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Jogo de Terror Horses: A Batalha Contra o Poder das Lojas de Jogos

07/12/2025
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4 min de leitura
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O estúdio italiano Santa Regione virou o centro de uma polêmica na última semana depois de ter seu jogo de terror Horses barrado no Steam sem uma justificativa clara — e, logo em seguida, também ter o título vetado pela Epic Games Store, que alegou violação por conteúdo AO (Adults Only).

O que é Horses?

Horses é um jogo de terror de tom propositalmente bizarro: o jogador assume um emprego de verão de duas semanas em uma fazenda isolada para cuidar de cavalos — que, na verdade, são seres humanos nus com cabeças de equino. A proposta estranha é exatamente parte da intenção do estúdio em chocar e provocar os jogadores.

O caso Steam

Segundo a Santa Regione, tudo começou em 2023, quando o estúdio enviou ao Steam uma versão ainda incompleta para criar a página da loja. A Valve rejeitou o pedido, afirmando que não distribuiria um jogo que mostrasse “conduta sexual envolvendo um menor”, mas sem indicar quais trechos violariam essa diretriz. Os desenvolvedores acreditam que a cena apontada seria uma em que a filha de um personagem anda nos ombros de um dos “cavalos”; para evitar problemas, substituíram a criança por uma mulher de 20 anos. Mesmo assim, dizem, a Valve recusou sucessivas solicitações de reavaliação e tomou a decisão final de barrar Horses.

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O cofundador Pietro Righi Riva declarou sentir-se “enganado e traído” pela Valve, depois de 14 anos publicando no Steam, e criticou a falta de um encaminhamento profissional — resumindo o retorno que recebeu como “não, só porque sim”. O estúdio investiu cerca de US$ 100 mil no desenvolvimento, metade desse montante vindo de amigos e doações; sem acesso ao Steam — que concentra aproximadamente 75% do mercado de jogos para PC — a Santa Regione afirma que pode fechar em seis meses se não recuperar os custos.

Reação e solidariedade

Apesar do temor em criticar publicamente a Valve por seu poder de mercado, a Santa Regione relatou ter recebido apoio massivo após tornar o caso público, incluindo o anúncio do GOG de que promoveria e apoiaria Horses.

A decisão da Epic Games Store

Horses já estava programado para chegar ao GOG, Itch.io, Humble Store e Epic Games Store com lançamento global marcado para 2 de dezembro de 2025. No entanto, um dia antes da estreia, a Epic informou que não distribuiria o jogo. A justificativa citou comportamento sexual explícito, abuso e maus-tratos a animais, além de afirmar que a IARC o havia classificado como Adults Only (AO), o que imped gliria sua presença na Epic Games Store.

A Santa Regione rebateu dizendo que a nudez é pixelizada, não há cenas de sexo explícito e que o jogo critica a violência em vez de promovê-la. Além disso, afirmaram que a classificação recebida foi Mature (+18), não AO. O estúdio apelou, mas a Epic negou o recurso cerca de 12 horas depois, sem explicações detalhadas.

Lançamento e repercussão

No fim das contas, Horses acabou sendo lançado no GOG e no Itch.io por R$ 20 (US$ 4,99). Chegou também ao Humble Store, mas foi retirado do ar em 3 de dezembro. A repercussão midiática e o apoio da comunidade deram visibilidade ao título e geraram críticas à postura das grandes lojas. Em uma avaliação no GOG, um usuário resumiu o sentimento de muitos: “Apoie o desenvolvedor; o Steam e a Epic são uns bebezões”, e afirmou que, apesar de macabras, as cenas não tornam o jogo intragável.

Posicionamentos oficiais

A Epic Games, por meio do diretor de comunicações Jake Jones, afirmou que estabelece diretrizes claras para conteúdo na Epic Games Store e que, durante sua análise, encontrou violações dessas regras. A Valve declarou que forneceu feedback ao desenvolvedor conforme suas regras e diretrizes de integração, que considerou uma reavaliação extensivamente, mas que a equipe interna de análise de conteúdo manteve a decisão contrária ao lançamento.

Preocupação com o poder das lojas

O episódio reacendeu debates sobre o papel dominante do Steam no mercado de PC. Uma pesquisa contratada pela plataforma Rokky com 306 executivos da indústria em países como Reino Unido e Estados Unidos indicou que 72% dos entrevistados consideram o Steam em posição de monopólio. O serviço segue popular por recursos, preços e por abrigar tanto títulos AAA quanto indies, mas essa liderança também expõe desenvolvedores e jogadores a riscos caso ocorram mudanças no modelo de negócios, reestruturações ou decisões opacas de quem detém grande parte da distribuição para PC.

O futuro de Horses e da Santa Regione segue incerto: o jogo encontrou caminhos alternativos para lançamento, mas o impacto do bloqueio nas maiores lojas ainda coloca em risco a sustentabilidade do estúdio.

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