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UOL e Folha assinam primeiro acordo brasileiro com OpenAI para o ChatGPT

26/05/2026
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Os dois maiores portais de notícias do Brasil, UOL e Folha de S.Paulo, firmaram o primeiro acordo comercial entre empresas de mídia brasileiras e a OpenAI, responsável pelo ChatGPT. A parceria estabelece que o conteúdo jornalístico produzido pelas duas redações passará a alimentar o ecossistema de inteligência artificial da companhia, permitindo que o assistente virtual ofereça respostas atualizadas e baseadas em informações apuradas profissionalmente. O pacto também encerra a ação judicial movida pela Folha em 2025 contra a OpenAI, na qual o jornal questionava o uso não autorizado e não remunerado de seus textos publicados na internet. Os valores financeiros do contrato não foram divulgados em razão de cláusulas de confidencialidade.

A negociação representa um precedente relevante para a indústria de conteúdo no país, sinalizando que empresas de mídia podem estabelecer modelos de remuneração com desenvolvedoras de inteligência artificial pelo uso de seu material editorial. Até então, a relação entre o setor jornalístico brasileiro e as companhias de tecnologia desse segmento era marcada por tensões jurídicas e pela ausência de acordos formalizados.

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A troca de conteúdo entre os portais e a OpenAI ocorrerá em tempo real, conforme destacado pelas empresas envolvidas. A proposta é que o ChatGPT possa acessar notícias atualizadas diretamente das redações do UOL e da Folha, ampliando a diversidade e a confiabilidade das respostas fornecidas aos usuários do assistente virtual.

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Em contrapartida ao fornecimento de material editorial, os dois veículos terão acesso ao plano empresarial do ChatGPT, à interface de programação de aplicativos (API) da OpenAI e ao Codex, ferramenta voltada ao desenvolvimento de software. A intenção declarada é explorar aplicações de inteligência artificial no jornalismo, tanto na criação de novos produtos para os leitores quanto na otimização de processos internos das redações.

Paulo Samia, CEO do UOL, classificou a iniciativa como um reconhecimento do valor do jornalismo para plataformas de inteligência artificial. Segundo ele, sistemas desse tipo dependem de fontes confiáveis de informação, o que torna natural a remuneração dos produtores de conteúdo qualificado. Murilo Garavello, diretor de conteúdo do portal, complementou ao afirmar que a presença do jornalismo nos ambientes digitais frequentados pelos brasileiros é essencial para ampliar o acesso à informação de qualidade.

Sérgio Dávila, diretor de Redação da Folha, avaliou que o interesse da OpenAI pelo conteúdo dos dois veículos confirma a relevância do jornalismo profissional no atual ecossistema digital. Para ele, a parceria demonstra que o trabalho de apuração e edição produzido pelas redações possui valor reconhecido até mesmo por gigantes do setor de tecnologia.

Desde 2023, a OpenAI vem estabelecendo acordos semelhantes com grupos de mídia internacionais. Entre os parceiros já confirmados estão o Financial Times, Condé Nast, Le Monde, Time e Axel Springer. O modelo adotado com o UOL e a Folha segue a mesma lógica: permissão para uso editorial do conteúdo em troca de acesso a ferramentas da empresa e de uma relação comercial formalizada.

Além dos acordos individuais, o setor midiático global tem buscado padrões para regulamentar o uso de material jornalístico por sistemas de inteligência artificial. Um exemplo é o projeto Spur, sigla em inglês para padrões de direitos de uso de publicações, iniciativa assinada por executivos da BBC, Financial Times, The Guardian, Sky News e Telegraph. O objetivo da coalizão é definir padrões técnicos e modelos de licenciamento que garantam remuneração adequada aos publishers e controle sobre o material utilizado.

No Brasil, o debate também avança por meio de entidades representativas do setor. Em fevereiro, a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus) e o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) divulgaram um manifesto conjunto defendendo que o uso de conteúdos de seus associados no treinamento de modelos de inteligência artificial seja feito mediante remuneração justa.

A resolução da ação judicial da Folha por meio de acordo comercial pode influenciar outras empresas de mídia do país a buscar termos de negociação semelhantes com desenvolvedoras de inteligência artificial. O caso demonstra que a via judicial não é a única saída para proteger direitos autorais no contexto de IA e que modelos de parceria podem ser viáveis para ambos os lados.

A incorporação de notícias de fontes verificadas ao ChatGPT também pode contribuir para reduzir a disseminação de informações falsas, um dos principais desafios apontados por especialistas no uso de assistentes virtuais baseados em modelos de linguagem. Ao disponibilizar conteúdo apurado profissionalmente, os portais ajudam a elevar a qualidade das respostas geradas pela ferramenta.

O acesso ao Codex e à API da OpenAI abre possibilidades concretas para a inovação nos processos das redações. Ferramentas de inteligência artificial já vêm sendo testadas em diferentes etapas da produção jornalística, desde a automação de tarefas operacionais até a identificação de padrões em grandes volumes de dados para reportagens investigativas.

A parceria entre UOL, Folha e OpenAI marca o início de uma nova fase nas relações entre mídia e inteligência artificial no Brasil. Se outras empresas do setor seguirão o mesmo caminho permanece como questão aberta, mas o acordo firmado oferece um modelo concreto que poderá servir de referência para negociações futuras no mercado brasileiro.

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