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Mistério Genético: DNA de Diversas Espécies e Regiões do Mundo é Revelado no Sudário de Turim

15/07/2026
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Sudário de Turim: estudo genético revela ampla diversidade biológica preservada no tecido

Um novo estudo publicado na revista Scientific Reports revelou que o Sudário de Turim preserva uma quantidade surpreendente de material genético, incluindo DNA de dezenas de espécies de plantas e animais, além de vestígios pertencentes a pelo menos 14 pessoas de diferentes origens. A análise foi conduzida a partir de amostras orgânicas coletadas da superfície do tecido em 1978, que foram reexaminadas com técnicas modernas de análise genética. Segundo os pesquisadores, a quantidade de DNA recuperada foi maior do que a esperada até mesmo em uma toalha de uso cotidiano bastante utilizada.

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O Sudário de Turim é venerado há séculos como o suposto pano funerário que teria envolvido o corpo de Jesus Cristo após a crucificação. Sua origem exata, no entanto, permanece desconhecida, e sua autenticidade continua sendo objeto de debate entre crentes e céticos. O registro mais antigo de sua existência data de 1354, quando o objeto apareceu pela primeira vez na localidade de Lirey, na França. O estudo atual não pretende resolver essas questões, mas oferece novas informações sobre a trajetória biológica do tecido ao longo dos séculos.

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A análise do DNA humano encontrado no Sudário trouxe resultados considerados surpreendentes pelos pesquisadores. Entre os perfis genéticos identificados, um deles pertence quase certamente ao cientista responsável pela coleta das amostras na década de 1970, descrito como uma pessoa de ascendência europeia e judaica. Os pesquisadores também identificaram um raro sinal genético associado à população druza, grupo de língua árabe localizado no Oriente Médio. Esses vestígios sugerem que o tecido esteve em contato com pessoas de diferentes regiões do mundo.

Outro achado que chamou a atenção dos autores foi a constatação de que aproximadamente 40% do DNA humano presente no Sudário possui origem na Índia. A explicação mais plausível apontada pelos pesquisadores é que o linho utilizado na fabricação do tecido tenha sido importado do Vale do Indo. Essa descoberta amplia as hipóteses sobre a procedência da matéria-prima do pano e sugere rotas de comércio que poderiam ter conectado diferentes regiões do planeta ao longo da história do objeto.

Além do material genético humano, a pesquisa identificou uma grande diversidade de DNA de plantas e animais. Entre os cultivos encontrados estão tomates, pepinos, melões, batatas, pistaches, bananas, pimentões, milho e cenouras. A família Fabaceae, grupo de plantas que inclui leguminosas, também foi representada por uma forte presença de amendoins. Os vestígios de animais incluem cães, gatos, galinhas, porcos, gado, cavalos e coelhos, indicando o amplo contato do tecido com diferentes ambientes e formas de vida ao longo do tempo.

A investigação também revelou contaminantes marinhos considerados incomuns para esse tipo de artefato. Foram identificados vestígios de bacalhau do Atlântico e tainha, além de um tipo de coral vermelho do Mediterrâneo. Esse coral era utilizado durante o período romano na fabricação de joias e outros objetos simbólicos, o que acrescenta uma camada de complexidade à história biológica do Sudário. Os pesquisadores afirmam que ainda não é possível determinar como, quando ou onde cada uma dessas espécies entrou em contato com o tecido.

Apesar dessa limitação, algumas descobertas ajudam a estabelecer uma linha do tempo parcial para as contaminações. As cenouras identificadas pertencem a variedades europeias cultivadas pela primeira vez entre os séculos XV e XVI. Além disso, muitas das espécies encontradas têm origem na América Latina, e a presença desse material genético provavelmente ocorreu somente após as viagens históricas que culminaram na chegada dos europeus às Américas em 1492. Esses indícios ajudam a situar parte dos contatos do tecido dentro de um período histórico mais recente.

A professora Noemi Procopio, uma das autoras do estudo, afirmou que o Sudário representa um rico arquivo de informações genéticas acumuladas ao longo de séculos de interação humana e exposição ambiental. Segundo ela, embora a evidência de DNA não possa responder a todas as perguntas sobre a idade ou a autenticidade do pano, os resultados fornecem novas percepções sobre sua história biológica e demonstram como os avanços na ciência forense podem revelar informações inéditas a partir de artefatos históricos. O estudo não encerra as controvérsias, mas amplia de forma significativa o conhecimento sobre a trajetória da relíquia.

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