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Brasil Desenvolve CAR-T Nacional: A Revolução que Chega ao SUS em 2027

05/03/2026
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# Brasil acelera produção local de terapia CAR-T para inclusão no SUS até 2027

O Brasil está desenvolvendo estratégias para tornar acessível a terapia CAR-T, um tratamento avançado contra o câncer, pelo Sistema Único de Saúde até 2027. Essa imunoterapia personalizada reprograma geneticamente os linfócitos T, que são células de defesa do próprio paciente, para reconhecer e destruir células cancerígenas de forma precisa. O principal obstáculo atual é o alto custo de produção e a complexidade logística, que exige laboratórios especializados. Pesquisadores liderados por Martín Hernán Bonamino, chefe do Programa de Terapia Celular e Gênica do Instituto Nacional de Câncer, destacam esforços nacionais para manufatura local e redução de despesas.

A terapia CAR-T, cujo nome vem de receptor quimérico de antígeno, atua como um medicamento vivo ao modificar as células imunes para atacar tumores hematológicos resistentes a tratamentos convencionais. No mundo, ela já representa esperança para pacientes com leucemias e linfomas refratários, oferecendo taxas de remissão mais altas e menor toxicidade em comparação a quimioterapias tradicionais. No Brasil, três produtos estão aprovados pela Anvisa, mas nenhum integra o SUS devido aos preços elevados, que podem superar milhões de reais por dose. Bonamino explica em artigo publicado no The Conversation que o foco agora é criar plataformas de baixo custo para produção doméstica.

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O Kymriah, desenvolvido pela Novartis, é indicado para crianças e jovens adultos até 25 anos com leucemia linfoblástica aguda de células B refratária ou recidivada. Essa leucemia afeta o sangue e a medula óssea, sendo comum em menores de idade. Para adultos, o mesmo medicamento trata linfoma difuso de grandes células B, um tipo agressivo de linfoma não Hodgkin. Já o Yescarta, da Gilead em parceria com Kite Pharma, é autorizado para adultos com linfoma difuso de grandes células B recidivado ou refratário, além de linfoma de células do manto, uma neoplasia rara que responde bem a essa abordagem.

Outro avanço recente é o Carvykti, da Johnson & Johnson, aprovado para mieloma múltiplo recidivado ou refratário em adultos. O mieloma múltiplo compromete a produção de anticorpos saudáveis, levando a infecções frequentes e fragilidade óssea. Esses medicamentos demonstram eficácia em cenários onde opções padrão falham, mas sua dependência de processos individualizados, como coleta de células do paciente, modificação genética e infusão de volta, encarece o procedimento. A produção envolve vetores virais para inserir o gene do receptor CAR nas células T, o que demanda instalações de biossegurança nível três e logística refrigerada.

Instituições brasileiras como o Instituto Nacional de Câncer, a Fundação Oswaldo Cruz, o Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein e a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP unem forças para superar esses barreiras. Uma estratégia promissora substitui os vetores virais por sistemas não virais, utilizando fragmentos de DNA para induzir a expressão da molécula CAR nas células T. Essa inovação corta o tempo de preparação de mais de um mês para apenas oito dias, acelerando o tratamento e reduzindo despesas com materiais caros e mão de obra prolongada. Bonamino enfatiza que essa plataforma permite testar novas gerações de células CAR-T a uma fração do custo convencional.

Além disso, pesquisadores exploram novas moléculas de receptor CAR derivadas de anticorpos convencionais e de lhamas. Esses animais produzem nananticorpos, proteínas menores e mais estáveis, ideais para engenharia genética em biotecnologia. Desde 2020, um consórcio reunindo a Universidade de Brasília, a Fiocruz do Ceará e o Centro Pasteur da Fiocruz avança nesse desenvolvimento, visando terapias mais eficientes e adaptadas a alvos tumorais brasileiros. Essa abordagem diversifica as opções terapêuticas, potencializando respostas em diferentes subtipos de câncer hematológico.

