Google, Sebrae, Itaú Unibanco e Tera anunciaram o lançamento do Negócio em dIA, um programa nacional e gratuito de capacitação em inteligência artificial voltado a pequenos e médios empreendedores brasileiros. A iniciativa foi criada para aproximar a tecnologia da rotina de quem empreende, oferecendo aplicações práticas para vender melhor, fortalecer a presença digital, organizar a operação e tomar decisões com mais segurança.
O programa nasce em um contexto em que o empreendedor brasileiro já convive com a inteligência artificial, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar a tecnologia em ganho concreto para o negócio. Dados inéditos do Sebrae mostram que, embora a familiaridade com ferramentas de IA generativa seja alta entre os pequenos negócios, o uso efetivo ainda é significativamente menor.
Uma sondagem realizada pelo Sebrae em parceria com a FGV, chamada Perspectivas Digitais nos Negócios, ouviu 4.967 empresas em março de 2026 e revelou que marketing e vendas é a principal prioridade para investimento em tecnologia digital entre os pequenos negócios, citada por 37,8% dos respondentes. O aumento das vendas também aparece como o resultado mais esperado de uma ferramenta digital integrada, mencionado por 54,2% desse público.
Outro levantamento do Sebrae com o FGV IBRE, com colaboração do Google, aponta que 96% das micro e pequenas empresas e 87% dos microempreendedores individuais afirmam estar familiarizados com ferramentas de inteligência artificial generativa, como o Gemini, assistente de IA do Google. O uso efetivo no negócio, porém, é consideravelmente menor: 46% entre as micro e pequenas empresas e 42% entre os MEIs. Entre os microempreendedores individuais, a principal dificuldade apontada é não saber como aplicar a IA no próprio negócio.
A pesquisa qualitativa conduzida pela Meta, Pesquisa de Opinião contratada pelo Sebrae, ouviu empreendedores de restaurantes, agências de viagem, serviços de beleza e minimercados em grupos de discussão realizados em diferentes regiões do país. Os resultados mostram que tarefas como responder clientes no WhatsApp, controlar estoque, acompanhar pedidos, organizar agenda, cuidar do financeiro e produzir divulgação para redes sociais ainda consomem parte relevante do tempo dos empreendedores. Nesse cenário, a automação é vista como uma forma de reduzir o peso das atividades repetitivas, diminuir interrupções ao longo do dia e liberar tempo para atividades como vender, planejar e manter um atendimento próximo ao cliente.
Para enfrentar essas dificuldades, a jornada educacional do Negócio em dIA foi dividida em quatro frentes ligadas a desafios centrais dos pequenos negócios. O Google participa com conteúdos de presença digital, marketing e uso de ferramentas como o Gemini e o Perfil da Empresa no Google, recurso que permite que negócios gerenciem como aparecem nas buscas e no Maps. O Sebrae contribui com o conteúdo do curso de gestão e liderança, além de sua capilaridade nacional e dos diagnósticos que embasam a iniciativa. O Itaú Unibanco participa da frente de finanças, e a Tera, edtech brasileira voltada à formação de profissionais que constroem produtos e soluções com IA, lidera a concepção educacional e a operação da jornada.
Newton Neto, diretor-geral de parcerias globais para América Latina e Canadá do Google, destacou que as ferramentas de inteligência artificial generativa e de presença digital do Google atuam como motores de descoberta e eficiência para os pequenos e médios negócios. Segundo ele, a abordagem prática do programa busca oferecer ao microempreendedor as competências técnicas para extrair o potencial máximo de plataformas como o Gemini e o Perfil da Empresa no Google, transformando a inovação tecnológica em crescimento sustentável e receita real.
Entre as micro e pequenas empresas, a economia de tempo aparece como o principal benefício percebido da IA, citada por 34% dos entrevistados. Já entre os microempreendedores individuais, a geração de novas ideias lidera, com 41%. Os dados reforçam que a IA já é vista como uma ferramenta potencial de produtividade e competitividade, mas ainda depende de orientação prática para ser incorporada à rotina do empreendedor.
