A Intel aumentou os preços de seus processadores Panther Lake em até 20%, movimento que promete elevar ainda mais o custo dos notebooks equipados com os chips Core Ultra 300. A informação é do portal taiwanês Commercial Times e chega em um momento já complicado para o consumidor, já que os componentes de hardware, especialmente a memória, ficaram muito mais caros desde o início do ano. Com o reajuste, máquinas que já eram consideradas caras por causa do efeito novidade devem se distanciar ainda mais do público generalista.
De acordo com o rumor, os aumentos mais significativos não atingem toda a linha, mas sim versões específicas. Os reajustes entre 15% e 20% valeriam apenas para os modelos com placas gráficas integradas de ponta, os chamados SKUs de alto desempenho. Na prática, isso inclui os processadores Core Ultra 300X equipados com a iGPU Arc B390, considerada uma das melhores soluções gráficas integradas do mercado atual, além das variantes que trazem a Arc B370. As demais unidades da família podem manter os preços atuais.
O movimento da Intel, porém, não se limita à geração mais recente. Segundo o Commercial Times, as famílias Meteor Lake, que corresponde à linha Core Ultra 100, e Arrow Lake, dos Core Ultra 200, também serão reajustadas. As séries mais antigas não escapam: a 12ª geração Alder Lake e sua variante de baixo consumo, a Twin Lake, sofrerão altas entre 5% e 20%, ainda que se tratem de plataformas de gerações passadas. No caso da Panther Lake, o repasse dos novos valores já teria ocorrido no dia 1º de setembro.
A medida acompanha uma tendência que se desenha em toda a indústria de processadores. A AMD, rival direta da Intel no mercado de arquitetura x86, deve aplicar um aumento de 10% em toda a sua linha de processadores Ryzen e EPYC, embora essa informação ainda não esteja confirmada pela indústria de rumores. Já a Qualcomm, que atua fora do universo x86 com suas CPUs Arm da série Snapdragon X, já teria implementado uma correção de 10% nos preços no início de outubro, contemplando tanto a primeira quanto a segunda geração dos chips.
O efeito combinado dessas decisões deve ser sentido diretamente no bolso de quem pretende comprar um notebook nos próximos meses, já que as máquinas que chegarem ao mercado tenderão a custar mais do que o normal. Um exemplo concreto ilustra a dimensão do impacto: o ASUS Zenbook S14 equipado com Intel Panther Lake, avaliado no começo do ano, tem seu modelo topo de linha comercializado por mais de R$ 16 mil. Com o reajuste aplicado integralmente, o preço do equipamento pode se aproximar de R$ 19 mil.
Na prática, o cenário reforça uma segmentação ainda maior do mercado de notebooks premium. Modelos com gráficos integrados de alto desempenho, que já ocupavam uma faixa de preço restrita a um público específico, tendem a se tornar produtos de nicho ainda mais fechado. Para o consumidor comum, a janela para adquirir equipamentos com os componentes atuais a preços anteriores ao reajuste pode estar se fechando, especialmente considerando que o encarecimento do hardware, como a memória, já vinha pressionando os valores desde o início do ano.