadores da Universidade de Michigan desenvolveram um novo processo eletroquímico capaz de extrair rapidamente o dióxido de carbono dissolvido na água do oceano e, ao mesmo tempo, eliminar sozinho os acúmulos minerais que se formam durante a operação. O estudo foi conduzido pela escola de engenharia da instituição e publicado na revista científica Environmental Science & Technology. A proposta combina duas funções em um único equipamento: a captura de carbono presente na água do mar e a manutenção autônoma do próprio sistema.
A tecnologia atua sobre o dióxido de carbono que está naturalmente dissolvido na água oceânica. Por meio de reações eletroquímicas, ou seja, reações químicas induzidas por corrente elétrica, o dispositivo consegue separar esse gás do meio líquido de forma acelerada. Um dos obstáculos tradicionais desse tipo de operação é a formação de incrustações minerais, depósitos sólidos que se acumulam nas superfícies internas dos equipamentos e comprometem o desempenho ao longo do tempo. A novidade apresentada pelo grupo resolve justamente essa limitação, já que o sistema é capaz de se autolimpar durante o funcionamento, removendo o acúmulo mineral sem necessidade de interrupção.
Outro diferencial apontado no estudo está relacionado ao consumo de energia. Segundo os pesquisadores, uma das etapas do processo gera energia, enquanto outra etapa consome energia. Essa característica dá ao método um perfil equilibrado do ponto de vista elétrico e abre a possibilidade de o equipamento contribuir para flexibilizar a carga na rede elétrica, ajustando seu funcionamento de acordo com a disponibilidade de energia em determinados momentos.
A combinação entre velocidade na remoção do dióxido de carbono, autolimpeza das incrustações minerais e equilíbrio entre produção e consumo de energia posiciona o desenvolvimento como uma alternativa dentro do campo da captura de carbono em ambientes marinhos. Os resultados estão documentados no estudo publicado pela equipe da Universidade de Michigan, que detalha o funcionamento do processo eletroquímico e seus efeitos sobre a água do oceano.