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IA redefine papel do programador: menos código, mais estratégia

10/09/2026
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A incorporação de ferramentas de inteligência artificial às rotinas de desenvolvimento está redesenhando a profissão de programador. A avaliação é de Ricardo Cruz, diretor administrativo-financeiro da DKP Consultoria, empresa brasileira com mais de 20 anos de atuação em consultoria e desenvolvimento de sistemas. Para o executivo, o movimento não representa o fim da programação, mas uma mudança de patamar: nos próximos anos, o papel do desenvolvedor deixará de ser predominantemente operacional para se tornar cada vez mais estratégico.

A transição projetada pela consultoria aponta que os profissionais deixarão de concentrar esforços na escrita repetitiva de código para atuar como arquitetos, revisores e orquestradores de soluções criadas com inteligência artificial. Tarefas como manutenção básica, criação de telas padronizadas e pequenas integrações tendem a ser cada vez mais automatizadas, enquanto cresce a demanda por especialistas capazes de liderar projetos, integrar sistemas complexos e desenvolver soluções baseadas em IA.

Números internacionais reforçam a percepção do setor. Levantamento do Fórum Econômico Mundial, entidade que reúne líderes políticos e empresariais para discutir a agenda econômica global, mostra que em 2025 quatro em cada dez desenvolvedores afirmaram que a IA já havia ampliado suas oportunidades de carreira. Cerca de sete em cada dez esperam que suas funções mudem ainda mais ao longo de 2026.

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A mesma entidade estima que 22% dos empregos globais devem passar por uma transformação estrutural em até cinco anos. O movimento é impulsionado principalmente pelo avanço da IA em ritmo mais rápido do que a capacidade das organizações de requalificar suas equipes, o que amplia a pressão sobre empresas e profissionais para acompanhar a evolução tecnológica.

No Brasil, o setor de tecnologia da informação e comunicação já convive com um descompasso entre oferta e demanda de mão de obra qualificada. Dados da Brasscom, associação que representa o setor, indicam que entre 2019 e 2024 o mercado brasileiro precisou de mais de 665 mil profissionais, mas apenas cerca de 465 mil se formaram no período. A lacuna, superior a 30%, reforça a urgência da capacitação diante das novas ferramentas.

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Para Cruz, a velocidade da transformação não tem precedente. A inteligência artificial está mudando o mercado de desenvolvimento de software em um ritmo nunca visto, o que exige dos profissionais uma readaptação contínua de competências. O diretor lembra que, historicamente, boa parte do tempo dos times de desenvolvimento era dedicada à escrita de código, à correção de erros e à implementação de funcionalidades repetitivas.

Esse cenário vem mudando com a chegada de ferramentas capazes de gerar código, identificar vulnerabilidades, sugerir melhorias, criar testes automatizados e até desenvolver aplicações completas a partir de descrições em linguagem natural, ou seja, instruções escritas em português ou outro idioma humano, sem necessidade de sintaxe técnica. O resultado é a redução do tempo dedicado a tarefas mecânicas e o aumento da produtividade das equipes.

Segundo o executivo, a mudança também altera o perfil exigido dos profissionais. Em vez de eliminação de vagas, a expectativa é de uma recomposição das equipes, com espaço maior para quem tem capacidade analítica, visão sistêmica e domínio das ferramentas de IA. As empresas buscarão profissionais que consigam assumir decisões técnicas mais relevantes do que a simples digitação de linhas de código.

Cruz observa que já é possível notar a formação de um novo perfil dentro dos times de desenvolvimento: o especialista que trabalha em conjunto com agentes inteligentes, sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma a partir de instruções. Em vez de escrever manualmente todas as linhas, esse profissional assume a função de arquiteto, revisor e orquestrador das soluções produzidas pela IA.

Saber formular boas instruções, validar resultados, garantir qualidade e tomar decisões técnicas será tão importante quanto programar, avalia o diretor. Ele destaca também o crescimento da procura por especialistas em inteligência artificial, aprendizado de máquina, engenharia de dados, computação em nuvem, cibersegurança e integração de sistemas.

Para as empresas, a IA representa uma oportunidade de acelerar a inovação, reduzir custos e desenvolver produtos com mais agilidade. A contrapartida, pondera Cruz, é a necessidade de investimento em capacitação e de mudança cultural, já que a integração entre pessoas e sistemas inteligentes exige novos processos de trabalho e novas formas de gestão dos times de tecnologia.

As organizações que aprenderem a integrar desenvolvedores e inteligência artificial serão capazes de entregar soluções mais rapidamente e com maior qualidade, assinala o executivo. Em sua leitura, o futuro da profissão não será definido pela substituição de desenvolvedores pela tecnologia, mas pela diferença entre quem souber utilizá-la e quem insistir em métodos de trabalho anteriores.

O diretor da DKP ressalta que a IA tende a eliminar parte do trabalho repetitivo, mas aumenta a importância do pensamento crítico, da criatividade, da arquitetura de software e da capacidade de transformar necessidades de negócio em soluções tecnológicas. São competências que dependem de julgamento humano e não podem ser plenamente automatizadas.

Assim como ocorreu em transformações tecnológicas anteriores, a expectativa é de que a programação não desapareça, mas se torne mais estratégica, produtiva e integrada aos objetivos das empresas. Profissionais que enxergarem a IA como aliada tendem a ganhar mais espaço no mercado ao longo da próxima década.

A DKP Consultoria, responsável pela avaliação, atua há mais de duas décadas no setor de tecnologia da informação. Seus serviços incluem implantação e suporte de sistemas de gestão integrada, conhecidos pela sigla ERP, automação de processos robóticos por meio de RPA, visualização de dados com o Power BI, ferramenta da Microsoft, além de modernização de infraestrutura com práticas de DevOps e soluções em nuvem. A empresa já realizou mais de 900 projetos para mais de 600 clientes de diferentes segmentos.

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