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Telescópio James Webb Descobre Nuvens de Sal no "Planeta Rosa" GJ 504b

23/06/2026
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GJ 504b: o famoso "planeta rosa" revela nuvens de sal em sua atmosfera, confirma telescópio James Webb

Astrônomos da Universidade Northwestern identificaram nuvens compostas por sais minerais na atmosfera do GJ 504b, objeto celebremente conhecido como "planeta rosa" devido à sua coloração magenta. A descoberta, publicada na revista The Astronomical Journal, foi possível graças às observações realizadas pelo telescópio espacial James Webb e representa a primeira evidência convincente desse tipo de formação de nuvens em um ambiente tão frio. O achado ajuda a resolver questões atmosféricas que intrigavam a comunidade científica há mais de uma década.

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O GJ 504b foi descoberto em 2013 por meio de observações diretas e se tornou um dos objetos planetários mais frios já fotografados. Ele orbita uma estrela semelhante ao Sol e está localizado a aproximadamente 57 anos-luz da Terra. Sua temperatura atmosférica gira em torno de 230 graus Celsius, um valor que pode parecer elevado quando comparado ao nosso planeta, mas é considerado relativamente baixo para um corpo classificado como gigante gasoso. Foi justamente essa tonalidade rosada e as temperaturas reduzidas que despertaram o interesse dos pesquisadores desde o primeiro momento.

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Apesar do apelido popular, os cientistas ainda não têm certeza sobre a verdadeira natureza do GJ 504b. Com cerca de 25 vezes a massa de Júpiter, o objeto se encontra exatamente na fronteira entre os gigantes gasosos e as anãs marrons, que são corpos celestes maiores que planetas, porém insuficientes para sustentar reações de fusão nuclear como as estrelas. Por essa razão, os pesquisadores preferem classificá-lo como um "companheiro de massa planetária", uma categoria usada para descrever objetos com dimensões planetárias que orbitam uma estrela, mas cuja origem e classificação exata permanecem incertas.

A baixa luminosidade do GJ 504b dificultou durante anos a análise detalhada de sua atmosfera por meio de instrumentos terrestres. Diversas equipes ao redor do mundo tentaram estudar a luz emitida pelo objeto, mas ele era fraco demais para os telescópios em solo. O líder do estudo, Aneesh Baburaj, destacou que essa limitação tornou o corpo um alvo ideal para o James Webb, que opera no espaço livre da interferência atmosférica terrestre. Os dados coletados pelo telescópio revelaram uma atmosfera composta por vapor de água, metano, dióxido de carbono e amônia.

Ao comparar as observações do telescópio espacial com simulações computacionais, os pesquisadores perceberam que faltava um componente fundamental para explicar o comportamento da luz do objeto: nuvens formadas por sais minerais. A existência desse tipo de nuvem em atmosferas frias havia sido prevista teoricamente há mais de 15 anos, mas nunca havia sido observada de maneira tão contundente. A equipe testou três tipos diferentes de nuvens em seus modelos, e as compostas por sal foram as que melhor se ajustaram aos dados reais obtidos pelo telescópio.

Baburaj ressaltou que essa é a primeira vez em que as nuvens de sal se mostram essenciais para explicar o espectro luminoso de um objeto celeste, ou seja, a distribuição da luz emitida que permite identificar os componentes atmosféricos. Para o pesquisador, o resultado serve como um lembrete importante de que as nuvens precisam ser levadas em consideração nos modelos atmosféricos utilizados pelos cientistas em suas análises. Mesmo com esse avanço significativo, a questão sobre como o GJ 504b se formou permanece em aberto.

As observações indicam que o objeto possui uma concentração de elementos pesados maior do que o esperado, mas os cientistas ainda não reúnem evidências suficientes para determinar se ele se originou como um planeta gigante ou como uma anã marrom. A descoberta das nuvens de sal representa, no entanto, um passo importante para a compreensão de atmosferas frias em objetos distantes e abre novos caminhos para a investigação de corpos celestes que habitam essa zona de transição entre planetas e estrelas fracas. O GJ 504b continua, portanto, sendo uma fonte de descobertas que vão muito além de sua icônica coloração rosa-choque.

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