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A cura que nenhuma geração alcançaria sozinha: CEO da Arm aposta que a IA vai desvendar o segredo do câncer

08/09/2026
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IA pode ajudar a encontrar cura para o câncer que humanos não descobririam em vida, diz CEO da Arm

O CEO da Arm Holdings, Rene Haas, afirmou em entrevista ao podcast Big Boss Interview, da BBC, que a inteligência artificial tem potencial para colaborar na descoberta de uma cura para o câncer que dificilmente seria encontrada por seres humanos ao longo de suas vidas. Para o executivo, o avanço contínuo dos computadores e a possibilidade de alimentar modelos com volumes cada vez maiores de dados devem permitir que a tecnologia enfrente problemas atualmente considerados complexos demais.

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Apesar da visão otimista, Haas reconheceu que ainda existem limitações importantes. Tarefas como modelar uma célula em ambiente digital, reproduzir virtualmente um ser humano ou compreender de que forma um marcador de DNA é afetado pelo câncer continuam sendo desafios tanto para pesquisadores quanto para os próprios sistemas de inteligência artificial. Ainda assim, o executivo acredita que esse cenário está prestes a se transformar à medida que modelos mais robustos sejam incorporados aos computadores e as máquinas utilizadas para executá-los se tornem mais sofisticadas.

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A avaliação de Haas foi acompanhada por Chris Bakal, professor do Institute of Cancer Research, em Londres, e CEO da Sentinal4D. Para Bakal, a questão central já não é mais decidir se a inteligência artificial será utilizada, mas sim quais dados serão fornecidos aos sistemas. O pesquisador explicou que laboratórios como o seu treinam modelos de IA com dados produzidos a partir de amostras de pacientes, abordagem que pode reduzir o tempo necessário para desenvolver novos tratamentos contra a doença.

Durante a entrevista, Haas também relacionou a escassez global de componentes à expansão da inteligência artificial. Segundo ele, há uma restrição no fornecimento de diferentes tipos de chips, o que dificulta a construção de novos data centers, estruturas físicas que abrigam grandes conjuntos de servidores responsáveis por processar e armazenar dados utilizados pelos sistemas de IA. O executivo citou projetos de data centers de grande porte na França e nos Estados Unidos, além de planos para instalações no espaço, e afirmou que será necessário ampliar a capacidade de fabricação de chips para viabilizar estruturas desse tipo.

A própria Arm, conhecida por desenvolver arquiteturas de processadores utilizadas em celulares, carros, smartwatches e outros dispositivos, passou recentemente a vender seus próprios chips. De acordo com Haas, a demanda pelo chip batizado de Arm AGI, desenvolvido a pedido da Meta, ultrapassou a marca de US$ 2 bilhões desde o lançamento, ocorrido em março.

O CEO também projetou um futuro próximo marcado pela presença de robôs humanoides em diferentes setores da economia. Segundo ele, máquinas capazes de aprender e executar tarefas variadas poderão ser amplamente utilizadas em áreas como manufatura, limpeza, segurança, construção de pontes e reparos ao longo da próxima década. Sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho, Haas considerou exageradas as estimativas que apontam para a substituição completa de grandes volumes de empregos por máquinas, afirmando que haverá transformações para os trabalhadores, mas também o surgimento de novas oportunidades.

Apesar da escassez global de semicondutores, Haas afirmou não acreditar que seja necessário fabricar chips no Reino Unido. A produção de componentes avançados está atualmente concentrada em torno da taiwanesa TSMC, e o governo britânico mantém conversas com o setor sobre a possibilidade de trazer partes da cadeia produtiva para o país. Para o executivo, fábricas de chips exigem investimentos elevados, profissionais especializados e grande quantidade de recursos naturais, e existe um ecossistema amplo capaz de sustentar esse tipo de atividade em outras regiões.

Haas deixou o conselho da farmacêutica britânica AstraZeneca em abril e também ocupa uma função na SoftBank, empresa japonesa que é a principal acionista da Arm e possui investimentos em tecnologia, incluindo na OpenAI. Embora a Arm tenha sido transferida para investidores japoneses em 2016 e posteriormente realizado uma abertura parcial de capital na Nasdaq, em Nova York, Haas destacou que metade dos funcionários da empresa continua baseada no Reino Unido, sendo a maior empregadora de Cambridge.

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