Bruno Quick, diretor-técnico do Sebrae, afirmou que a inteligência artificial faz sentido para o empreendedor quando ajuda a identificar oportunidades, ganhar eficiência e resolver problemas reais do dia a dia. Ele ressaltou que a parceria vai demonstrar que a IA pode estar mais próxima da rotina de cada segmento e mercado, apoiando o crescimento e a profissionalização dos negócios.
O Itaú Unibanco colabora com a frente de gestão financeira, um dos assuntos que mais desafiam a rotina de quem empreende. Por meio da Inteligência Itaú, plataforma de IA generativa multiagentes do banco, o aplicativo oferece assessoria 24 horas por dia, sete dias por semana, em uma experiência conversacional que apoia o empresário em temas como fluxo de caixa, precificação, controle de custos e análise de vendas pela adquirência. Uma pesquisa realizada pela Quaest em parceria com o Itaú Unibanco, chamada Do caderninho à inovação: os novos caminhos do empreendedor brasileiro, aponta que, embora 44% dos empreendedores já utilizem IA generativa, gestão e finanças seguem como o maior espaço a ser conquistado.
Marcos Paulo Coelho, diretor do Itaú Unibanco, afirmou que tecnologia e conhecimento financeiro, quando colocados nas mãos de quem empreende, têm o poder de transformar negócios e a economia do país. Segundo ele, o programa une a experiência do banco em apoiar empresários à inteligência artificial generativa para que cada empreendedor encontre na tecnologia um aliado para tomar decisões com mais segurança e construir um negócio sustentável.
A Tera é responsável por estruturar a experiência digital, acompanhar a evolução dos participantes e transformar os conteúdos dos parceiros em uma jornada acessível para diferentes níveis de familiaridade com tecnologia. Leandro Herrera, fundador e CEO da Tera, destacou que muitos empreendedores já ouviram falar de inteligência artificial, mas ainda não sabem como usar isso no próprio negócio. Ele explicou que, no pequeno negócio, essa dúvida pesa mais porque a mesma pessoa muitas vezes cuida de vendas, atendimento, divulgação e operação. O programa nasce para encurtar esse caminho e mostrar que a IA pode ajudar o pequeno negócio a automatizar tarefas, criar assistentes, organizar informações e liberar tempo para o empreendedor.
A Blip, plataforma de criação de assistentes virtuais, também participa do projeto como plataforma oficial de mensagens, responsável pela camada conversacional do programa no WhatsApp. A empresa apoia disparos de conteúdos, lembretes, fluxos de nutrição, atendimento automatizado e grupos de comunidade, além de contribuir com conteúdos sobre vendas por WhatsApp e estratégias conversacionais para pequenos e médios negócios.
A proposta pedagógica do Negócio em dIA segue o princípio de menos curso e mais ação. Em vez de formações longas ou excessivamente acadêmicas, a jornada é estruturada em módulos objetivos, com aulas rápidas, missões práticas e atividades conectadas à rotina do participante. A ideia é reduzir a distância entre aprender um conceito e aplicá-lo no negócio. Além do conteúdo sob demanda, o programa terá masterclasses e imersões ao vivo ao longo do ano, com participação de nomes reconhecidos do mercado.
Com acesso contínuo e gratuito, o programa foi desenhado para funcionar de forma permanente, permitindo que os empreendedores avancem conforme sua disponibilidade. O desempenho da iniciativa será acompanhado por indicadores como adesão à plataforma, participação nas atividades, engajamento ao longo da jornada, uso das ferramentas e evolução dos participantes durante o processo. A expectativa dos parceiros é que a capacitação contribua para fechar a lacuna entre familiaridade com a IA e uso efetivo nos pequenos negócios brasileiros.