Parcerias internacionais fortalecem o ecossistema nacional. O INCA colabora com o Children’s Hospital de Philadelphia para capacitar equipes em terapia CAR-T pediátrica, focando em leucemia linfoblástica aguda refratária ou recidivada. A iniciativa prevê tratar até 20 crianças nos próximos três anos, transferindo tecnologias de infusão e monitoramento de efeitos colaterais como a síndrome de liberação de citocinas. Essa síndrome ocorre quando as células modificadas liberam muitas substâncias inflamatórias, mas é gerenciável com protocolos estabelecidos.

A Fiocruz, por sua vez, trabalha com a organização Caring Cross para produzir células CAR-T e vetores lentivirais em contêineres modulares próximos aos centros de tratamento. Essa solução descentraliza a manufatura, evitando envios internacionais demorados e custosos, e pode ser replicada em outras cidades. Bonamino projeta o início de tratamentos piloto entre o final de 2026 e o começo de 2027, demonstrando a capacidade científica brasileira de democratizar essa terapia avançada.

O contexto histórico da terapia CAR-T remonta a pesquisas iniciais nos anos 1980, mas explodiu com aprovações nos Estados Unidos em 2017 pelo Kymriah e Yescarta. Países como China, Japão e nações europeias seguiram, incorporando-a em sistemas públicos graças a produções locais. No Brasil, o movimento ganha tração desde aprovações recentes, alinhando-se à medicina de precisão que personaliza tratamentos com base no perfil genético do tumor. A complexidade reside na cadeia de custódia: coleta de leucócitos, transporte, edição genética, expansão celular e reinfusão, cada etapa exigindo controle rigoroso de qualidade.

Instituições como o INCA investem em laboratórios acreditados para terapias avançadas, garantindo padrões internacionais. A redução de custos via métodos não virais não compromete a segurança, pois os fragmentos de DNA são projetados para expressão transitória ou estável sem riscos de integração genômica indesejada. Testes pré-clínicos validam a persistência das células CAR-T no organismo, essencial para remissões duradouras observadas em estudos globais.

Para o SUS, que atende milhões de pacientes oncológicos anualmente, a inclusão da CAR-T representaria um marco na equidade em saúde. Cânceres hematológicos afetam milhares de brasileiros por ano, muitos em estágios avançados por falta de diagnóstico precoce. Estratégias como as do consórcio UnB-Fiocruz visam alvos específicos prevalentes localmente, otimizando eficácia. A manufatura em contêineres da Fiocruz facilita escalabilidade, permitindo tratamentos em regiões remotas sem infraestrutura fixa monumental.

Os próximos passos incluem validação clínica dessas plataformas nacionais. Grupos do Albert Einstein e Ribeirão Preto preparam ensaios para demonstrar paridade com produtos importados em termos de resposta tumoral e sobrevida. A parceria com o CHOP prioriza pediatria, onde a CAR-T mostrou curas em até 80 por cento dos casos refratários em trials internacionais, adaptando protocolos ao perfil epidemiológico brasileiro.

Em síntese, o Brasil consolida um polo de inovação em terapia celular, superando dependência externa. Com metas claras para 2027, pesquisadores como Bonamino pavimentam o caminho para que o SUS ofereça essa opção transformadora. A viabilização depende de articulação contínua entre academia, indústria e governo, ampliando o acesso a tratamentos de ponta e reduzindo desigualdades no combate ao câncer.

RESUMO: O Brasil avança na produção local de terapia CAR-T para incluir no SUS até 2027, reduzindo custos com métodos não virais e parcerias como INCA-CHOP e Fiocruz-Caring Cross. Três medicamentos aprovados tratam leucemias e linfomas, mas altos preços limitam acesso. Iniciativas de INCA, Fiocruz e outros visam manufatura acessível, com pilotos em 2026.

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