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Do hype à barganha: Bending Spoons compra a Miro por US$ 1,36 bilhão, 92% abaixo do pico de US$ 17,5 bilhões

11/09/2026
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Bending Spoons compra a Miro por US$ 1,36 bilhão e paga 92% menos do que o valor de pico da startup

A Bending Spoons, companhia italiana de tecnologia, anunciou a aquisição da Miro, plataforma de colaboração visual, por US$ 1,36 bilhão em dinheiro. A transação avalia a empresa em US$ 1,79 bilhão, valor que chama atenção quando comparado ao momento de euforia da companhia: no fim de 2021, depois de captar US$ 400 milhões em uma rodada de investimento, a Miro chegou a ser avaliada em US$ 17,5 bilhões. Em pouco mais de quatro anos, portanto, a avaliação despencou 92%.

A compra segue a tese de negócio que define a estratégia da Bending Spoons: adquirir empresas que já foram alvo de grande entusiasmo e supervalorizadas pelo mercado, mas que atravessam um momento de baixa, para operá-las com disciplina financeira e extrair receita de bases de usuários já consolidadas. A aquisição da Miro é o capítulo mais recente desse modelo.

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A história da Miro começou em 2011, quando surgiu como uma ferramenta de quadro branco digital chamada RealtimeBoard. A empresa se tornou uma das grandes beneficiadas pela migração forçada para o trabalho remoto durante a pandemia. Com os escritórios vazios, as empresas precisaram encontrar formas de reproduzir a experiência de rabiscar ideias em um quadro branco junto com os colegas, e a plataforma soube aproveitar essa onda de demanda.

Ao longo do crescimento, a Miro passou a integrar mais de 250 aplicativos e firmou parcerias com Atlassian, Cisco, Microsoft e Zoom. A companhia também abriu espaço para que os próprios usuários construíssem integrações e personalizassem o produto. Hoje, a plataforma se apresenta como um espaço de trabalho de inovação baseado em inteligência artificial, com assistentes de IA para as ferramentas de quadro, fluxos automatizados, recursos de prototipagem e conectores que extraem contexto de serviços como GitHub, Jira e Slack.

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Os números do período de expansão ajudam a explicar a avaliação alcançada em 2021. Entre 2020 e 2022, a base de usuários saltou de 5 milhões para cerca de 30 milhões, enquanto a carteira de clientes pagantes cresceu 550%. O cenário mudou no pós-pandemia, quando o mercado passou a descontar os múltiplos de avaliação de empresas de software como serviço, modelo em que o produto é vendido por assinatura. O ajuste veio com cortes na folha de pagamento: de aproximadamente 1,2 mil funcionários em 2022, a empresa demitiu 119 pessoas em fevereiro de 2023 e outras 275 em outubro de 2024.

Mesmo encolhida, a Miro chega à venda com indicadores financeiros consideráveis. São mais de 4 milhões de usuários pagantes e 100 milhões de usuários no total, com cerca de US$ 600 milhões em receita recorrente anual. Segundo a Bending Spoons, 90% desse faturamento vem de empresas e contas corporativas. A companhia ainda opera no azul, com aproximadamente US$ 435 milhões em caixa líquido.

A operação com a Miro não é a primeira jogada da italiana seguindo essa estratégia, nem a primeira apenas em 2026. Em agosto, poucas semanas depois de estrear na bolsa Nasdaq com avaliação de US$ 18 bilhões, a Bending Spoons comprou o Airtable por US$ 1,285 bilhão. A plataforma de criação de aplicativos sem código havia chegado a valer US$ 11 bilhões em dezembro de 2021. Nos meses anteriores, o grupo sediado em Milão já havia levado a histórica AOL e a plataforma de venda de ingressos Eventbrite.

O padrão das aquisições é bem definido: grandes nomes de software que foram precificados na euforia como se fossem se transformar em gigantes, mas que amadureceram para negócios sólidos, com crescimento mais lento, receita recorrente decente e base de usuários estabelecida. O portfólio da Bending Spoons reúne ainda Evernote, WeTransfer, Vimeo, Meetup, StreamYard e o aplicativo de edição de vídeo Splice, entre outras marcas.

O método de atuação foi descrito pelo diretor-executivo e cofundador Luca Ferrari: reformular a experiência do usuário, ajustar a monetização e cortar custos com agressividade, em um modelo que combina operação de tecnologia com a lógica de fundos de investimento especializados na recuperação de empresas. Um ponto que a companhia faz questão de reforçar como diferencial é que nunca revendeu um negócio após adquiri-lo.

Com a Miro no catálogo, a Bending Spoons reforça seu posicionamento como compradora sistemática de plataformas que já lideraram ciclos de hype do mercado de tecnologia. A transação simboliza, ao mesmo tempo, o fim de um ciclo de valuation inflado para a startup de colaboração visual e a continuidade da estratégia de expansão do grupo italiano, que agora soma mais uma marca com receita recorrente e audiência consolidada ao seu portfólio.

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