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Brasileiros aceitam IA no setor financeiro, mas exigem controle de dados

22/07/2026
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Pesquisa realizada pelo Mercado Pago com 2,3 mil brasileiros revelou que a maioria dos entrevistados está disposta a receber recomendações financeiras personalizadas geradas por inteligência artificial, desde que mantenha controle sobre suas informações pessoais. O estudo, conduzido em junho de 2026, indica que a transparência no uso de dados é o fator determinante para que os consumidores passem a confiar em soluções baseadas em IA no segmento financeiro.

Mercado Pago é a plataforma de serviços financeiros digitais do grupo Mercado Livre, uma das maiores empresas de comércio eletrônico da América Latina. A companhia tem investido de forma crescente em ferramentas de inteligência artificial para personalizar ofertas de crédito, investimentos e outros produtos financeiros para seus usuários.

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Os resultados da pesquisa apontam uma mudança relevante no comportamento do consumidor brasileiro diante da inteligência artificial. A tecnologia, que até pouco tempo era vista com desconfiança especialmente em áreas sensíveis como finanças pessoais, passa a ser aceita quando acompanhada de mecanismos claros de governança de dados. Os entrevistados demonstraram que a condição essencial para adotar recomendações automatizadas é saber exatamente quais informações estão sendo utilizadas e ter a possibilidade de revogar esse uso a qualquer momento.

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O controle sobre os dados pessoais aparece como um requisito não negociável para a maior parte dos respondentes. Os brasileiros querem decidir quais informações podem ser compartilhadas com sistemas de IA e quais ficam restritas ao seu acesso privado. Esse posicionamento reflete uma preocupação crescente com a privacidade digital, tema que ganhou relevância no país após a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD, em 2020.

A LGPD estabelece regras para coleta, tratamento e armazenamento de dados pessoais por empresas e instituições, garantindo ao titular dos dados direitos como acesso, correção e exclusão de suas informações. A legislação criou um arcabouço regulatório que interfere diretamente na forma como plataformas financeiras podem utilizar a tecnologia para analisar o perfil dos clientes.

A pesquisa do Mercado Pago mostra ainda que a confiança na inteligência artificial não é uniformlye entre os consumidores. Há uma correlação direta entre o nível de transparência oferecido pela instituição financeira e a disposição do usuário em aceitar recomendações geradas por algoritmos. Quando a empresa explica de forma compreensível como os dados são processados e para quais finalidades são empregados, a taxa de aceitação aumenta de forma considerável.

Essa dinâmica é particularmente importante para o setor financeiro, onde a personalização de serviços por meio de IA pode envolver análises de padrões de consumo, histórico de transações, perfil de crédito e hábitos de investimento. Recomendações personalizadas podem incluir sugestões de produtos financeiros, alertas de gastos, orientações de economia e propostas de investimento adaptadas ao perfil do usuário.

O estudo também sugere que os brasileiros não rejeitam a inteligência artificial em si, mas sim a possibilidade de perder o domínio sobre suas informações. Quando perguntados sobre o uso de IA para fins específicos, como análise de crédito ou sugestão de investimentos, a receptividade é maior do que quando a questão é apresentada de forma genérica, sem detalhamento sobre as aplicações práticas da tecnologia.

Para as instituições financeiras que operam no Brasil, os dados da pesquisa indicam um caminho relativamente claro. A adoção de IA como ferramenta de personalização de serviços exige investimento simultâneo em comunicação transparente e em mecanismos efetivos de consentimento e controle por parte do usuário. Empresas que conseguirem equilibrar o uso inteligente de dados com o respeito à privacidade tendem a conquistar maior adesão dos consumidores.

O cenário descrito pela pesquisa reflete uma tendência mais ampla observada no mercado de tecnologia financeira mundial. Plataformas digitais de serviços financeiros, conhecidas como fintechs, têm adotado a inteligência artificial como diferencial competitivo, mas enfrentam o desafio de construir confiança junto a usuários cada vez mais conscientes sobre seus direitos digitais.

A pesquisa do Mercado Pago reforça que o brasileiro está disposto a adotar novas tecnologias no manejo de suas finanças, desde que haja clareza sobre o tratamento dado aos dados pessoais. A transparência deixa de ser um diferencial de mercado e passa a ser condição fundamental para a aceitação de soluções de IA no ambiente financeiro.

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