O grupo WISE (Wearable, Intelligent, Soft Electronics) da Universidade de Hong Kong (HKU-WISE) anunciou um avanço importante na bioeletrônica: o desenvolvimento de transistores 3D macios. Trata‑se de uma resposta a um desafio antigo na área — a dificuldade de integrar eletrônica rígida e plana com sistemas biológicos, que são tipicamente suaves e tridimensionais.
Segundo os pesquisadores, após cinco anos de trabalho a equipe produziu o que descreve como os primeiros transistores 3D macios do mundo, fabricados a partir de semicondutores em hidrogel. Esses materiais apresentam propriedades semelhantes às de tecidos biológicos: são compatíveis com células, têm textura e elasticidade próximas às de tecidos e podem abrigar células vivas diretamente sobre o dispositivo.
A fabricação desses transistores foi feita por um processo de auto‑montagem 3D em água, o que difere das técnicas convencionais usadas em transistores de silício. Enquanto os dispositivos tradicionais são rígidos e essencialmente bidimensionais, os transistores em hidrogel combinam geometria tridimensional com maleabilidade, reduzindo a incompatibilidade mecânica entre eletrônica e tecidos vivos.
As características desses dispositivos abrem caminho para novas aplicações em bioeletrônica, neurociência e tecnologias médicas, onde a interface íntima e estável entre eletrônica e tecido é crítica. Por preservarem um ambiente mais próximo ao biológico e permitirem a presença de células, esses transistores podem facilitar experimentos e sistemas que até então eram limitados pela rigidez dos componentes eletrônicos convencionais.
O trabalho do HKU‑WISE representa um passo para aproximar dispositivos eletrônicos das exigências físicas e biológicas de sistemas vivos, mantendo foco em materiais e processos que privilegiem compatibilidade e estrutura tridimensional.