Trump ironiza chefões das grandes empresas de tecnologia em conversas privadas, revela livro de jornalistas do The New York Times
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria ridicularizado, em conversas privadas, as tentativas de aproximação de líderes das grandes empresas de tecnologia após sua vitória na eleição presidencial de 2024. A revelação consta no livro "Regime Change: Inside the Imperial Presidency of Donald Trump", escrito pelos jornalistas Jonathan Swan e Maggie Haberman, do The New York Times, cujos trechos começaram a circular na imprensa. Segundo a obra, Trump zombava do comportamento de figuras como Mark Zuckerberg, da Meta, e Jeff Bezos, da Amazon, que buscavam conquistar sua simpatia após o resultado eleitoral. A frase que teria sintetizado o sentimento do presidente foi direta: "Ficam me bajulando."
De acordo com os trechos divulgados, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, teria adotado uma estratégia peculiar para se aproximar de Trump. Em conversas, o bilionário teria criticado os funcionários do jornal The Washington Post, qualificando-os como "terríveis", e sugerido que a compra do periódico foi um dos piores investimentos que já fez. A atitude de Bezos seria interpretada como uma tentativa de demonstrar alinhamento político com o presidente, distanciando-se da linha editorial historicamente crítica do jornal que controla. O episódio ilustra o esforço de magnatas do setor tecnológico para construir pontes com o novo governo.
Já o fundador e presidente da Meta, Mark Zuckerberg, adotou uma abordagem diferente, porém igualmente vista por Trump como bajulatória. O executivo teria enviado uma mensagem de texto ao presidente com uma carta escrita por um de seus filhos, na qual a criança expressava expectativa pelo que chamou de a "era de ouro da América". O gesto, que aparentemente buscava uma conexão pessoal e afetuosa, foi recebido por Trump com ironia. O presidente compartilhou o episódio em conversas com pessoas próximas, reforçando sua percepção de que os chefões do Vale do Silício estavam desesperados por sua aprovação.
Em um dos relatos mais reveladores do livro, Trump teria comentado o assunto diretamente com Elon Musk, o magnata mais rico do setor de tecnologia e também o maior financiador individual de sua campanha em 2024. O presidente disse a Musk algo como "pense em onde esses caras estavam em 2016", em uma referência aparente à postura que os mesmos líderes tecnológicos tinham em relação a ele durante seu primeiro mandato. A frase sugere que Trump via a mudança de atitude como hipócrita, já que muitos dos executivos que agora o cortejavam haviam mantido distância ou mesmo oposição ao longo dos anos anteriores.
A publicação do livro traz à tona a dinâmica complexa entre o presidente americano e os bilionários da tecnologia, um relacionamento marcado por interesses mútuos, mas também por desconfiança. Apesar de figuras como Zuckerberg e Bezos terem participado de eventos ligados ao governo e demonstrado disposição para cooperar, os relatos de Trump indicam que ele via essas investidas com ceticismo e até certo desdém. A obra dos jornalistas do The New York Times promete detalhar ainda mais essas interações nos bastidores do poder.
As revelações chegam em um momento de intensa articulação entre o setor de tecnologia e o governo federal americano, com empresas buscando influenciar políticas de regulação, tributação e infraestrutura digital. O livro, cujo lançamento está programado para breve, deve gerar repercussões tanto no ambiente político quanto no mundo corporativo, especialmente entre os executivos citados. Para Trump, a narrativa parece confirmar uma visão que ele próprio alimentou ao longo dos anos: a de que ocupa uma posição de poder capaz de atrair — e também de desconstruir — até mesmo os bilionários mais influentes do planeta.