A Apple trabalha para lançar, ainda em setembro deste ano, uma versão reformulada da Siri que vai combinar processamento local nos iPhones com recursos executados na infraestrutura de nuvem do Google. A estratégia marca uma mudança significativa na forma como a empresa conduz o desenvolvimento de inteligência artificial em seus dispositivos, já que a gigante de Cupertino tradicionalmente prefere controlar de perto os principais componentes de seus produtos.
De acordo com fontes familiarizadas com o projeto, a nova Siri será executada em servidores equipados com chips Nvidia Blackwell B200, hospedados na infraestrutura do Google Cloud. Esses processadores de alta performance foram escolhidos para lidar com tarefas que exigem maior capacidade computacional, justamente aquelas que o hardware dos iPhones não conseguiria processar de forma eficiente por conta própria. O modelo de linguagem por trás da assistente será o Gemini, do Google, representando uma parceria direta entre duas das maiores empresas de tecnologia do mundo.
Um dos pontos centrais da estratégia diz respeito à privacidade dos usuários, uma marca registrada da Apple. Para garantir a proteção dos dados, a empresa pretende ativar o recurso de computação confidencial da Nvidia. Essa tecnologia criptografa as informações durante o processamento nos servidores externos, assegurando que nem mesmo o Google tenha acesso direto ao conteúdo que está sendo analisado. A solução representa um meio-termo entre a necessidade de capacidade computacional externa e o compromisso histórico da companhia com a segurança e a privacidade.
A decisão de recorrer a parceiros externos não foi a primeira opção considerada pela Apple. Segundo as fontes, a empresa chegou a testar uma versão modificada do Gemini em seu próprio sistema Private Cloud Compute, que é a infraestrutura interna usada para processar dados de forma segura na nuvem. No entanto, o desempenho obtido ficou abaixo das expectativas, o que levou a companhia a buscar alternativas junto a fornecedores externos para viabilizar o projeto dentro do prazo esperado.
A apresentação oficial da nova Siri está prevista para acontecer durante a Worldwide Developers Conference, conhecida como WWDC, evento anual da Apple dedicado a desenvolvedores e que tradicionalmente serve como palco para grandes anúncios de software. A reformulação da assistente foi originalmente anunciada em 2024, mas enfrentou dificuldades ao longo do caminho, especialmente com os modelos internos de inteligência artificial da Apple, que não entregaram o nível de qualidade desejado. Essa sequência de obstáculos forçou a empresa a repensar sua abordagem e abrir mão de parte do controle sobre a tecnologia envolvida.
A expectativa é que a nova versão da Siri ofereça uma experiência de conversação mais sofisticada e personalizada, representando a maior reformulação da assistente em anos. A movimentação também reflete a pressão competitiva crescente no setor de inteligência artificial, onde concorrentes como Google, Microsoft e OpenAI têm avançado rapidamente com seus próprios modelos e assistentes. Para a Apple, contar com o Gemini do Google pode ser uma forma de acelerar a entrega de recursos avançados de IA sem precisar desenvolver internamente toda a tecnologia do zero, ainda que isso signifique abrir mão de parte da autonomia que sempre caracterizou seus produtos.