A conta da inteligência artificial vai fechar? IP Capital Partners explica por que aposta nas big techs
A gestora brasileira IP Capital Partners, que administra R$ 2,7 bilhões, está convencida de que os investimentos bilionários em inteligência artificial vão se pagar e, por isso, concentrou sua estratégia nos principais nomes dessa corrida tecnológica: Microsoft, Meta, Alphabet e Amazon. A avaliação foi apresentada por Gabriel Raoni, sócio da gestora, durante entrevista ao programa Café com Investidor.
A dúvida sobre se o mercado vive uma bolha em torno da inteligência artificial tem ganhado força diante do volume crescente de recursos direcionados ao setor. Raoni, no entanto, argumenta que crises e bolhas normalmente surgem quando há um descompasso entre o progresso tecnológico e a velocidade de adoção da tecnologia. No caso da inteligência artificial, o que se observa, segundo ele, é justamente o contrário: uma curva de adoção acelerada.
O movimento de capital das grandes empresas de tecnologia ilustra bem essa escalada. Em 2023, Microsoft, Meta, Alphabet, Amazon e Oracle investiram cerca de US$ 150 bilhões em iniciativas ligadas à inteligência artificial. Dois anos depois, a cifra saltou para US$ 450 bilhões. A estimativa é que os aportes avancem para US$ 750 bilhões em 2026 e alcancem cerca de US$ 1,2 trilhão em 2027, segundo dados apresentados pelo gestor.
Para Raoni, os investimentos das big techs passaram por dois ciclos principais até aqui, e agora devem entrar em uma nova fase. Essa nova etapa é marcada pela transição da inteligência artificial como ferramenta de apoio para uma tecnologia capaz de executar tarefas dentro das próprias empresas, o que, na visão do gestor, ajuda a reduzir o risco de formação de uma bolha financeira.
A tese da IP Capital Partners está concentrada especificamente em quatro grandes empresas: Microsoft, Meta, Alphabet e Amazon. Quando se soma a Oracle a esse grupo, as cinco companhias passam a responder por cerca de 70% de todo o investimento em inteligência artificial feito na cadeia. Trata-se de uma fatia relevante do mercado, o que justifica a preferência da gestora por esses papéis em sua estratégia de ações.
Apesar do otimismo em relação à expansão da inteligência artificial e à solidez dos grandes grupos de tecnologia, Raoni demonstra cautela em relação a empresas que ainda estão construindo seus modelos de negócio. Questionado sobre possíveis ofertas públicas iniciais da OpenAI e da Anthropic, duas das startups mais Badaladas do setor, o sócio da IP Capital Partners afirmou considerar os valuations dessas companhias elevados e que suas vantagens competitivas ainda estão em construção.
A filosofia da IP Capital Partners é justamente buscar negócios com características específicas, evitando empresas sem modelos de negócio consolidados. A gestora foi a primeira gestora independente do Brasil e, desde 1988, se dedica ao investimento em ações com foco na construção de patrimônio no longo prazo.
O contraste entre a aposta firme nos gigantes já consolidados e a cautela com startups de IA em estágios mais iniciais revela um posicionamento claro da IP Capital Partners diante do atual momento do mercado. Para a gestora, o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial não é uma promessa vazia, mas uma tendência sustentada por uma curva de adoção que cresce em ritmo acelerado e por uma nova fase de aplicação da tecnologia dentro dos negócios.