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Pisa 2025: quando o ChatGPT ajuda e quando atrapalha o estudo

10/09/2026
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O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2025 mediu pela primeira vez o impacto da inteligência artificial no aprendizado escolar, e a análise dos resultados feita por Roberto 'Pena' Spinelli, especialista em IA pela Universidade de Stanford, identifica situações em que o ChatGPT e ferramentas semelhantes potencializam o estudo e cenários em que prejudicam a absorção de conhecimento. O levantamento chega em um momento em que escolas do Brasil e do mundo debatem como lidar com a tecnologia em sala de aula.

Conduzido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Pisa é aplicado a cada três anos a estudantes de cerca de 15 anos em dezenas de países e avalia desempenho em leitura, matemática e ciências. A edição de 2025 é a primeira a investigar de forma sistemática como a inteligência artificial participa da rotina de estudos dos jovens.

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A análise é assinada por Roberto 'Pena' Spinelli, jornalista brasileiro que atua como comentarista de tecnologia e é especialista em IA pela Universidade de Stanford, uma das instituições de referência mundial em pesquisa na área. No centro do debate está o ChatGPT, assistente de inteligência artificial criado pela OpenAI, empresa responsável pelos modelos GPT, cujo lançamento em 2022 popularizou a chamada IA generativa entre estudantes.

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A decisão de incluir o tema no Pisa reconhece a escala alcançada por essas ferramentas. Em pouco mais de dois anos, aplicativos de IA passaram de novidade a parte do cotidiano de milhões de estudantes, usados para tirar dúvidas, revisar textos, resumir conteúdos e resolver exercícios.

Um dos lados apontados na análise é o do potencial de apoio. Quando funciona como tutor disponível a qualquer hora, a IA pode explicar conceitos de formas diferentes, oferecer exemplos adicionais e adaptar a linguagem ao nível do estudante. Esse tipo de uso mantém o jovem como protagonista do raciocínio e emprega a ferramenta como complemento ao trabalho intelectual.

O outro lado aparece quando a ferramenta assume o lugar do estudante. A entrega de respostas prontas sem que haja esforço de compreensão reduz o tempo de reflexão e pode comprometer a absorção do conteúdo. Nesse cenário, a tecnologia substitui etapas do processo de aprendizado que dependem de prática e de elaboração própria.

A fronteira entre os dois usos está, portanto, no modo de empregar a ferramenta, e não na ferramenta em si. A mesma aplicação que explica passo a passo uma equação pode apenas entregar a solução final, e a diferença está em como o estudante é orientado a utilizá-la.

Para o Brasil, o tema tem peso adicional. O país enfrenta desafios estruturais na educação básica e, ao mesmo tempo, precisa preparar estudantes para um mercado de trabalho que já exige familiaridade com sistemas de inteligência artificial. Equilibrar esses dois objetivos tornou-se uma das questões centrais da agenda educacional do país.

A discussão também divide escolas e redes de ensino. Enquanto algumas instituições optaram por restringir o uso de ferramentas de IA, outras buscam incorporá-las ao planejamento pedagógico. Os dados do Pisa 2025 oferecem, pela primeira vez, uma base comparável internacionalmente para orientar essas decisões.

O papel do professor ganha relevância nesse cenário. Caberá a ele mediar o uso da tecnologia, definir em que momentos a IA é apropriada e garantir que o estudante desenvolva o raciocínio antes de recorrer à resposta automática.

A primeira medição do impacto da inteligência artificial no aprendizado marca uma mudança de patamar no debate educacional. O que antes se apoiava em impressões e casos isolados agora conta com indicadores internacionais sobre os efeitos da tecnologia sobre os estudos.

O desafio seguinte é transformar esses resultados em práticas concretas. A definição de diretrizes claras sobre quando e como usar IA na educação tende a se tornar parte permanente do trabalho pedagógico no Brasil e no resto do mundo.

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