A Volvo anunciou nesta quinta-feira (15) a expansão de sua parceria com a Nvidia para desenvolver uma nova geração de sistemas de condução assistida capazes de assumir tarefas complexas ao volante. A colaboração entre as duas empresas já dura quase dez anos e agora ganha um objetivo mais ambicioso: permitir que os veículos realizem deslocamentos completos, de um ponto a outro, com menos intervenção do motorista. A tecnologia deverá estrear em um novo modelo da montadora sueca antes do fim da década, com lançamento previsto para antes de 2029, embora a data exata ainda não tenha sido divulgada.
A proposta combina os sistemas de segurança tradicionais da Volvo com a capacidade computacional e os softwares de inteligência artificial (IA) da Nvidia. Segundo a Reuters, a primeira implementação será voltada à condução supervisionada. Isso significa que, mesmo com recursos avançados de automação, o motorista continuará legalmente responsável pelo veículo. A montadora ainda não revelou qual modelo receberá a tecnologia primeiro, nem quanto pretende cobrar pelo recurso.
A nova geração de veículos utilizará três componentes principais da Nvidia, cada um com uma função específica. A arquitetura Hyperion reúne a computação embarcada e os sensores usados pelo carro para perceber o ambiente ao redor. O software de condução Alpamayo é uma plataforma baseada em IA que ajuda o veículo a interpretar situações complexas e planejar suas ações. Já o sistema operacional Halos concentra tecnologias e mecanismos de segurança voltados ao desenvolvimento e à implementação dos sistemas de condução automatizada.
Em conjunto, essas ferramentas devem permitir que os carros interpretem cenários de trânsito, identifiquem situações de risco e planejem manobras como acelerar, frear e fazer conversões. A plataforma foi projetada para lidar com ambientes variados, desde rodovias até ruas urbanas movimentadas e manobras de estacionamento. De acordo com o The Verge, o sistema foi descrito como de nível 2++, uma classificação que indica recursos avançados de condução assistida, mas sem equivaler à autonomia completa.
Com essa tecnologia, os veículos deverão ser capazes de lidar com semáforos, placas de parada obrigatória e conversões à esquerda em locais sem proteção do tráfego contrário. A proposta é oferecer uma experiência de condução sem as mãos no volante em determinadas condições, inclusive em trajetos urbanos, incluindo a travessia de cruzamentos. O funcionamento, porém, não elimina a responsabilidade do motorista. Em alguns aspectos, a solução deverá ser semelhante ao Full Self-Driving (Supervised), da Tesla, e a sistemas desenvolvidos com a Nvidia por outras montadoras.
A estratégia da Volvo, no entanto, não depende apenas das tecnologias da Nvidia. A montadora também pretende integrar recursos próprios, incluindo sistemas que analisam o comportamento do motorista e tecnologias de segurança conectada. Esses mecanismos de monitoramento buscam compreender o estado e o comportamento de quem está ao volante com mais detalhes do que os métodos convencionais de acompanhamento. A ideia é manter a segurança como elemento central do desenvolvimento dos sistemas automatizados.
A empresa também possui uma tecnologia de compartilhamento de informações entre veículos, capaz de trocar dados sobre perigos e condições da estrada, como a presença de obras e outros obstáculos à frente. Esse recurso amplia a percepção de riscos para além do que os sensores de um único automóvel conseguem identificar, criando uma visão coletiva do trânsito que complementa a inteligência artificial embarcada.
Apesar do aumento no uso de sensores e computação, a configuração descrita pelo The Verge não incluirá inicialmente o lidar, tecnologia que utiliza pulsos de laser para medir distâncias e construir representações tridimensionais do ambiente. A Volvo poderá adicionar esse tipo de sensor no futuro, mas não confirmou nenhuma mudança no projeto atual. A decisão vem após dificuldades em iniciativas anteriores de condução automatizada, como o Ride Pilot, sistema de nível 3 que permitiria condução sem supervisão contínua em condições específicas, mas que foi efetivamente colocado de lado nos Estados Unidos após obstáculos de aprovação regulatória. Outro plano de ampliação do uso de lidar também foi prejudicado pela falência da fornecedora Luminar.
A expansão da colaboração entre Volvo e Nvidia pretende alcançar uma parcela maior da linha da montadora, com a tecnologia sendo disponibilizada em veículos de diferentes faixas de preço, incluindo modelos elétricos, híbridos plug-in e automóveis a combustão. A empresa ainda não informou quais versões serão contempladas primeiro, nem divulgou um calendário detalhado de lançamento por modelo. Para a Nvidia, a parceria se conecta à estratégia de ampliar sua presença no mercado automotivo, fornecendo componentes computacionais e softwares para diferentes fabricantes.
Para a Volvo, a aliança representa uma oportunidade de acelerar o desenvolvimento de sistemas de condução assistida sem abrir mão de suas próprias tecnologias de segurança. Combinando a IA da Nvidia, os componentes Hyperion, Alpamayo e Halos e seu histórico em proteção veicular, a montadora sueca aposta que seus carros poderão lidar com o trânsito urbano, as rodovias e os estacionamentos de forma cada vez mais autônoma, sempre sob a supervisão do motorista, até o fim da década.