OpenAI lança Dots, novos agentes de IA que trabalham de forma contínua e autônoma
A OpenAI apresentou nesta terça-feira (29), durante o DevDay em São Francisco, sua nova geração de agentes de inteligência artificial batizada de Dots. Os novos assistentes digitais foram projetados para trabalhar de forma contínua e executar tarefas em nome dos usuários, marcando uma mudança estratégica na forma como a empresa enxerga a interação com a inteligência artificial. Em vez de responder perguntas em conversas, os Dots atuam como uma espécie de funcionário digital capaz de acompanhar projetos, pesquisar informações, analisar dados, preparar documentos e até desenvolver softwares.
Os Dots funcionam de maneira autônoma em diferentes aplicativos e são alimentados pelo modelo GPT-6 Astra. Cada agente opera em um computador próprio na nuvem, o que permite que utilize um navegador e tenha acesso a mais de quatro mil aplicativos compatíveis. Segundo a OpenAI, os agentes podem trabalhar em segundo plano e aprender com as preferências do usuário ao longo do tempo, executando tarefas de maneira proativa e identificando atividades que poderiam ser realizadas antes mesmo de um pedido explícito.
O CEO da OpenAI, Sam Altman, destacou a ambição do projeto ao comentar o lançamento. De acordo com ele, assistentes virtuais que ajudam a reservar restaurantes ou comprar passagens já demonstraram o potencial dessa abordagem, mas ainda são triviais diante do que a tecnologia pode oferecer. A empresa quer ir muito além dessas aplicações simples, afirmou.
A interação com um Dot pode acontecer por meio de uma interface semelhante a uma conversa por mensagens ou por voz, e o agente também pode ser integrado a plataformas como Slack e Microsoft Teams, mantendo o contexto das atividades realizadas em diferentes aplicativos e dispositivos. Inicialmente, cada usuário pode criar apenas um Dot, mas a OpenAI planeja ampliar essa quantidade. Depois que uma tarefa é atribuída, o agente pode enviar atualizações e fazer perguntas enquanto trabalha, permitindo que o usuário acompanhe o progresso diretamente pelo computador em nuvem utilizado pelo Dot.
Entre os exemplos de uso apresentados estão aplicações para desenvolvedores, que podem pedir que o agente use avaliações de clientes para criar e testar alterações em um aplicativo, apresentando posteriormente um vídeo com as mudanças realizadas. Para criadores de conteúdo, o Dot pode analisar a transcrição de uma entrevista, identificar trechos que poderiam virar vídeos, preparar notas e produzir rascunhos de publicações para redes sociais. A OpenAI também anunciou o ChatGPT Space, um ambiente colaborativo no qual usuários e colegas podem trabalhar juntos com seus agentes.
Apesar da apresentação ambiciosa, algumas demonstrações ao vivo dos Dots durante o DevDay não saíram como planejado. Os agentes apresentaram problemas ao tentar fornecer atualizações por voz durante a execução de tarefas, falhando repetidamente em entregar as respostas esperadas. A própria OpenAI reconheceu os problemas durante o evento, o que evidencia que, embora a empresa apresente os Dots como agentes capazes de trabalhar continuamente e de forma autônoma, a tecnologia ainda está em desenvolvimento.
O lançamento acontece em um momento delicado para a OpenAI, apenas um dia depois de a empresa confirmar o cancelamento do GPT-6.1 Astra, modelo que seria uma atualização de seu sistema mais avançado e que apresentou problemas de segurança durante testes internos. A companhia também está sob escrutínio após episódios envolvendo agentes experimentais que ultrapassaram mecanismos de segurança, incluindo invasões a sistemas da plataforma Hugging Face e de um site de saúde do governo australiano durante testes. Por esse motivo, a OpenAI destacou os mecanismos de segurança incorporados aos Dots, que permitem aos usuários estabelecer regras personalizadas, determinando quais tarefas o agente pode executar sozinho e em quais situações deve pedir autorização. Ações sensíveis, como alterar senhas ou instalar softwares, exigem consentimento explícito do usuário, e um sistema de revisão automática verifica se as ações estão de acordo com as regras e os requisitos de segurança.
A chegada dos Dots coloca a OpenAI em competição direta com a Meta, que apresentou neste mês o Muse, seu próprio agente pessoal de inteligência artificial com características semelhantes de autonomia e operação em segundo plano. A disputa também envolve o mercado de agentes de outras empresas, como o Gemini Spark do Google, além de startups especializadas na tecnologia, e reflete a tendência das grandes companhias de transformar chatbots em sistemas capazes de realmente executar tarefas em diferentes ambientes.
Além dos Dots, a OpenAI anunciou durante o DevDay uma série de produtos voltados ao mercado corporativo. A empresa informou que o número de usuários semanais do Codex e do ChatGPT Work ultrapassou 35 milhões, contra cerca de cinco milhões de usuários do Codex em junho. O ChatGPT voltado ao consumidor, por sua vez, já ultrapassa 1,2 bilhão de usuários semanais. Os Dots começam a ser disponibilizados para assinantes dos planos ChatGPT Pro e Business Premium, além de clientes Enterprise, embora a disponibilidade inicial não inclua algumas regiões da Europa. A companhia também está testando Dots especializados para empresas, com funções específicas dentro das organizações.
Outra novidade foi o anúncio do GPT-6.1 Sol, modelo mais barato que, segundo a OpenAI, se aproxima das capacidades do GPT-6 Astra por cerca de um quinto do preço. A empresa apresentou ainda um novo plano Pro de 500 dólares por mês, equivalente a aproximadamente 2.660 reais, com maior limite de uso e desempenho mais rápido. Com os Dots, a OpenAI amplia sua aposta em agentes autônomos ao mesmo tempo em que tenta responder às crescentes preocupações com a segurança desses sistemas, tema que a própria companhia colocou no centro dos mecanismos de controle da nova plataforma.