Arquitetura metabólica: biofiltros vegetais integrados a edifícios podem superar sistemas convencionais de climatização, indica estudo
Um estudo liderado pelo Centro de Ecossistemas e Arquitetura da Universidade Yale indica que biofiltros baseados em plantas podem reduzir a concentração de dióxido de carbono (CO2) em ambientes internos a patamares inferiores aos registrados ao ar livre. O resultado é considerado relevante porque os sistemas convencionais de climatização e ventilação não conseguem alcançar esse nível apenas por meio da renovação do ar, o que coloca a proposta como uma alternativa complementar diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
A pesquisa, divulgada em setembro e publicada na revista científica Energy and Buildings, foi conduzida com a participação da Universidade de Nova York, da Universidade Purdue, da Escola de Meio Ambiente de Yale e da consultoria Buro Happold, entre outras instituições. O trabalho investiga uma abordagem complementar à ventilação tradicional: sistemas de plantas e microrganismos integrados às construções, capazes de remover o CO2 diretamente do ar interno por meio da fotossíntese, processo natural em que os vegetais absorvem o gás carbônico do ambiente.
Batizada pelos pesquisadores de arquitetura metabólica, a concepção trata o edifício como um organismo vivo, no qual elementos biológicos passam a participar ativamente do controle da qualidade do ar. Segundo o estudo, esses sistemas podem ser projetados para levar as concentrações internas de CO2 a valores abaixo dos observados nas ruas, algo fora do alcance dos métodos convencionais de climatização, que dependem do ar externo e, por isso, ficam limitados às condições atmosféricas do entorno.
Os alertas sobre a qualidade do ar em espaços fechados se sustentam em modelagens apresentadas no trabalho. Ao combinar condições externas com mecanismos internos em diferentes contextos urbanos e em cenários climáticos futuros, os pesquisadores observaram que as concentrações de CO2 em ambientes internos já se encontram, com frequência, dentro da faixa considerada potencialmente crítica, entre 700 e 1.000 partes por milhão (ppm), unidade de medida usada para quantificar a presença do gás no ar.
O quadro tende a se agravar. De acordo com as simulações, o aumento da concentração atmosférica de CO2 pode elevar substancialmente as exposições em ambientes internos quando se mantêm as estratégias convencionais de ventilação. É nesse cenário que os biofiltres vegetais ganham relevância, já que atuam de forma independente do ar externo e oferecem, ainda, benefícios adicionais, como a melhoria da diversidade microbiana dos espaços internos.
Na prática, os resultados apontam que a ventilação tradicional, sozinha, tende a se tornar insuficiente à medida que as mudanças climáticas elevam as concentrações de CO2 e aumentam as exigências sobre os ambientes construídos. A integração de sistemas vivos aos edifícios surge, assim, como um caminho complementar para manter a qualidade do ar interno, abrindo espaço para que o desenho arquitetônico incorpore de forma ativa plantas e microrganismos no desempenho das construções.