Sharpi levanta US$ 4 milhões para automatizar vendas B2B dentro do WhatsApp
A Sharpi, startup brasileira especializada em automação de vendas B2B a partir de conversas no WhatsApp, anunciou o fechamento de uma rodada Seed de US$ 4 milhões. A captação foi liderada pelos fundos NXTP e ONEVC, com participação da Clocktower Ventures e da MAYA Capital. Trata-se do segundo aporte da empresa, que no ano passado havia captado US$ 1,2 milhão em uma rodada pré-Seed conduzida pela MAYA Capital ao lado de investidores como André Street, da Stone, Mariano Gomide e Geraldo Thomaz, da VTEX, Guilherme Bonifácio, do iFood, e da gestora Hypersphere, criada pelos fundadores da Hyperplane.
Segundo o fundador e CEO, Kim Rawicz, o novo investimento chega depois de um período de crescimento acelerado na base de clientes. A companhia saltou de cerca de seis clientes ativos para mais de 20 em poucos meses. Para dar conta desse movimento, os recursos serão direcionados principalmente à expansão do time e ao aprofundamento do produto. Até o final do ano, o foco declarado é entrega: o time, ainda enxuto, permaneceu concentrado no produto para quem já estava na base, e uma das metas dos próximos seis meses é ampliar a equipe de engenharia para absorver o volume de trabalho. Contratações nas áreas comercial e de operações também estão previstas.
Parte do capital será aplicada no desenvolvimento de uma nova geração de agentes autônomos de inteligência artificial, capazes de conduzir sozinhos etapas como geração de demanda, processamento de pedidos e reativação de clientes. Hoje, a plataforma já automatiza tarefas do cotidiano do vendedor, mas opera como um copiloto, ou seja, uma ferramenta de apoio que ainda depende de validação humana antes de executar as ações.
A trajetória dos fundadores ajuda a explicar o desenho atual do negócio. A Sharpi foi fundada formalmente em 2023 por Kim Rawicz e Alexandre Philippi, que ocupa o cargo de CTO. Antes de empreender em tecnologia, Kim, de 24 anos, construiu carreiras em áreas bem distintas: formado em Gastronomia, teve uma distribuidora de brownies e administrou uma confeitaria. A migração para o setor tecnológico veio do desejo de gerar impacto maior em menos tempo. As primeiras versões da startup eram voltadas a restaurantes, com soluções de back office construídas em low-code, técnica de desenvolvimento que dispensa programação complexa. O modelo não prosperou porque o setor comprava por WhatsApp, e não por sistemas tradicionais. Após alguns movimentos de reposicionamento, a empresa chegou à tese atual, focada em indústria e distribuidores, e lançou seu primeiro produto de sucesso: um copiloto de vendas para reduzir o trabalho operacional dos vendedores. Foi nesse momento que Kim conheceu o engenheiro Alexandre, que assumiu a área técnica.
O produto da Sharpi é uma plataforma de vendas conversacionais destinada a distribuidores e indústrias que comercializam produtos de giro rápido e ticket baixo. Entre os clientes estão marcas como Mantiqueira Brasil, Bold Snacks, Bidfood, Rio Quality, Disdal, Nilo Tozzo e Cayena. A tecnologia se conecta ao WhatsApp de cada vendedor, interpreta pedidos e cotações recebidos por texto, áudio, imagem ou arquivo e lança as informações automaticamente em sistemas de gestão como SAP, Totvs e Sankhya, conhecidos como ERPs, plataformas que centralizam processos empresariais. Com isso, o processamento de um pedido cai de até oito horas para cerca de 30 minutos.
Além da automação operacional, a plataforma atua de forma proativa: sugere produtos, executa campanhas vindas da indústria, reativa clientes inativos e realiza follow-up automático, tarefas que dependeriam de disciplina extra do vendedor, mas com impacto direto na receita. Existe ainda uma camada de gestão que ajuda as empresas a enxergar vendas fragmentadas entre WhatsApp, e-mail e planilhas, identificar motivos de perda de negócios e apontar pedidos que não puderam ser atendidos por falta de estoque.
A proposta, segundo o CEO, não é substituir o vendedor. Kim defende o empoderamento da força comercial, citando a diferença de desempenho entre profissionais de uma mesma empresa, onde um vende R$ 400 mil por mês e outro, R$ 50 mil. A ambição declarada é usar tecnologia para reduzir essa distância, permitindo que todos vendam mais sem perder a humanização e a personalização que costumam decisivas no B2B. Em números, a Sharpi já processou mais de R$ 2 bilhões em transações e possui receita recorrente anual contratada, medida conhecida como ARR, de US$ 720 mil. A meta é alcançar US$ 8 milhões até o final de 2027.
Para o executivo, o principal diferencial da companhia é estar de fato integrada ao WhatsApp, ao contrário da maioria dos CRMs, sistemas de relacionamento com cliente que exigem atualização manual pelo vendedor. A Sharpi automatiza o trabalho comercial e chega a puxar vendas de forma proativa, algo que as ferramentas tradicionais não fazem. O recorte em distribuidores com times de televendas e vendas recorrentes de baixo ticket também isola a empresa da concorrência, já que não existe hoje, segundo ele, nenhuma ferramenta voltada especificamente a esse perfil de negócio.