Redes elétricas existentes atraem centros de dados para áreas urbanas, revela estudo
Uma pesquisa conduzida pela Faculdade de Engenharia Tandon, da Universidade de Nova York, revelou uma constatação que contraria a percepção comum sobre a localização dos centros de processamento de dados — estruturas projetadas para armazenar, processar e gerenciar grandes volumes de informações digitais. Embora seja natural imaginar esses enormes galpões operando em áreas remotas e isoladas, o estudo demonstra que a realidade é bastante diferente e que a proximidade com os centros urbanos é a regra, não a exceção.
Os pesquisadores analisaram a localização de 4.283 centros de dados para compreender os fatores que determinam onde essas instalações são construídas. O resultado foi contundente: aproximadamente 97,5% de todas as instalações examinadas estão situadas dentro de áreas metropolitanas ou micropolitanas, ou seja, regiões urbanas com diferentes graus de densidade populacional e infraestrutura. Esse percentual demonstra que a vasta maioria dos centros de dados não ocupa zonas rurais afastadas, mas sim compartilha o território com cidades e comunidades.
O fator determinante para essa concentração urbana é a existência de redes elétricas pré-instaladas. Os centros de dados consomem quantidades gigantescas de energia para manter servidores funcionando ininterruptamente e para alimentar sistemas de refrigeração que evitam o superaquecimento dos equipamentos. Por essa razão, a disponibilidade de uma infraestrutura elétrica robusta e já em operação se torna o principal atrativo para a instalação dessas estruturas. Em vez de buscar locais remotos, as empresas preferem se estabelecer onde a energia já está disponível em abundância e com capacidade de atendimento adequada.
A descoberta tem implicações relevantes para o planejamento urbano e para a gestão de recursos energéticos. À medida que a demanda por serviços digitais, computação em nuvem e inteligência artificial cresce continuamente, a expansão dos centros de dados tende a ocorrer exatamente onde as redes elétricas já estão consolidadas. Isso significa que áreas urbanas provavelmente continuarão sendo o destino preferencial dessas instalações, o que pode gerar pressões adicionais sobre a infraestrutura elétrica das cidades e exigir investimentos constantes em modernização e ampliação da capacidade de distribuição.
O estudo conduzido pela Faculdade de Engenharia Tandon contribui para desfazer um mito difundido sobre a localização dos centros de dados e evidencia o papel central das redes elétricas como fator decisivo nessa escolha. Com 97,5% das mais de quatro mil instalações analisadas situadas em áreas urbanas, fica claro que a infraestrutura de energia disponível, e não o isolamento geográfico, orienta efetivamente onde esses equipamentos são implantados. Esse entendimento pode orientar futuras discussões sobre o desenvolvimento sustentável das cidades diante da crescente digitalização da economia.