A inteligência artificial vai reduzir ou ampliar a desigualdade entre os países? Essa é uma questão central — e os governos de todo o mundo deveriam estar obcecados por ela. A resposta tem impacto direto sobre desenvolvimento econômico, inclusão social e competitividade, muito além do que geralmente se imagina.
A história das tecnologias mostra que uma inovação pode seguir caminhos opostos: em alguns casos ela aproxima nações, ao difundir produtividade e conhecimento; em outros, aprofunda distâncias, quando os benefícios ficam concentrados em quem já tem capital, infraestrutura e mão de obra qualificada. No caso da IA, esse dilema fica ainda mais agudo, porque a tecnologia combina capacidade computacional, dados e talento humano — fatores que não estão igualmente distribuídos entre países.
Por isso, a resposta sobre se a IA vai reduzir ou ampliar desigualdades depende menos da tecnologia em si e mais das condições de adoção. Políticas públicas, investimento em educação e pesquisa, acesso à infraestrutura digital e regulação que favoreça a difusão serão determinantes para que os ganhos se espalhem. Sem esses elementos, há risco de que vantagens se consolidem em polos já avançados, enquanto outros países ficam para trás.
Muitos governos ainda não perceberam a urgência dessa agenda ou não dedicaram esforços suficientes para garantir que os benefícios da IA sejam amplamente compartilhados. Entender e agir sobre essa questão não é apenas estratégia econômica: é uma questão de justiça social e de soberania tecnológica.