Galáxia Centaurus A e região estelar Rho Ophiuchi são destaques das imagens astronômicas da semana
O programa Olhar Espacial, em sua tradicional seleção semanal de imagens astronômicas, apresentou duas fotografias que se sobressaíram na última semana. As imagens foram obtidas por meio do portal APOD Brasil, um site dedicado à divulgação de fotografias do universo e mantido por astrônomos e entusiastas da astrofotografia. O portal tem como proposta publicar uma imagem astronômica diferente a cada dia, revelando ao público as belezas e os fenômenos do cosmos.
A primeira das duas imagens registra a Centaurus A, também identificada como NGC 5128, uma galáxia considerada uma das mais fascinantes do hemisfério sul celeste. Situada a aproximadamente 12 milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação do Centauro, essa galáxia chama atenção por uma marcante faixa de poeira escura que atravessa sua estrutura. Essa característica é resultado de uma antiga fusão galáctica, fenômeno em que duas galáxias se unem ao longo de bilhões de anos, alterando profundamente a configuração de ambas.
Centaurus A é classificada como uma galáxia elíptica gigante e abriga em seu núcleo um buraco negro supermassivo, ou seja, um objeto de densidade extrema cuja força gravitacional é tão intensa que nem mesmo a luz consegue escapar dele. Esse buraco negro é responsável por alimentar enormes jatos de energia que se projetam muito além da estrutura visível captada na fotografia. Devido a essa intensa emissão de radiação, Centaurus A é considerada a radiogaláxia mais ativa nas proximidades da Via Láctea — o termo "radiogaláxia" designa galáxias que emitem grandes quantidades de ondas de rádio, geralmente associadas à atividade de buracos negros centrais. A imagem foi capturada por Gabriel Giannini de Cunto.
A segunda fotografia selecionada mostra a região de Rho Ophiuchi, descrita como uma das áreas mais ricas do céu nesta época do ano. Trata-se de uma região de formação estelar, local onde novas estrelas nascem a partir do colapso de nuvens de gás e poeira. Rho Ophiuchi está situada a cerca de 450 anos-luz de distância, posicionada entre as constelações do Serpentário e do Escorpião. A imagem foi registrada por Lino Benz.
Rho Ophiuchi é também o nome de um sistema estelar triplo, formado por três estrelas que orbitam um centro comum de gravidade. Na fotografia, esse sistema aparece acima e à esquerda, destacando-se como três supergigantes azuis — estrelas de massa elevada e brilho intenso — que se formaram no interior de filamentos de nuvens moleculares escuras. Essas nuvens, compostas principalmente de gás e poeira interestelar, estendem-se desde o centro da galáxia e cortam toda a região captada na imagem.
Na porção direita da fotografia, é possível observar o aglomerado globular Messier 4, uma concentração esférica de milhões de estrelas ligadas pela gravidade, situado a 7.200 anos-luz de distância. A imagem também registra a presença de Antares, uma supergigante vermelha — estrela de grande tamanho e cor avermelhada, próxima do fim de seu ciclo de vida — que fica a cerca de 605 anos-luz da Terra. Antares é popularmente conhecida como o "Coração do Escorpião" devido à sua posição proeminente na constelação correspondente.
As imagens selecionadas fazem parte do acervo do APOD Brasil, portal que reúne trabalhos de astrônomos e fotógrafos amadores dedicados a registrar o céu. O site tem como missão publicar diariamente uma fotografia astronômica inédita, contribuindo para a popularização da ciência e da observação do universo. Pessoas interessadas em colaborar com o portal e também com a seleção de imagens semanais do programa Olhar Espacial podem enviar suas contribuições por meio de um formulário disponibilizado pelo próprio veículo.
As duas imagens destacadas nesta semana oferecem um panorama contrastante e complementar do cosmos. Enquanto Centaurus A revela a violência de processos galácticos em grande escala, com seu buraco negro ativo e jatos de energia que ultrapassam os limites visíveis da galáxia, Rho Ophiuchi apresenta um cenário mais próximo e igualmente impressionante, onde estrelas ainda em formação dividem espaço com objetos antigos e massivos. Juntas, as fotografias ilustram a diversidade de fenômenos que marcam o universo observável e reforçam o papel da astrofotografia como ferramenta de divulgação científica.