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Uso de IA na indústria brasileira cresce 163% em dois anos, mostra IBGE

20/07/2026
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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o uso de Inteligência Artificial por empresas industriais brasileiras cresceu 163,2% entre 2022 e 2024. Os dados fazem parte da Pesquisa de Inovação Semestral (PINTEC Semestral) 2024, divulgada nesta quarta-feira, 24 de setembro, e apontam uma acelerada transformação digital no setor produtivo nacional.

O levantamento, conduzido em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ouviu aproximadamente 10,1 mil empresas industriais. Desse total, 9.054 afirmaram utilizar ao menos uma tecnologia digital avançada em suas operações.

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A proporção de empresas que adotaram Inteligência Artificial passou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024, um salto de 25 pontos percentuais. Em números absolutos, o contingente de companhias que incorporaram a tecnologia saltou de 1.619 para 4.261 no período. Essa expansão representa uma taxa de crescimento de 147,9% na proporção de empresas usuárias de IA.

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A pesquisa indica que 89% das empresas industriais brasileiras utilizaram alguma tecnologia digital avançada em 2024, ante 84,9% em 2022. O conceito abrange ferramentas como Análise de Big Data, Computação em Nuvem, Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Manufatura Aditiva — conhecida como impressão 3D — e Robótica.

A Computação em Nuvem mantém a liderança entre as tecnologias mais adotadas, presente em 77,2% das empresas. Em seguida aparecem Internet das Coisas (50,3%), Robótica (30,5%), Análise de Big Data (27,8%) e Manufatura Aditiva (20,3%). A Inteligência Artificial, com 41,9%, ocupa a segunda posição no ranking de adoção.

As áreas que mais aplicaram IA nas empresas foram administração (87,9%), comercialização (75,2%) e desenvolvimento de projetos de produtos, processos e serviços (73,1%). Organizações com mais de 500 trabalhadores concentram os maiores índices de utilização dessas tecnologias.

Segundo Flávio Peixoto, gerente de pesquisas sistemáticas do IBGE, o avanço está principalmente ligado ao desenvolvimento das Inteligências Artificiais generativas — sistemas capazes de criar novos conteúdos, como textos e imagens, a partir de comandos dos usuários. O ChatGPT, assistente de IA da empresa OpenAI, chegou ao Brasil em novembro de 2022, e a pesquisa referente àquele ano foi realizada entre abril e junho de 2023, em um momento inicial de disseminação da tecnologia no ambiente corporativo.

Já os dados coletados entre abril e junho de 2025, referentes ao ano de 2024, refletem um cenário em que as empresas tiveram dois anos para explorar e amadurecer o uso dessas ferramentas. A pesquisa não especifica quais soluções de IA foram mais utilizadas, mas Peixoto ressalta que o ecossistema vai muito além de assistentes conversacionais.

Entre as aplicações citadas pelo pesquisador estão mineração de dados, reconhecimento de fala e imagem, geração de linguagem natural, aprendizado de máquina, automação de processos e fluxos de trabalho e, particularmente no ambiente industrial, manutenção preditiva. Essa última permite antecipar falhas em processos produtivos, usando IA para tomada de decisões autônomas e controle de máquinas.

A pesquisa traz ainda um recorte setorial. Os maiores índices de adoção de IA foram registrados na fabricação de equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos (72,3%), máquinas e materiais elétricos (59,3%) e produtos químicos (58,0%). Na outra ponta, aparecem as indústrias de fumo (22,9%), couro (20,7%) e serviços de manutenção, reparação e instalação de máquinas (19,2%).

Os benefícios percebidos pelas empresas que adotaram tecnologias digitais avançadas são expressivos. O aumento da eficiência lidera o ranking, citado por 90,3% das companhias. Em seguida aparecem maior flexibilidade em processos (89,5%), melhoria no relacionamento com clientes e fornecedores (85,6%), maior eficácia no atendimento ao mercado (82,9%) e ganho de capacidade para desenvolver produtos ou serviços novos (74,7%).

Apesar dos avanços, a incorporação dessas ferramentas ainda esbarra em obstáculos relevantes. Entre as empresas que já utilizam tecnologias digitais, os principais desafios são os altos custos das soluções (78,6%), a falta de pessoal qualificado internamente (54,2%), riscos de segurança e privacidade (47,2%), oferta limitada de profissionais no mercado (46,8%) e dificuldade de integração entre áreas (45,1%).

Já entre as companhias que ainda não adotaram nenhuma dessas tecnologias, os entraves são semelhantes. Os custos elevados aparecem em primeiro lugar (74,3%), seguidos pela falta de pessoal qualificado (60%), pela ausência de necessidade identificada (54%), pela escassez de recursos financeiros (50,8%) e pela limitada oferta de programas de apoio e incentivo (48,5%).

A pesquisa revelou ainda que a modalidade de teletrabalho recuou no período. Em 2024, 43% das empresas industriais brasileiras adotavam o trabalho remoto, contra 47,8% em 2022. Apesar da queda, o teletrabalho segue concentrado em áreas estratégicas, como administração (94,6%), comercialização (85%) e desenvolvimento de projetos (66,4%). Empresas de maior porte mantêm as maiores taxas de adesão ao modelo, embora a redução tenha ocorrido em todas as faixas de tamanho.

Os dados do IBGE demonstram que a digitalização do parque industrial brasileiro está em curso, mas ainda não é uniforme. A transformação exige investimentos sustentados em capacitação profissional, infraestrutura tecnológica e políticas de incentivo para que o conjunto do setor industrial possa aproveitar integralmente o potencial dessas tecnologias.

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