O Google colocou em operação na cidade de São Paulo o projeto Green Light, uma iniciativa que utiliza inteligência artificial para sincronizar semáforos de forma mais eficiente, com o objetivo de reduzir congestionamentos e diminuir a emissão de poluentes. A implantação conta com a parceria da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e da Prodam, empresa municipal responsável pela tecnologia da informação da capital paulista.
O Green Light foi lançado pelo Google em 2023 e analisa grandes volumes de dados de tráfego urbano para identificar padrões de circulação de veículos. A plataforma processa informações agregadas e anônimas provenientes do Google Maps e de outras fontes, sem monitorar pessoas individualmente. A partir dessa análise, o sistema gera recomendações que ajudam engenheiros de tráfego a otimizar a programação dos semáforos.
A iniciativa chega a São Paulo como parte de uma expansão do programa, que já está presente em aproximadamente 20 cidades distribuídas por países como Estados Unidos, Alemanha, Índia e Israel. No Brasil, a primeira implantação ocorreu no Rio de Janeiro, em um projeto piloto iniciado também em 2023. Após os resultados obtidos na capital fluminense, a tecnologia foi levada para São Paulo, Campinas e São Caetano do Sul.
A abordagem do Green Light se diferencia por não exigir mudanças na infraestrutura existente. O sistema aproveita os equipamentos de semáforos já instalados nas cidades e, em poucos minutos, consegue processar os dados e gerar sugestões de ajustes na temporização dos sinais. Isso dispensa investimentos em sensores adicionais ou novos dispositivos de hardware.
Uma característica central do projeto é que a inteligência artificial não controla os semáforos de forma automática. Em vez disso, o sistema funciona como uma ferramenta de apoio à tomada de decisão. Os engenheiros da CET recebem as recomendações e mantêm controle total sobre o que é implementado, podendo aceitar, adaptar ou rejeitar qualquer sugestão apresentada pela plataforma. Essa arquitetura garante que fatores locais e situações específicas do trânsito sejam considerados na operação.
A lógica por trás do projeto parte de um diagnóstico simples: grande parte do consumo de combustível e da emissão de gases poluentes pelos veículos automotores ocorre durante as constantes acelerações após paradas em cruzamentos. Quando um automóvel precisa frear e arrancar repetidamente, o motor opera em uma faixa de maior consumo, o que eleva a queima de combustível e a liberação de dióxido de carbono e outros gases.
Ao sincronizar os semáforos para reduzir o número de paradas, o Green Light ataca diretamente esse problema. Segundo dados divulgados pelo Google, as cidades que participaram dos primeiros testes registraram potencial para reduzir em até 30% o número de paradas nos cruzamentos. Como consequência direta, as emissões de gases de efeito estufa podem diminuir cerca de 10%, além de proporcionar deslocamentos mais rápidos.
Cada município contemplado pelo programa recebe recomendações personalizadas, pois a inteligência artificial considera características próprias do tráfego local, como volume de veículos, horários de pico, quantidade de cruzamentos e comportamento da circulação em cada região. Essa adaptação permite que as mudanças sejam aplicadas de forma gradual e alinhada às necessidades específicas de cada cidade.
A plataforma também oferece um painel de acompanhamento que permite às equipes técnicas monitorar os impactos das alterações realizadas. O sistema apresenta indicadores de desempenho, tendências de tráfego e relatórios que ajudam os gestores públicos a avaliar quais mudanças produziram melhores resultados ao longo do tempo.
Além dos benefícios ambientais, um trânsito mais fluido traz ganhos adicionais. A redução de paradas contribui para diminuir o desgaste dos veículos, baixar o consumo de combustível e melhorar a eficiência do transporte coletivo, que compartilha as mesmas vias utilizadas pelos carros. Especialistas apontam que, embora a eletrificação da frota seja considerada a principal estratégia para reduzir emissões no setor de transportes, melhorar o fluxo do trânsito também pode gerar impactos significativos na qualidade do ar urbano.
O uso do Green Light demonstra como a inteligência artificial pode ser aplicada na resolução de problemas cotidianos das grandes cidades sem demandar grandes obras viárias. A proposta reforça a ideia de que otimizar o uso dos dados disponíveis pode ser tão relevante quanto investir em novas infraestruturas físicas.
O projeto se insere em um movimento mais amplo de adoção de tecnologias baseadas em inteligência artificial na gestão urbana. Ferramentas semelhantes já começam a ser empregadas em áreas como iluminação pública, transporte coletivo, consumo de energia, gestão de resíduos e monitoramento ambiental, compondo o que especialistas denominam cidades inteligentes.
Caso os resultados observados nas cidades participantes continuem positivos, iniciativas como o Green Light podem contribuir de forma significativa para reduzir congestionamentos, melhorar a qualidade do ar e tornar a mobilidade urbana mais eficiente. A experiência em São Paulo, uma das maiores metrópoles do mundo, deverá servir como um importante parâmetro para a adoção da tecnologia em outros centros urbanos brasileiros.