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Silveira defende gás para data centers e prevê decisão sobre Angra 3

03/09/2026
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O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu nesta quarta-feira (2) o uso do gás natural para abastecer a expansão dos data centers no Brasil e afirmou que o país precisa investir em inteligência artificial para não ficar para trás na corrida tecnológica mundial. O ministro também previu que a decisão sobre a usina nuclear Angra 3 deverá ser tomada em 2026.

Os data centers, instalações que reúnem servidores e equipamentos de processamento de dados, tornaram-se infraestrutura essencial da economia digital. O avanço da inteligência artificial ampliou de forma expressiva o consumo de energia desses centros em escala global, o que colocou a eletricidade no centro das discussões sobre o futuro do setor de tecnologia.

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Silveira apresentou os Estados Unidos como referência do movimento. Segundo o ministro, o país norte-americano constrói atualmente 6,5 gigawatts de usinas térmicas movidas a gás natural dedicadas ao atendimento de data centers. "Eu sou um defensor do gás natural", afirmou, ao sustentar que o Brasil reúne ambiente de produção e geração de energia para disputar essa demanda.

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Entre os diferenciais brasileiros, o ministro citou o arcabouço regulatório e legal, com destaque para a aprovação do Redata, sigla do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter. Para Silveira, o regime tributário específico é instrumento para atrair grandes data centers ao país. "O que é fundamental para sermos protagonistas, inclusive na IA", completou.

Silveira rebateu críticas ao papel do gás natural na transição energética brasileira. Ele lembrou que o país possui grandes reservas de gás não convencional, extraído por meio de fracking, técnica usada para retirar o gás de xisto de rochas sedimentares. Essas riquezas, segundo o ministro, estão concentradas sobretudo na bacia do Paraná e na bacia do São Francisco, em Minas Gerais.

Na avaliação do ministro, não faz sentido tratar o gás como fonte problemática para a transição energética quando o Brasil mantém forte dependência externa. Ele destacou que o país é atualmente o maior importador de gás de fracking dos Estados Unidos, o que reforçaria a necessidade de desenvolver a produção nacional.

O hidrogênio verde também apareceu entre as prioridades enumeradas. Segundo Silveira, a fonte não poderia ter ficado de fora da Lei do Combustível do Futuro, já aprovada, e agora precisa ser regulamentada. "Já existem centenas de projetos, que representam bilhões de reais em investimentos em hidrogênio verde no Brasil", afirmou.

Os projetos citados pelo ministro estão concentrados principalmente no Nordeste, região que, nas palavras dele, precisa se desenvolver e promover mais inclusão. A expectativa é que a nova fonte de energia contribua para levar investimentos a essa parcela do território nacional.

No campo nuclear, Silveira afirmou que o governo quer avançar na conclusão de Angra 3 e modernizar a Eletronuclear, estatal responsável pela operação das usinas nucleares brasileiras. "Nós queremos avançar em Angra 3, queremos modernizar a empresa Eletronuclear. Estamos trabalhando para isso", frisou.

Angra 3 é a terceira usina nuclear do país, localizada em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. As obras da unidade acumulam décadas de interrupções desde o início da construção, na década de 1980, e a decisão prevista para 2026 deve definir os rumos do empreendimento. A Eletronuclear opera hoje as usinas Angra 1 e Angra 2.

O ministro demonstrou otimismo em relação aos próximos passos da política energética. "Acredito que vamos entregar grandes políticas no setor energético brasileiro, além das dezenas que nós entregamos nesses três anos inteiros", declarou.

As declarações desenham uma estratégia de diversificação da matriz elétrica para sustentar a expansão digital do país: gás natural para atender à demanda imediata dos data centers, hidrogênio verde como aposta de médio e longo prazo e energia nuclear como fonte firme de geração.

A definição sobre Angra 3 prevista para 2026 tende a se tornar um dos marcos dessa agenda. Enquanto a decisão não sai, o debate sobre como alimentar os data centers que sustentam a inteligência artificial segue aberto, com o gás natural ganhando espaço nas prioridades do Ministério de Minas e Energia.

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