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Michael Burry, o investidor que previu a crise de 2008, antecipa aposta contra a bolha da IA e reforça tese com opções de venda até 2027

02/10/2026
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Burry, que previu a crise de 2008, antecipou o prazo de sua aposta contra a bolha da IA e trocou posições vendidas em ações do setor por opções de venda até 2027.
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O investidor Michael Burry, conhecido por ter previsto o colapso do mercado imobiliário dos Estados Unidos que originou a crise financeira de 2008, decidiu encurtar o prazo de sua tese contrária ao mercado de inteligência artificial. Em sua newsletter, Burry afirmou que está adiantando os prazos de sua aposta porque acredita que a chamada bolha da IA pode estourar mais cedo do que imaginava originalmente.

Para reforçar essa posição, o gestor substituiu parte das apostas vendidas que mantinha em ações de empresas ligadas à inteligência artificial e ao setor de semicondutores por opções de venda, instrumentos financeiros que dão ao titular o direito de vender um ativo a um preço predeterminado em uma data futura. O movimento aumenta sua exposição a uma eventual queda e concentra os contratos em prazos que se estendem até 2027.

Entre as principais mudanças está a substituição de uma posição vendida na Micron, fabricante norte-americana de memórias, por opções de venda com vencimento em junho e preço de exercício na faixa de US$ 500, equivalentes a aproximadamente R$ 2.605. Na Nebius, empresa de infraestrutura para inteligência artificial, a troca foi por opções com vencimento em junho e preço de exercício na casa das dezenas de dólares. No caso do SOXX, fundo negociado em bolsa que reúne ações de semicondutores, a posição vendida foi substituída por opções com vencimento em setembro de 2027, na faixa dos US$ 400, cerca de R$ 2.084. Já na Palantir, companhia de software voltada a análise de dados, Burry ampliou uma posição em opções de venda com vencimento em setembro de 2027, na faixa dos US$ 100, aproximadamente R$ 521.

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Burry explicou que parte das mudanças teve como objetivo reduzir sua carga tributária, mas que a razão principal é a convicção de que a bolha da inteligência artificial pode não se sustentar por muito mais tempo. A escolha por opções também está ligada ao cenário de volatilidade, que ele considera excepcionalmente baixo, tornando os contratos relativamente baratos e permitindo maior alavancagem em um período mais curto.

O argumento central da tese de Burry passa pela relação entre o volume de capital injetado no setor de inteligência artificial e a capacidade das empresas de transformar esses investimentos em receitas consistentes. Ele citou uma análise da Ares Management segundo a qual bastaria um período em que as receitas geradas pela IA ficassem abaixo do necessário para sustentar o volume de aportes atual para que conselhos de empresas decidissem redirecionar capital. O receio é que o fluxo contínuo de dinheiro entre gigantes do setor crie uma falsa percepção de demanda.

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Esse debate não se restringe a investidores individuais. O presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, afirmou que pode haver correções nos preços dos ativos e observou que o mercado pode estar precificando empresas como vencedoras antes de saber quais realmente conseguirão se destacar. Outro ponto relevante é a oferta de chips de memória. Jason Chen, CEO da Acer, afirmou em entrevista à CNBC que a capacidade de produção da China vem aumentando de forma consistente e que não há qualquer problema de escassez no setor, o que poderia alterar a dinâmica de preços que beneficiou diversos fabricantes nos últimos anos.

Ainda assim, nem todos os analistas compartilham a visão pessimista. Parte do mercado avalia que a expansão da inteligência artificial tem fundamentos sólidos, sustentada por contratos de longo prazo e pelo aumento da demanda por chips, data centers e capacidade computacional. Há também o argumento de que empresas menores podem ampliar o mercado à medida que o acesso à tecnologia se torna mais barato, fazendo com que a demanda não dependa exclusivamente das grandes corporações de tecnologia.

Em maio, Burry já havia comparado o cenário atual aos meses finais da bolha de tecnologia de 1999 e 2000, período que antecedeu uma longa queda nas ações de empresas de internet. Sua estratégia mais recente mostra que ele passou a trabalhar com um horizonte mais curto para essa tese. Enquanto isso, o mercado segue em direção oposta: o Nasdaq Composite, índice que reúne as principais empresas de tecnologia dos Estados Unidos, atingiu recentemente sua marca histórica, embora ações como as da Micron e da Palantir permaneçam abaixo de suas máximas anteriores. A divergência entre o comportamento do índice e o desempenho de algumas empresas do setor de inteligência artificial resume o debate em curso, marcado pela dúvida sobre até quando o volume de capital aplicado no setor continuará crescendo mais rápido do que os retornos capazes de justificá-lo.

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