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96% das fintechs de crédito colocam IA no centro da estratégia

09/09/2026
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Quase a totalidade das fintechs de crédito que operam no Brasil colocou a inteligência artificial no centro da agenda corporativa: 96% delas declaram a intenção de implementar ou ampliar soluções baseadas na tecnologia nos próximos dois anos, o maior índice registrado para qualquer tecnologia ao longo da série histórica da Pesquisa Fintechs de Crédito Digital. O levantamento foi conduzido pela Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD), entidade que representa o segmento de crédito digital no país, em parceria com a consultoria PwC Brasil. Os números indicam que a IA deixou de ser uma promessa distante e passou a integrar o núcleo do planejamento estratégico das empresas do setor financeiro nacional.

A mudança mais relevante apontada pelo estudo em relação às edições anteriores está no grau de comprometimento das empresas. A tecnologia saiu da condição de projeto paralelo, conduzido de forma isolada, e ganhou status de prioridade de negócio. Um dado confirma esse movimento: 62% das empresas do segmento já utilizam IA de forma efetiva em suas operações, o que mostra que a adoção alcançou a rotina do crédito digital brasileiro, e não apenas os laboratórios de inovação.

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Para a direção da ABCD, o resultado condiz com o perfil estrutural do setor, formado por fintechs, empresas que usam tecnologia como base para oferecer serviços financeiros. "O uso intensivo de tecnologia é uma característica do segmento, portanto a adoção de IA é apenas o ponto de partida", afirma Claudia Amira, diretora-executiva da associação. Na leitura dela, a discussão atual não é se a ferramenta será usada, mas como ela será empregada e em que escala.

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A velocidade de adaptação é o fator que, na avaliação da executiva, separa as empresas competitivas das demais. "O que impacta as operações das empresas de crédito digital é a velocidade de adaptação, em que está a verdadeira vantagem competitiva", completa.

O levantamento detalha as frentes em que a inteligência artificial está sendo aplicada pelas empresas do segmento. A primeira delas, já em operação nas organizações mais avançadas, envolve a automação de processos de ponta a ponta. Nesse modelo, agentes autônomos, sistemas capazes de executar tarefas com reduzida intervenção humana, atuam em etapas como vendas, formalização de contratos, back-office, as rotinas administrativas e de apoio, e cobrança.

A segunda frente apontada pelo estudo está em franca evolução e é avaliada como mais transformadora pelas próprias fintechs. Trata-se do uso da IA dentro do ciclo de desenvolvimento dos produtos, abrangendo desde a especificação das soluções até a escrita do código. Com isso, a tecnologia deixa de atuar apenas na operação do negócio e passa a influenciar a forma como os serviços de crédito são concebidos e construídos.

A expectativa registrada no relatório é de impactos amplos na cadeia de valor do crédito. "Com a expansão do uso, a tendência é que a Inteligência Artificial reconfigure desde a concessão de crédito até a experiência do cliente", projeta Claudia Amira. A declaração resume o salto percebido no setor: a IA deixou de ser tratada como ferramenta pontual de otimização e passou a ser vista como elemento capaz de redesenhar processos centrais do negócio.

O contexto em que essa transformação tecnológica ocorre é de crescimento consistente. As fintechs de crédito concederam R$ 53,8 bilhões em 2025, montante 51% superior ao registrado em 2024. Foi o sexto ano consecutivo de expansão do segmento, o que demonstra a maturidade alcançada pelo crédito digital no mercado brasileiro.

A base de clientes também avançou de forma expressiva no período. O número de pessoas físicas atendidas ultrapassou 94,9 milhões, somando operações no Brasil e no exterior. Entre pessoas jurídicas, o atendimento superou 72 mil empresas.

Os dados de crescimento compõem o cenário em que a prioridade estratégica dada à inteligência artificial se insere. Com mais clientes, volume maior de concessões e operações cada vez mais complexas, o levantamento mostra um setor que consolidou escala e agora direciona seus planos de tecnologia para os próximos dois anos.

O indicador de 96% de intenção de implantação ou expansão de IA supera qualquer outro registro da série histórica da pesquisa para tecnologias avaliadas ao longo dos anos. Para o mercado, o recado é direto: no crédito digital brasileiro, a inteligência artificial deixou de ser diferencial competitivo e passou a ser pressuposto de operação.

Para profissionais de tecnologia que atuam no setor financeiro, o movimento desenha uma agenda concreta de trabalho: automação de processos com agentes autônomos em vendas, formalização, apoio administrativo e cobrança, além da participação da IA nas etapas de especificação e construção de produtos. A próxima fase da competição no crédito digital, como resume a diretoria da ABCD, tende a ser decidida pela velocidade com que cada empresa converte prioridade estratégica em operação real.

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