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Gargalo no Vidro Ultrafino: Como uma Tecelagem Japonesa Centenária Está Impactando a Tecnologia Mundial

10/02/2026
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Uma tecelagem japonesa centenária está no centro de um gargalo que já começa a afetar grandes nomes da tecnologia. A Nittobo (Nitto Boseki), pouco conhecida do grande público, domina a produção de um vidro ultrafino — chamado T-glass — que se tornou peça-chave na fabricação de chips para inteligência artificial (IA).

A dependência global por esse material é tão grande que a falta dele tem gerado pressão sobre fornecedores de ponta como Apple e Nvidia. A Apple, que normalmente evita lidar diretamente com fornecedores de matéria‑prima, chegou a enviar gerentes ao Japão para negociar e tentar garantir entregas, diante da perspectiva de aumento no preço do T-glass.

O que é T-glass e por que importa

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O T-glass é uma folha de vidro ultrafina formada por fibras microscópicas tecidas entre si, mais finas que um fio de cabelo humano. Em chips de IA, que operam a temperaturas muito altas — próximas à temperatura de ebulição da água — o calor pode deformar o “pacote” onde o chip é montado. O T-glass age como camada de reforço, mantendo a estrutura estável e evitando que o conjunto entorte, quebre ou falhe.

Origem e dificuldade de produção

A Nittobo existe desde 1923, quando fabricava seda e algodão. A empresa aproveitou esse conhecimento ancestral de tecelagem para “tecer” vidro. O processo de fabricação é complexo e envolve receitas proprietárias de materiais, o que dificulta que concorrentes atinjam o mesmo nível de qualidade. Por isso, quase todo o suprimento mundial desse material vem dessa única fornecedora.

Impacto da demanda por IA e decisões da Nittobo

Com o crescimento explosivo da demanda por chips de IA, a procura pelo T-glass disparou. Mesmo assim, a Nittobo tem adotado uma postura cautelosa: resiste a expandir fábricas rapidamente por receio de supercapacidade caso a “febre” da IA diminua. O resultado é uma oferta insuficiente para atender todos os pedidos no momento, e a previsão de analistas é de que o preço do material possa subir 25% ou mais em 2026. A empresa só espera aumentar a produção de forma significativa no final de 2026.

Quem sai na frente — e quem fica para trás

Como a oferta é limitada, compradores dispostos a pagar mais e adquirir em grandes quantidades — tipicamente empresas envolvidas em projetos caros de IA, como a Nvidia — tendem a ser priorizados. Isso deixa fabricantes de eletrônicos de consumo — que vendem em grande volume e trabalham com margens menores, como fabricantes de smartphones, tablets e notebooks — em posição de menor prioridade. A consequência esperada é que a escassez pressione os custos de produção desses aparelhos.

O efeito até a prateleira

Quando um insumo básico torna‑se raro e mais caro, esse custo adicional costuma percorrer toda a cadeia: da matéria‑prima, passando pela fabricação dos chips e pela montagem dos dispositivos, até chegar ao preço final ao consumidor. Ou seja, a escassez de T-glass pode resultar em aumento nos preços dos eletrônicos que usamos no dia a dia.

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