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Guerra de Gigantes: Magalu e aiqfome Acionam o Cade Contra Exclusividade do iFood no Interior do Brasil

18/09/2026
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Guerra das entregas ganha novo capítulo no Cade com a entrada da Magalu

A disputa pelo mercado de aplicativos de entrega ganhou um novo capítulo. O aiqfome, plataforma adquirida pelo Grupo Magalu em 2020 e com atuação concentrada no interior do Brasil, protocolou uma representação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão responsável por fiscalizar a concorrência no país, questionando as regras de exclusividade do iFood em cidades menores. O movimento acontece no mesmo mês em que a varejista lançou o Magalu Delivery, serviço que estreou em mais de 400 cidades entregando refeições, itens de supermercado e conveniência dentro do próprio aplicativo da companhia.

Segundo informações do jornal Valor, a denúncia foi apresentada em fevereiro de 2026 e ainda tramita em sigilo. Neste momento, o Cade analisa as informações recebidas e precisa decidir se abre um inquérito administrativo ou se arquiva o caso. No centro da discussão está o alcance do Termo de Compromisso de Cessação, acordo firmado em 2023 entre o órgão e o iFood que estabeleceu limites para os contratos de exclusividade da plataforma.

O aiqfome defende a revisão das regras para que as restrições também alcancem cidades pequenas e médias, enquanto o iFood sustenta que o acordo já estabelece limites nacionais e municipais aplicáveis a todo o mercado. Na representação, o aplicativo do Magalu argumenta que o recorte de 500 mil habitantes previsto no termo deixa de fora uma parcela relevante do mercado brasileiro de entregas. A plataforma afirma que o chamado interior profundo, formado por municípios com população entre 40 mil e 200 mil habitantes, concentra operações de diferentes aplicativos e deveria estar contemplado pelas medidas de proteção à concorrência.

Para Igor Remigio, diretor-executivo e cofundador do aiqfome, o lojista deve poder estar em quantos aplicativos quiser, e cabe a cada empresa conquistar esse empreendedor pela qualidade, e não prendê-lo por contrato. Segundo ele, o que se vê na prática é o oposto: restaurantes que querem operar em outra plataforma são punidos, caem na classificação das buscas, perdem vitrine e destaque, e ainda recebem ameaça de multa por quebra de exclusividade. Para o executivo, isso não é competição, e sim dependência forçada.

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O dirigente afirma que foram apresentadas ao Cade evidências relacionadas a essas alegações, especialmente sobre multas contratuais, com valores que podem chegar a 300 mil reais para um restaurante pequeno em uma cidade de 35 mil habitantes. Ele reconhece que não é papel do aiqfome auditar ou investigar o algoritmo do iFood, mas diz que os relatos de lojistas prejudicados são abundantes. Segundo Remigio, a plataforma faz o caminho inverso do que denuncia: quer que o lojista permaneça por escolha, não por imposição.

Com o lançamento do Magalu Delivery, o aiqfome passou a ser uma das áreas disponíveis no superaplicativo da varejista. A operação continua baseada na estrutura original da plataforma, mas ganha acesso à base de mais de 50 milhões de usuários ativos mensais do Magalu. A estratégia inicial mantém a aposta no interior: a primeira fase contempla municípios de Minas Gerais, Paraná e São Paulo, regiões onde o aiqfome já reúne quase 30 mil restaurantes em cerca de 500 cidades, com população entre 80 mil e 120 mil habitantes. A ideia, segundo a empresa, é avançar para mercados maiores de forma gradual, com Campinas entre as praças avaliadas e um possível teste em uma cidade de aproximadamente 300 mil habitantes.

Procurado, o iFood afirmou que a representação não é nova e se baseia em premissas factualmente equivocadas. A empresa nega que esteja expandindo parcerias exclusivas para cidades menores e diz que sua atuação está concentrada nos grandes centros urbanos. Segundo a companhia, além do limite municipal de 8% do GMV, indicador que mede o volume total de transações da plataforma, para cidades acima de 500 mil habitantes, o acordo estabelece um limite nacional de 25% válido para todos os municípios, e que nas cidades pequenas os restaurantes com contrato de exclusividade representam menos de 1% do total ativo no serviço.

Sobre a visibilidade dos estabelecimentos, o iFood declara que o posicionamento na plataforma é determinado por critérios objetivos, como perfil de consumo, qualidade do serviço e investimento do parceiro. A empresa nega adotar condutas retaliatórias contra restaurantes que também operam em outras plataformas e afirma manter suas práticas em conformidade com o termo. Para a companhia, o acordo está em vigor há mais de três anos, é monitorado pelo Cade a cada seis meses, teve seu cumprimento atestado pelo órgão e não há base para revisão.

Essa não é a primeira vez que concorrentes do setor recorrem ao Cade. Em agosto, o iFood pediu a abertura de processo administrativo contra a Keeta, alegando práticas predatórias, como operar com prejuízo por pedido e usar recursos da controladora, a Meituan, para subsidiar descontos e preços abaixo do custo. Antes disso, a Keeta havia denunciado a 99Food por adotar cláusulas que restringiriam a atuação dos restaurantes em plataformas rivais e estabelecer regras de paridade de preços em relação ao próprio iFood.

Diante desse cenário de acusações cruzadas, o Cade decidiu acompanhar mais de perto as práticas comerciais do setor. Em novembro de 2025, a autarquia abriu um procedimento administrativo para monitorar o mercado de plataformas de entrega de comida e solicitou estudos sobre a dinâmica competitiva em Goiânia, Rio de Janeiro, Santos, São Paulo e São Vicente. Agora, com a denúncia do aiqfome e a chegada do Magalu Delivery a centenas de cidades, a varejista entra progressivamente na disputa que envolve iFood, 99 e Keeta, enquanto o órgão regulador decide se o caso ganha formalmente status de investigação.

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