Pagamento de benefícios pelo celular deixa de ser alternativa e vira hábito consolidado no Brasil
Os cartões de benefícios estão migrando do plástico para as carteiras virtuais dos brasileiros em ritmo acelerado. Dados inéditos divulgados nesta terça-feira (29) pelas empresas iFood Benefícios, Flash e Ticket mostram que o pagamento por aproximação, feito ao aproximar o celular da maquininha em estabelecimentos físicos, deixou de ser um recurso secundário e passou a ocupar um espaço central na rotina de quem recebe vale-alimentação, vale-refeição e outros créditos corporativos.
O caso mais expressivo é o da iFood Benefícios. Segundo a plataforma, o número de usuários que usam o celular para pagar em lojas físicas cresceu mais de 200% entre janeiro de 2025 e maio de 2026. Hoje, um em cada três colaboradores já opta pela tecnologia com frequência. Para a companhia, os números revelam algo mais profundo do que um simples aumento de adoção: trata-se de uma mudança estrutural de hábito, que posiciona o celular como meio de pagamento preferido, e não mais como uma alternativa.
A Flash acompanha o mesmo movimento. A empresa informou que cerca de 35% das compras realizadas com seus cartões já são feitas por meio de carteiras digitais — aplicativos que armazenam os dados do cartão no próprio aparelho, dispensando o uso do plástico no momento da compra. Esse patamar foi alcançado após um crescimento de aproximadamente 180% no volume de pagamentos em um ano e meio. Em nota, a companhia avaliou que as carteiras digitais já representam uma parcela relevante e crescente do uso do cartão Flash, consolidando o formato como uma alternativa cada vez mais presente no dia a dia dos usuários.
A Ticket, outra grande operadora do setor de benefícios, também registrou avanço consistente. Segundo a empresa, 28% de sua base de usuários já utilizam carteiras digitais para efetuar pagamentos. No comparativo entre 2025 e o período atual, houve um aumento de cerca de 70% na quantidade de cartões adicionados a essas plataformas, sinal de que a adesão segue em curva de alta entre os trabalhadores atendidos pela companhia.
O movimento das empresas de benefícios acompanha uma tendência mais ampla do mercado brasileiro de pagamentos. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), a parcela de consumidores que utilizam o celular para pagar por aproximação saltou de 30% para 41% nos últimos dois anos. O indicador integra a Pesquisa sobre Meios de Pagamento, realizada pelo Instituto Datafolha em parceria com a entidade e divulgada na semana passada.
O perfil dos usuários mais assíduos da modalidade ajuda a explicar a velocidade da transformação. Conforme a Abecs, os principais adeptos da tecnologia estão nas faixas etárias de 18 a 24 anos e de 25 a 34 anos, o público mais jovem do mercado consumidor. O hábito também é mais forte entre pessoas de maior renda e escolaridade, embora o alcance da modalidade já se espalhe por diferentes camadas da população.
O dado mais emblemático da popularização veio da própria Abecs: sete em cada dez brasileiros já realizam pagamentos por aproximação no país, seja com o cartão físico habilitado para a função ou com o celular. A adesão em massa se reflete diretamente nos volumes financeiros movimentados pela modalidade. No primeiro trimestre de 2026, os pagamentos por aproximação somaram R$ 504,8 bilhões, uma expansão de quase 20% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Na prática, os números das três operadoras de benefícios indicam que a carteira digital deixou de ser mera conveniência para se tornar o canal padrão de pagamento de milhões de trabalhadores brasileiros. Com o crescimento contínuo da adesão e volumes em forte expansão, a tendência apontada pelos dados é que o celular consolide de vez sua posição como principal instrumento de pagamento no país, redefinindo a forma como os cartões de benefícios são usados no cotidiano.