Digger, o novo filme de Tom Cruise dirigido por Alejandro González Iñárritu, tornou-se um dos maiores fracassos da Warner Bros. Pictures, com apenas US$ 8 milhões arrecadados no mercado doméstico em sua abertura e cerca de US$ 20 milhões somados ao redor do mundo. O número é considerado catastrófico para uma produção cujo orçamento é estimado em até US$ 180 milhões. O caso ilustra bem um fenômeno recorrente no cinema: produções que capricham na divulgação e geram grande expectativa, mas não conseguem converter esse interesse em bilheteria quando chegam às salas.
O próprio Digger é o exemplo mais recente e contundente dessa lista. O longa prometia uma sátira política na qual Cruise interpreta um bilionário cuja empresa provoca um desastre ambiental catastrófico, e que passa a vender a imagem de ser o único capaz de salvar o mundo. A divisão de opiniões da crítica e o desempenho comercial pífio transformaram o que parecia ser a chance de Cruise brilhar fora do cinema de ação em um pesadelo para o estúdio, marcando um dos lançamentos mais desastrosos do ano. O filme ainda está em cartaz nos cinemas.
O ano de 2026 também foi cruel com a Warner em outra frente. Supergirl, estrelado por Milly Alcock e integrante do novo universo da DC nos cinemas, fracassou em sua chegada às telonas em junho. A produção conta a história de origem de Kara Zor-El, uma jovem poderosa que se envolve em uma busca por vingança contra o mercenário Krem, interpretado por Matthias Schoenaerts, em uma viagem interestelar transformadora. A expectativa era alta depois do sucesso de Superman, lançado em 2025, mas o resultado ficou muito distante do antecessor.
Com críticas negativas, Supergirl arrecadou apenas US$ 126 milhões em bilheteria mundial, com uma abertura que nem sequer chegou aos US$ 70 milhões. O valor não cobre o orçamento aproximado de US$ 180 milhões da produção, que já está disponível na HBO Max para quem quiser conferir o resultado.
Outro caso emblemático é Mickey 17, lançado em 2025 como o retorno do diretor Bong Joon-ho depois do histórico Parasita, de 2019. O filme prometia uma ficção científica engraçada e repleta de críticas sociais, com Robert Pattinson, Mark Ruffalo e Toni Collette no elenco. Justamente a mistura entre sátira e ficção científica, porém, afastou o grande público das salas. A estreia rendeu apenas US$ 19 milhões nos Estados Unidos, e a bilheteria mundial fechou em cerca de US$ 133 milhões, insuficiente para gerar lucro diante de um orçamento de quase US$ 120 milhões.
Inspirado no livro homônimo de Edward Ashton, Mickey 17 acompanha Mickey Barnes, um homem que se alista em um programa do governo para colonizar um novo planeta. O trabalho consiste em ser um funcionário descartável que realiza missões suicidas, sendo ressuscitado em um novo corpo a cada morte, com a maioria das memórias intactas. O esquema, porém, se volta contra o protagonista, provocando situações inusitadas. O longa pode ser assistido na HBO Max e na Netflix.
A nostalgia também já se mostrou incapaz de garantir sucesso de bilheteria. Indiana Jones e a Relíquia do Destino, de 2023, marcou o retorno de Harrison Ford como o arqueólogo mais famoso dos cinemas, em uma franquia iniciada por Steven Spielberg nos anos 1980. Embora tenha conquistado uma parcela do público, o filme dirigido por James Mangold fez uma abertura de US$ 60,4 milhões no mercado doméstico, abaixo do esperado para uma produção desse porte. Com orçamento estimado em US$ 300 milhões, a bilheteria total de US$ 384 milhões transformou o longa em um dos maiores fracassos da Disney nos últimos anos. Na trama, o protagonista corre contra o tempo para recuperar um artefato poderoso, ao lado da afilhada Helena Shaw, vivida por Phoebe Waller-Bridge, para impedir que um ex-nazista ligado à NASA chegue primeiro ao objeto. O título está disponível no Disney+.
Poucos fracassos, porém, rivalizam com John Carter: Entre Dois Mundos, de 2012. Dirigido por Andrew Stanton, o filme prometia uma produção grandiosa sobre um veterano de guerra que acorda misteriosamente na superfície de Marte e se envolve em um conflito épico pelo destino do planeta. A abertura decepcionante de US$ 30 milhões e a bilheteria mundial de US$ 284 milhões ficaram muito aquém do orçamento superior a US$ 300 milhões. O fracasso estrelado por Taylor Kitsch causou prejuízos enormes à Disney, que cancelou os planos de uma trilogia diante do resultado. O filme também está no Disney+.
Fechando a lista, Cats chegou aos cinemas em 2019 com um controverso uso de efeitos visuais e críticas amplamente negativas. Dirigido por Tom Hooper, o filme adaptava o icônico musical de Andrew Lloyd Webber e apostava em um elenco de estrelas como Judi Dench, Idris Elba e a cantora Taylor Swift. A história acompanha uma tribo de gatos chamada Jellicles, que se reúne anualmente para escolher o felino que ascenderá ao Heaviside Layer, um lugar que promete uma vida melhor, enquanto um gato ardiloso tenta atrapalhar os planos. Com abertura de apenas US$ 6,6 milhões nos Estados Unidos e bilheteria mundial de US$ 78 milhões contra um orçamento de cerca de US$ 100 milhões, o longa entrou para o hall dos filmes mais infames da história do cinema. O título está disponível para compra ou aluguel no Prime Video, Apple TV, Google Play e Claro Video.
Na prática, esses seis casos mostram que expectativa e marketing não bastam para sustentar um filme nas salas de cinema. Seja por narrativa irregular, performances questionáveis ou escolhas criativas que não dialogam com o grande público, produções caras continuam a acumular prejuízos milionários, forçando estúdios a abandonar sequências, trilogias e projetos planejados quando a bilheteria simplesmente não aparece.