Microsoft lança Maia 300, nova geração de chips próprios para inteligência artificial
A Microsoft anunciou nesta segunda-feira o Maia 300, seu mais recente processador dedicado à inteligência artificial. O componente é a terceira geração do programa Azure Maia e faz parte da estratégia da empresa de implantar hardware próprio em seus data centers, reduzindo a dependência de fornecedores externos. O lançamento chega em um momento de forte pressão por capacidade de processamento para serviços de IA.
O novo chip segue a linha de trabalho iniciada pela primeira geração, o Maia 100, que teve produção limitada, e pelo Maia 200, apresentado em janeiro. O Maia 300 chega como a aposta mais madura da companhia para provar que o silício desenvolvido internamente pode operar em grande escala, algo em que a Microsoft ainda está atrás de rivais como Google e Amazon, que já escalaram seus próprios aceleradores de IA.
A fabricação do componente está sendo negociada com a taiwanesa TSMC, responsável pela produção dos chips da linha Maia. Conforme relatos publicados, a Microsoft negocia capacidade para mais de 300 mil unidades do Maia 300, com entrega prevista para 2027, e mantém como meta de longo prazo alcançar capacidade para ultrapassar a marca de um milhão de unidades. Um gestor da divisão Maia, Andrew Wall, contestou os números de produção divulgados pela imprensa.
Segundo a Microsoft, o Maia 300 foi projetado com uma arquitetura focada em inferência — a etapa em que um modelo de IA já treinado responde a solicitações dos usuários — e otimizada para cargas de trabalho que exigem grande uso de memória e processamento prolongado. O sistema foi pensado para raciocínio de contexto longo, experiências conversacionais sensíveis a latência e tarefas agentes que envolvem múltiplas etapas.
Em termos de desempenho, cada rack do sistema Maia 300 reúne 96 aceleradores dentro de um envelope de energia de 167 quilowatts, oferecendo 27,6 TB de memória de alta largura de banda e 1,7 PB/s de banda agregada. Com isso, a empresa espera entregar 40% mais tokens por megawatt em comparação com sistemas baseados em GPUs líderes de mercado. Os tokens são os fragmentos de texto processados pelos modelos de linguagem. Na configuração completa, o sistema entrega até sete vezes o rendimento do Maia 200.
A meta da Microsoft é transformar o Maia no principal sistema de inferência da plataforma Azure a partir de 2027, com expansão para implantações de múltiplos gigawatts de energia. O plano também inclui oferecer o chip a grandes clientes de nuvem, como a Anthropic, como forma de disputar com a Nvidia a predominância no fornecimento de processadores para IA, setor em que a fabricante de GPUs detém forte domínio de preços.
Na prática, o Maia 300 representa o avanço mais significativo da Microsoft na construção de sua própria camada de infraestrutura de inteligência artificial. Se a produção em larga escala se confirmar em 2027, a Azure pode ganhar vantagem de custo sobre concorrentes dependentes da Nvidia, além de ampliar o controle da empresa sobre o hardware que sustenta seus serviços. Mais detalhes sobre o anúncio estão no blog oficial da Microsoft.